------------------------------------------------------------------------ There are 7 messages in this issue. Topics in this digest: 1. Re: Educacao Negativa From: "Celso Vallin" 2. Re: Educacao Negativa From: Eduardo O C Chaves 3. Educacao: projeto da sociedade ou do individuo? From: Eduardo O C Chaves 4. Sobre idearios e praticarios From: Eduardo O C Chaves 5. Re: Sobre idearios e praticarios From: "Luciana Salgado" 6. Sobre idearios e praticarios From: "Adriana Portella" 7. Livraria Cultura Personal - 2/2/2002 From: "Eduardo O C Chaves" ________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________ Message: 1 Date: Sat, 2 Feb 2002 18:39:39 -0200 From: "Celso Vallin" Subject: Re: Educacao Negativa Oi Eduardo, Lenise e pessoal. Não aguentei ficar de fora dessa conversa de vocês. A sua provocação me pegou. Gostaria de colocar minha opinião em relação a sua questão. Penso que todos sejamos bons e ruins ao mesmo tempo. Gostamos de ajudar os outros, até porque isso nos traz boas relações, amizades, simpatia. As pessoas que ajudam os outros são mais necessárias, mais importantes e queridas. De vez em quando nosso lado mesquinho toma conta de nós e começamos a contabilizar nossas ações e os benefícios que elas trazem para nós mesmos. Ai tudo começa a dar problema. Usando a inteligência, que todos tem, para arquitetar estratégias individualistas, chega-se a muitos outros "pecados". O que nos ajuda a perceber que esse caminho não da certo é a incomodação que causamos aos outros e a reação deles. Começamos a perder amigos. O grande desafio a ser superado é conseguirmos equilibrar nossa felicidade com a de todos que nos cercam. Penso que uma grande dica para isso seja a reflexão em comunidade. As conversas e as reflexões de olho no coletivo nos ajudam a achar os melhores caminhos. Bom... imagino que não tenha dito nenhuma novidade. O difícil mesmo é a prática, quando somos nós os envolvidos nela. Difícil é aceitarmos a cada dia nossos limites e sermos generosos com os outros. Acho interessante imaginar que todos podemos entrar em espirais de realimentação negativa e em espirais de realimentação positiva. Assim, conforme a história de vida de cada um, podemos estar muito distantes do melhor caminho, ou, estar indo bem. Aquelas pessoas que estão usando drogas, vão mal na escola, ou já abandonaram a escola, tem uma vida conturbada em casa e mesmo com os amigos, se sentem muito mal e se sentem muito desencorajados a procurar caminhos de amor, são pessoas como nós, que podem melhorar se começarem a sentir os benefícios e a alegria que outro tipo de vida pode lhe dar. Dentro da mesquinharia que acaba acontecendo inevitavelmente entre nós todos, há os que assaltam em troca de dinheiro para a droga do dia, e há os que se esforçam para colocar no poder uma candidata que poderá lhes render sombrios acordos. Em todos os níveis, desde os mais miseráveis aos mais poderosos, vejo o bem e o mal convivendo em nós. Acompanhei muito de perto a vida de três adolescente infratores, por quase dois anos. Descobri que muita coisa era bem diferente do que imaginava. Creio que todos mereçam ajuda. Todos nós precisamos de ajuda. Precisamos aprender a nos ajudar. Nos momentos mais difíceis, a melhor ajuda que podíamos dar era parar de ajudar até que o outro se dispusesse a entrar num caminho pedagógico. Quase em frente a minha casa mora um menino que está, neste momento na FEBEM, por ter assaltado ônibus. Eu o acompanhei de perto desde os 8 anos, e fui percebendo a dificuldade que sua vida apresentava. Ele vinha muita vezes em minha casa e ficava comigo, quando eu podia. Consegui ter vínculos com ele, melhor do que tinha com a própria mãe quando foi preso (acredito), mas não consegui mudar o rumo de sua vida. Hoje, com 13 anos, está lá, interno. Quem sabe a internação consiga significar alguma ajuda para ela e a família. Nem sei bem porque estou escrevendo isso tudo. O que vejo é que nós vivemos em mundos muito diferentes. Muitas vezes vejo as pessoas dizendo que fulano ou cicrano não tem jeito, mas sem ao menos entender o que acontece com a vida daquela pessoa. Penso que todos temos jeito, embora sejamos difíceis de lidar. Qual seria o filósofo e a linha de pensamento que justificaria este pensamento? Brincadeira! É só um aparte na conversa de vocês, que está muito boa. Podem continuar. Um abraço, Celso Vallin - Sao Jose dos Campos (SP) ---------------------------------------------------- -----Mensagem Original----- De: Eduardo O C Chaves Para: eac@escola2000.net Enviada em: Sexta-feira, 1 de Fevereiro de 2002 20:00 Assunto: RE: [escola2000] Educacao Negativa Pessoas (adorei essa forma de expressão da Bel - muito melhor do que "gente" e infinitamente superior a "turma" e, certamente "galera"...): Uma das coisas que me levou a gostar de filosofia é exatamente uma das coisas que leva muita gente a não gostar de filosofia: o fato de que idéias que foram pensadas há mais de mil e quinhentos anos ainda estão sendo discutidas com toda seriedade hoje em dia! Na ciência isso não acontece. Nenhum cientista leva a sério as idéias de cientistas que viveram quase dois mil anos atrás. Na filosofia, não. Levamos as idéias de Sócrates e outros tão a sério quanto os seus contemporâneos. Por que digo isso? Porque a Lenise está fazendo reviver uma discussão lá do século IV AD, entre Pelágio e Agostinho. A Igreja Católica, no devido momento, decretou que Agostinho estava certo e que Pelágio era um hereje (acho que é com j mesmo - se não for, peço desculpas antecipadamente, pois estou sem dicionário aqui). Mas eu fico tentado a dizer: "Nem tanto, mestre, nem tanto..." Pelágio achava que o ser humano nasce basicamente bom. Pelágio estava mais interessado nas implicações teológicas desse pressuposto. Mas, para nós, são as implicações pedagógicas que são mais relevantes. Se o ser humano nasce basicamente bom, basta dar-lhe condições para que se desenvolva, que ele dará certo. Seu potencial é basicamente bom. Agostinho, por outro lado, levava a doutrina da queda do homem muito no Jardim do Éden a sério. Ele acreditava que o homem, como criado por Deus, era basicamente bom, mas que, com a queda, sua natureza, que originalmente era boa (como tudo o que Deus faz), se corrompeu irremediavelmente. Assim, ao nascer, um bebê humano, apesar da aparência tão pura, já é um ser totalmente depravado. Deixar que ele se desenvolva segundo suas inclinações naturais é, portanto, comprar problema. A sua natureza (corrompida pela queda) precisa ser substituída por uma nova natureza, que lhe é dada pela graça divina, se ele tiver fé. E por aí vai. Os defensores da educação negativa são, de certa forma, pelagianos. Os defensores de uma educação autoritária são, diria eu, agostinianos. No meio estão os que, sem a radicalidade de Pelágio e Agostinho, se inclinam mais um para um e para outro lado... Já que a Lenise levantou a questão, e tendo em vista que ela é ao mesmo tempo católica e bióloga, e, como católica, se inclina mais para a tese agostiniana, gostaria de perguntar a ela, como católica e como bióloga: Há crianças, Lenise, que já nascem basicamente ruins? Que já nascem com uma predisposição genética que as incline predominantemente para o mal? Que, se se desenvolverem natural e espontaneamente, vão provavelmente dar errado? Que precisam ter suas tendências naturais "corrigidas" pela educação? Que, nesse caso, a educação serie uma espécie de violência feita à natureza da criança? Questões complicadas... Peço desculpas aos não muito chegados a esse tipo de questão e prometo que, no que me diz respeito, a EAC não vai se enveredar por esse lado... Mas como a gente de vez em quando ouve professores de escola pública dizer que há crianças que não têm jeito mesmo, achei oportuno colocar essa "notinha histórica" que está por trás da questão da educação negativa. Por sinal, Rousseau é o principal filósofo a defender a educação negativa. Vide Emílio. Eduardo ================ -- Original Message -- Pessoal, Em primeiro lugar, queria parabenizar o Eduardo pela excelente selecao de textos e pelas questoes muito instigadoras! Certamente nao teremos tempo de discutir tudo, mas acho interessante selecionarmos alguns aspectos. Gostaria de trocar ideias a respeito de um dos itens da primeira questao: >F) O que você acha da chamada "educação negativa" (às vezes chamada de >"educação laissez faire"), que muitos atribuem a Rousseau, segundo a qual >a melhor educação é aquela que menos interfere com o desenvolvimento >natural e espontâneo da criança. Você conhece a experiência de >Summerhill? O que acha dela? Você acha que a educação em Summerhill era >desse tipo negativo? Faz sentido criar uma escola e levar as crianças lá >para que lá possam ter uma "educação negativa"? Discordo da ideia de "educacao negativa", por varios motivos. Colocarei aqui 2 deles: 1. Acho que ela presume uma noção de que o ser humano "nasce bom". Assim, o seu "desenvolvimento natural e espontâneo" levaria a atingir os objetivos da educacao. Nao penso que seja assim, e sim que todos temos tendencias positivas e negativas dentro de nos. Um aspecto importante do "aprender a ser" e' justamente buscar o desenvolvimento dos aspectos positivos e, de algum modo, um "dominio" e superacao das tendencias negativas. 2. Ela presume tambem que e' possivel uma "nao interferencia". Mas qualquer pessoa que vive em um meio social esta' sofrendo interferencias o tempo todo. Boa parte da tarefa do educador e' entender como sao essas interferencias e fazer a sua propria. Abracos, Lenise ________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________ Message: 2 Date: Sun, 3 Feb 2002 09:24:12 -0200 From: Eduardo O C Chaves Subject: Re: Educacao Negativa Caro Celso (e demais): O tema é sem dúvida fascinante. Há muita coisa que gostaria de comentar na sua mensagem, mas não vou fazê-lo agora. Gostaria de, antes, ouvir outros sobre essa questão -- e sobre as outras! Há tantas questões que às vezes ficamos indecisos sobre por onde começar. Há sol aí no domingo de vocês? Aqui o sol finalmente surge, depois de uma lua cheia haver preparado o terreno para ele durante a noite... Eduardo -- Original Message -- >Oi Eduardo, Lenise e pessoal. > >Não aguentei ficar de fora dessa conversa de vocês. A sua provocação me >pegou. Gostaria de colocar minha opinião em relação a sua questão. > >Penso que todos sejamos bons e ruins ao mesmo tempo. Gostamos de ajudar >os outros, até porque isso nos traz boas relações, amizades, simpatia. >As pessoas que ajudam os outros são mais necessárias, mais importantes >e queridas. > >De vez em quando nosso lado mesquinho toma conta de nós e começamos a >contabilizar nossas ações e os benefícios que elas trazem para nós >mesmos. Ai tudo começa a dar problema. Usando a inteligência, que todos >tem, para arquitetar estratégias individualistas, chega-se a muitos >outros "pecados". O que nos ajuda a perceber que esse caminho não da >certo é a incomodação que causamos aos outros e a reação deles. >Começamos a perder amigos. > >O grande desafio a ser superado é conseguirmos equilibrar nossa >felicidade com a de todos que nos cercam. > >Penso que uma grande dica para isso seja a reflexão em comunidade. As >conversas e as reflexões de olho no coletivo nos ajudam a achar os >melhores caminhos. > >Bom... imagino que não tenha dito nenhuma novidade. O difícil mesmo é a >prática, quando somos nós os envolvidos nela. Difícil é aceitarmos a >cada dia nossos limites e sermos generosos com os outros. > >Acho interessante imaginar que todos podemos entrar em espirais de >realimentação negativa e em espirais de realimentação positiva. Assim, >conforme a história de vida de cada um, podemos estar muito distantes >do melhor caminho, ou, estar indo bem. Aquelas pessoas que estão usando >drogas, vão mal na escola, ou já abandonaram a escola, tem uma vida >conturbada em casa e mesmo com os amigos, se sentem muito mal e se >sentem muito desencorajados a procurar caminhos de amor, são pessoas >como nós, que podem melhorar se começarem a sentir os >benefícios e a alegria que outro tipo de vida pode lhe dar. > >Dentro da mesquinharia que acaba acontecendo inevitavelmente entre nós >todos, há os que assaltam em troca de dinheiro para a droga do dia, >e há os que se esforçam para colocar no poder uma candidata que poderá >lhes render sombrios acordos. > >Em todos os níveis, desde os mais miseráveis aos mais poderosos, vejo o >bem e o mal convivendo em nós. > >Acompanhei muito de perto a vida de três adolescente infratores, por >quase dois anos. Descobri que muita coisa era bem diferente do que >imaginava. >Creio que todos mereçam ajuda. Todos nós precisamos de ajuda. >Precisamos aprender a nos ajudar. Nos momentos mais difíceis, a melhor >ajuda que podíamos dar era parar de ajudar até que o outro se >dispusesse a entrar num caminho pedagógico. > >Quase em frente a minha casa mora um menino que está, neste momento na >FEBEM, por ter assaltado ônibus. > >Eu o acompanhei de perto desde os 8 anos, e fui percebendo a >dificuldade que sua vida apresentava. Ele vinha muita vezes em minha >casa e ficava comigo, quando eu podia. Consegui ter vínculos com ele, >melhor do que tinha com a própria mãe quando foi preso (acredito), >mas não consegui mudar o rumo de sua vida. Hoje, com 13 anos, está >lá, interno. Quem sabe a internação consiga significar alguma ajuda >para ela e a família. > >Nem sei bem porque estou escrevendo isso tudo. O que vejo é que nós >vivemos em mundos muito diferentes. Muitas vezes vejo as pessoas >dizendo que fulano ou cicrano não tem jeito, mas sem ao menos entender >o que acontece com a vida daquela pessoa. Penso que todos temos jeito, >embora sejamos difíceis de lidar. > >Qual seria o filósofo e a linha de pensamento que justificaria este >pensamento? > >Brincadeira! É só um aparte na conversa de vocês, que está muito boa. >Podem continuar. > >Um abraço, > >Celso Vallin - Sao Jose dos Campos (SP) >---------------------------------------------------- > > -----Mensagem Original----- > De: Eduardo O C Chaves > Para: eac@escola2000.net > Enviada em: Sexta-feira, 1 de Fevereiro de 2002 20:00 > Assunto: RE: [escola2000] Educacao Negativa > > Pessoas (adorei essa forma de expressão da Bel - muito melhor do que > "gente" e infinitamente superior a "turma" e, certamente "galera"...): > > Uma das coisas que me levou a gostar de filosofia é exatamente uma > das coisas que leva muita gente a não gostar de filosofia: o fato de > que idéias que foram pensadas há mais de mil e quinhentos anos ainda > estão sendo discutidas com toda seriedade hoje em dia! Na ciência isso > não acontece. Nenhum cientista leva a sério as idéias de cientistas > que viveram quase dois mil anos atrás. > > Na filosofia, não. Levamos as idéias de Sócrates e outros tão a sério > quanto os seus contemporâneos. > > Por que digo isso? Porque a Lenise está fazendo reviver uma discussão > lá do século IV AD, entre Pelágio e Agostinho. A Igreja Católica, no > devido momento, decretou que Agostinho estava certo e que Pelágio era > um hereje (acho que é com j mesmo - se não for, peço desculpas > antecipadamente, pois estou sem dicionário aqui). Mas eu fico tentado > a dizer: "Nem tanto, mestre, nem tanto..." > > Pelágio achava que o ser humano nasce basicamente bom. Pelágio estava > mais interessado nas implicações teológicas desse pressuposto. Mas, > para nós, são as implicações pedagógicas que são mais relevantes. Se > o ser humano nasce basicamente bom, basta dar-lhe condições para que > que se desenvolva, ele dará certo. Seu potencial é basicamente bom. > > Agostinho, por outro lado, levava a doutrina da queda do homem muito > no Jardim do Éden a sério. Ele acreditava que o homem, como criado > por Deus, era basicamente bom, mas que, com a queda, sua natureza, > que originalmente era boa (como tudo o que Deus faz), se corrompeu > irremediavelmente. Assim, ao nascer, um bebê humano, apesar da > aparência tão pura, já é um ser totalmente depravado. Deixar que ele > se desenvolva segundo suas inclinações naturais é, portanto, comprar > problema. A sua natureza (corrompida pela queda) precisa ser > substituída por uma nova natureza, que lhe é dada pela graça > divina, se ele tiver fé. E por aí vai. > > Os defensores da educação negativa são, de certa forma, pelagianos. > Os defensores de uma educação autoritária são, diria eu, > agostinianos. No meio estão os que, sem a radicalidade de Pelágio > e Agostinho, se inclinam mais para um e para outro lado... > > Já que a Lenise levantou a questão, e tendo em vista que ela é ao > mesmo tempo católica e bióloga, e, como católica, se inclina mais > para a tese agostiniana, gostaria de perguntar a ela, como católica e > como bióloga: > > Há crianças, Lenise, que já nascem basicamente ruins? Que já nascem > com uma predisposição genética que as incline predominantemente para > o mal? Que, se se desenvolverem natural e espontaneamente, vão > provavelmente dar errado? Que precisam ter suas tendências naturais > "corrigidas" pela educação? Que, nesse caso, a educação serie uma > espécie de violência feita à natureza da criança? > > Questões complicadas... Peço desculpas aos não muito chegados a esse > tipo de questão e prometo que, no que me diz respeito, a EAC não vai > se enveredar por esse lado... Mas como a gente de vez em quando ouve > professores de escola pública dizer que há crianças que não têm > jeito mesmo, achei oportuno colocar essa "notinha histórica" que > está por trás da questão da educação negativa. Por sinal, Rousseau > é o principal filósofo a defender a educação negativa. Vide Emílio. > > Eduardo > ================ > > -- Original Message -- > > Pessoal, > > Em primeiro lugar, queria parabenizar o Eduardo pela excelente > selecao de textos e pelas questoes muito instigadoras! Certamente > nao teremos tempo de discutir tudo, mas acho interessante > selecionarmos alguns aspectos. > > Gostaria de trocar ideias a respeito de um dos itens da primeira > questao: > > >F) O que você acha da chamada "educação negativa" (às vezes chamada > >de "educação laissez faire"), que muitos atribuem a Rousseau, > >segundo a qual a melhor educação é aquela que menos interfere > >com o desenvolvimento natural e espontâneo da criança. Você conhece > >a experiência de Summerhill? O que acha dela? Você acha que a > >educação em Summerhill era desse tipo negativo? Faz sentido criar > >uma escola e levar as crianças lá para que lá possam ter uma > >"educação negativa"? > > Discordo da ideia de "educacao negativa", por varios motivos. > Colocarei aqui 2 deles: > > 1. Acho que ela presume uma noção de que o ser humano "nasce bom". > Assim, o seu "desenvolvimento natural e espontâneo" levaria a atingir > os objetivos da educacao. Nao penso que seja assim, e sim que todos > temos tendencias positivas e negativas dentro de nos. Um aspecto > importante do "aprender a ser" e' justamente buscar o desenvolvimento > dos aspectos positivos e, de algum modo, um "dominio" e superacao > das tendencias negativas. > > 2. Ela presume tambem que e' possivel uma "nao interferencia". Mas > qualquer pessoa que vive em um meio social esta' sofrendo interferencias > o tempo todo. Boa parte da tarefa do educador e' entender como sao > essas interferencias e fazer a sua propria. > > Abracos, > > Lenise ________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________ Message: 3 Date: Sun, 3 Feb 2002 11:06:26 -0200 From: Eduardo O C Chaves Subject: Educacao: projeto da sociedade ou do individuo? No seu artigo sobre Protagonismo Juvenil, incluído como parte das leituras recomendadas para esta EAC, Antonio Carlos Gomes da Costa cita "os Códigos da Modernidade de Bernardo Toro e as Mega-Habilidades formuladas pela equipe do CLIE (Centro Latino-Americano de Investigações Educacionais)" em resposta à seguinte pergunta, por ele mesmo formulada: "Qual o perfil exigido do jovem para trabalhar e viver na era pós-industrial, na sociedade do conhecimento?" No mesmo artigo ele resumo, telegraficamente, os itens do Codigo da Modernidade (não entendi bem por que ele fala em "Códigos", no plural) e as mega-habilidades. Alguém sabe onde o Bernardo Toro discute o dito código em detalhe e onde podem ser encontradas as formulações do CLIE? Gostaria de ter a referência. A propósito, a Revista Nova Escola de Janeiro/Fevereiro (preço: 2 reais), já mencionada pelo Ney, creio, em relação a uma reportagem sobre os Inconformáticos, traz uma entrevista com Bernardo Toro. Ali se faz referência ao fato de que Toro sintetizou "as sete competências básicas que devem ser desenvolvidas nos alunos" e elas são resumidas da saguinte forma (formulação um pouquinho diferente daquela apresentada pelo ACGC): * Dominar as linguagens utilizadas pelo homem * Saber resolver problemas * Analisar e interpretar fatos * Compreender o entorno social e saber atuar sobre ele * Receber criticamente os meios de comunicação * Localizar e selecionar informações * Planejar e decidir em grupo Informa-se também que recentemente (e, novamente, na própria entrevista) ele acrescentou uma oitava competência: * Criar no estudante uma mentalidade internacional Acho que tudo isso é importante, mas que o conjunto é muito limitado (vide as dez competências básicas que eu mesmo listei em "Gera a Escola Expectativas...".) Não sei se jamais consiguiremos compor um quadro relativamente completo de competências, e de subdividi-las em habilidades. Quem sabe. O que vocês acham? Mas estou escrevendo para dizer que fiquei meio desapontado com algumas colocações do Bernardo Toro na entrevista, em especial as seguintes: "A educação em si não serve para nada. Ela tem de servir a um projeto de sociedade" "A educação tem de se encaixar [num] projeto político, sem ser partidária" "A escola tem de refletir o projeto político da nação, porque a educação não é para um colégio nem para uma comunidade. É para um país". Tenho um medo danado de formulações coletivistas como essas. Quando se diz que a educação, em vez de servir aos diferentes PROJETOS DE VIDA DOS INDIVÍDUOS (como eu defendo, como o ACGC defende [creio]), deve servir a um "PROJETO DE SOCIEDADE", a um "PROJETO POLÍTICO", a um "PROJETO POLÍTICO DE NAÇÃO", sinto um cheiro de autoritarismo no ar. Sociedades e nações não têm projetos, políticos ou quaisquer outros. Indivíduos têm. E indivíduos são diferentes uns dos outros, quanto aos seus interesses, e, portanto, quanto aos seus projetos de vida. Quando se fala em projeto político de sociedade e projeto político de nação, esse projeto, necessariamente coletivo, vai, inevitavelmente, passar por cima dos projetos de um bom número de indivíduos. Nada impede, em uma sociedade livre, que indivíduos se reúnam para propor e defender um projeto comum. Mas este será sempre um projeto de um grupo, que não consegue impô-lo aos outros pela força. Quando se fala, porém, em projeto de sociedade, em projeto de nação, tem-se em mente, em geral, que esse projeto venha a ser adotado no plano do estado, no plano do governo, que, este sim, tem o monopólio do uso da força que lhe permite impor seu projeto mesmo àqueles cujos projetos de vida, no plano individual, sejam incompatíveis com o projeto de sociedade, ou projeto de nação, agora oficialmente adotado. No meu artigo sobre os princípios, procuro articular um pouco essas visões alternativas: educação a serviço da sociedade e educação a serviço do indivíduo. Eu sou incuravelmente individualista e anti-coletivista. Acho que a educação deve estar a serviço do desenvolvimento do indivíduo e que a sociedade, que nada mais é do que uma coleção de indivíduos, vai automaticamente se beneficar se esses indivíduos que a compõem se desenvolverem. Por isso digo que a educação deve ser de dentro para fora, não de fora para dentro, de baixo para cima, não de cima para baixo. Que vienga el Toro... Eduardo eduardo@chaves.com.br ________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________ Message: 4 Date: Sun, 3 Feb 2002 11:51:35 -0200 From: Eduardo O C Chaves Subject: Sobre idearios e praticarios No chat, nós combinamos continuar a discussão, na lista, de algumas das questões levantadas. Deixei o sabado inteiro para que isso acontecesse. Como nao aconteceu, estou comecando a provocar... Lá no chat o Ney disse que a leitura do Ideário do Programa o comoveu - e perguntou o que a gente precisava / devia fazer para conseguir que ele, o ideário, comovesse o pessoal das escolas. Na minha resposta, eu disse que minha maior preocupação não era tanto com a emoção das pessoas (a Lu concordou comigo...). Em Faxinal, e, depois, em vários encontros regionais, e mesmo através de encontros pessoais (presenciais) e nas nossas listas, tenho visto muitas pessoas se emocionarem com idéias -- em especial, com as idéias que dão sustentação ao programa. Basta apresentá-las bem que as pessoas se emocionam. A capacidade de se emocionar com idéias é uma característica única do ser humano -- porque, afinal de contas, o ser humano é o único animal a lidar com idéias, e, portanto, com capacidade de se emocionar -- ou de se irritar! -- com elas. (Essa capacidade, embora potencialmente muito positiva, está também por detrás de fanatismos de diferentes espécies, inclusive religiosos. Mas não é nessa direção que desejo continuar). Minha maior preocupação no momento está em como transformar o ideário em "praticário". Pressupondo que a maior parte das pessoas com que vamos lidar, nas escolas, está de acordo quanto ao ideário, e mesmo se emocione com ele, como transformá-lo em prática pedagógica concreta? [Certamente não terá passado despercebido o fato de que o "praticário" nada mais é do que a nossa tão buscada "tecnologia social"]. Se não soubermos fazer isso, seremos meros "utopistas" (outro nome para "idearistas"), como bem ressaltou o diretor da Escola da Ponte. E de idearistas o mundo está cheio (o que, nem de longe, é mau). Precisamos, porém, saber transformar a nossa utopia (o nosso ideário) em prática pedagógica concreta (em praticário). O Rubem Alves, que também se emociona com essas idéias, acha que só criando uma escola nova, a partir do zero. Tentar transformar a velha, na opinião dele, não vai dar certo. Será? Se ele está certo, estamos perdendo tempo. Valeria mais a pena o IAS construir uma "escola modelo" e chamar o pessoal pra ver. O grande desafio é mudar os milhares de escolas que estão esparraramadas por aí. Dá para fazer? Como? Sugestões? Eduardo eduardo@chaves.com.br ________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________ Message: 5 Date: Sun, 3 Feb 2002 14:11:52 -0200 From: "Luciana Salgado" Subject: Re: Sobre idearios e praticarios Oi Eduardo, olá pessoal! Há muito tempo venho refletindo sobre essa questão que você nos trás, mas até agora eu não havia conseguido colocá-la no papel, o que você fez de forma muito clara e que, sem dúvida, deve ser o ponto de partida para nossas discussões: "Como transformar o ideário em praticário?" Difícil, não? Mas, não impossível.... A fórmula mágica eu não tenho, mas arrisco algumas hipóteses... O que senti, durante estes dois anos de acompanhamento presencial e virtual é que as pessoas (aí incluso alunos, professores, direção, coordenação, etc...) acreditam no ideário, mas enfrentam muitas dificuldades para torná-lo uma prática. Dentre as dificuldades, destaco duas que, a meu ver, são os maiores entraves: relações humanas e aspectos organizacionais iniciais, relacionados a três perguntas: "Começar por onde?", "Quem envolver?", "Como cativá-los?". - Relações Humanas Não existe projeto de vida, escolar, familiar que vá para frente se as relações humanas não tiverem muito bem resolvidas. Acho que cabe aqui comentar sobre o que o Eduardo falou em relação a entrevista de Toro na Nova Escola. Concordo com você, Eduardo, quando coloca que Toro simplificou muito ao apresentar somente as 8 competências. A meu ver ele esqueceu a mais importante: desenvolver sua espiritualidade e reconhecer sua identidade. O desenvolvimento dessa competência deve acontecer em todas as atividades vivenciadas pela comunidade escolar diariamente. Falo em comunidade escolar e não em aluno, pois se conseguirmos fazê-los refletir sobre essas questões, não precisamos, como propõe Rubem Alves criar uma nova escola. O que temos é que trabalhar nos recursos humanos, na auto-estima destas pessoas, no reconhecimento da sua identidade e na sua identificação como pertencendo aquele grupo e, que com suas competências e habilidades, pode de alguma forma contribuir com ele. Será que fui clara? A minha hipótese é que devemos começar com textos e atividades que leve a reflexão sobre papéis na comunidade e respeito mútuo. Seria o desenvolvimento da nona inteligência apresentada por Gadner: a inteligência espiritual. Ele afirma explicitamente que não está propondo uma inteligência espiritual, religiosa ou moral baseada em quaisquer "verdades" específicas propostas por diferentes indivíduos, grupos ou instituições. Em vez disso, ele está sugerindo que qualquer representação do espectro de inteligências humanas deveria incluir a busca tão antiga da humanidade das respostas às perguntas básicas da vida: "Quem somos nós?", "Qual é o sentido disso tudo?", "Por que existe o mal?", "Para onde está indo a humanidade?", "Existe significado na Vida?", e assim por diante. - Aspectos Organizacionais Iniciais O outro ponto é relacionado à questões organizacionais. Além das relações humanas, a comunidade escolar tem muita dificuldade em colocar as idéias em prática, sistematizar. Muitas vezes eles têm boa vontade, mas não sabem como se organizar. Pensar em um encontro para reflexão, como fazer as pessoas comprarem a idéia, qual o objetivo das reuniões, etc para eles é muito difícil. Precisamos investir com um apoio para que eles dêem o pontapé inicial. Imagino que textos de apoio e reflexões em grupo de como organizar um encontro, saber definir o objetivo do momento, como elaborar dinâmicas de sensibilização pode ajudá-los a estruturar o trabalho. Bom, acho que é isso... O que vocês acham? Beijos Lu ----- Original Message ----- From: Eduardo O C Chaves To: eac@escola2000.net Sent: Sunday, February 03, 2002 11:51 AM Subject: [escola2000] Sobre idearios e praticarios No chat, nós combinamos continuar a discussão, na lista, de algumas das questões levantadas. Deixei o sabado inteiro para que isso acontecesse. Como nao aconteceu, estou comecando a provocar... Lá no chat o Ney disse que a leitura do Ideário do Programa o comoveu - e perguntou o que a gente precisava / devia fazer para conseguir que ele, o ideário, comovesse o pessoal das escolas. Na minha resposta, eu disse que minha maior preocupação não era tanto com a emoção das pessoas (a Lu concordou comigo...). Em Faxinal, e, depois, em vários encontros regionais, e mesmo através de encontros pessoais (presenciais) e nas nossas listas, tenho visto muitas pessoas se emocionarem com idéias -- em especial, com as idéias que dão sustentação ao programa. Basta apresentá-las bem que as pessoas se emocionam. A capacidade de se emocionar com idéias é uma característica única do ser humano -- porque, afinal de contas, o ser humano é o único animal a lidar com idéias, e, portanto, com capacidade de se emocionar -- ou de se irritar! -- com elas. (Essa capacidade, embora potencialmente muito positiva, está também por detrás de fanatismos de diferentes espécies, inclusive religiosos. Mas não é nessa direção que desejo continuar). Minha maior preocupação no momento está em como transformar o ideário em "praticário". Pressupondo que a maior parte das pessoas com que vamos lidar, nas escolas, está de acordo quanto ao ideário, e mesmo se emocione com ele, como transformá-lo em prática pedagógica concreta? [Certamente não terá passado despercebido o fato de que o "praticário" nada mais é do que a nossa tão buscada "tecnologia social"]. Se não soubermos fazer isso, seremos meros "utopistas" (outro nome para "idearistas"), como bem ressaltou o diretor da Escola da Ponte. E de idearistas o mundo está cheio (o que, nem de longe, é mau). Precisamos, porém, saber transformar a nossa utopia (o nosso ideário) em prática pedagógica concreta (em praticário). O Rubem Alves, que também se emociona com essas idéias, acha que só criando uma escola nova, a partir do zero. Tentar transformar a velha, na opinião dele, não vai dar certo. Será? Se ele está certo, estamos perdendo tempo. Valeria mais a pena o IAS construir uma "escola modelo" e chamar o pessoal pra ver. O grande desafio é mudar os milhares de escolas que estão esparraramadas por aí. Dá para fazer? Como? Sugestões? Eduardo eduardo@chaves.com.br ________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________ Message: 6 Date: Sun, 3 Feb 2002 16:33:54 -0200 From: "Adriana Portella" Subject: Sobre idearios e praticarios Oi, pessoas! (By Sofia, Bel e Eduardo Chaves... Esta é a nossa saudação para 2002!) Essa dobradinha ideários e praticários ficou até bem engraçada! Não temos a menor inibição em identificar a dificuldade que muitas escolas encontram no momento de colocar em prática aquilo que foi sonhado, depois embasado teoricamente, enriquecido aqui ou ali... No meio desse caminho há um vão cuja ponte ainda não descobrimos como ajudar a construir! Entendo isso como uma das nossas missões mais importantes... Porém, antes disso, teríamos condições de voltar o olhar que temos para as escolas para o nosso próprio grupo e tentar desvendar se também na nossa prática existe algo semelhante? Estaremos nós com todas as certezas que nos permitem transformar em prática - o papel do Orientador - aquilo que temos discutido e estudado tanto em relação ao "Sua Escola"? Onde estão as pontes? Há pontes ainda não feitas? Há pontes um tanto frágeis capazes de nos manter inseguros quanto à travessia? Há pontes de pilares mais seguros, pontes perfeitas? É bom lembrar que essas pontes que nos levam do mundo dos "ideários" ao mundo dos "praticários" não é uma ponte feita para uma única travessia... Ela é uma ponte que precisa ser suficientemente forte para nossas eternas idas e vindas! Ah! Não podemos esquecer! Há muita gente atravessando a ponte conosco! Já imaginaram o quanto ela tem que se garantir? Mas aí - alguns dirão - há pessoas que vêm há anos de um lado ou outro desse vão onde deveria estar a ponte! Adianta ficar uma de cada lado? Não! Adianta estender o braço e fazer o convite para que a gente construa todas elas em conjunto! E nós só conseguiremos fazer isso se colocarmos nossas idéias, nossas angústias, nossos medos, nossas poucas certezas, nossa pilha de dúvidas! E, se ainda assim, as primeiras pontes não forem as melhores, teremos descoberto muito enquanto as construíamos! Cheguei até aqui e fiquei pensando no que vocês estariam achando deste mail... Ontem à noite eu tinha começado a escrever um - com o mesmo objetivo - mas que tinha a história da "Galinha Ruiva" (vocês conhecem?) como tema pra falar de ideários e praticários... Desisti... Mas se vocês quiserem a gente continua! Troco de ponte pra galinha! Ou a gente inventa outra coisa! No fundo é só pra dizer que todos nós somos muito importantes aqui! E que cada um, por ser indivíduo, por ser único, vai sempre fazer toda a diferença! Beijo! Dri (contadora de histórias que, se vocês quiserem, conta a da Galinha Ruiva!!!) ________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________ Message: 7 Date: Sun, 3 Feb 2002 21:18:57 -0200 From: "Eduardo O C Chaves" Subject: Livraria Cultura Personal - 2/2/2002 Eis o e-mail que recebi ontem. Tem dois livros que são relevantes ao que vimos discutindo. Eduardo eduardo@chaves.com.br -----Original Message----- From: Livraria Cultura [mailto:vitrine@livrariacultura.com.br] Sent: Saturday, February 02, 2002 6:30 AM To: Eduardo O C Chaves Subject: Cultura Personal - 2/2/2002 Prezado(a) Cliente Eduardo O C Chaves, Acabaram de ser lançados alguns livros em sua area de interesse que você não pode deixar de ler. Na seção vitrine, no site da Livraria Cultura você ficará conhecendo em detalhes algumas novidades e livros do momento. Seleçao Por Competencias Rabaglio, Maria Odete Este livro é um guia prático que tem como objetivo atender aos Selecionadores de Talentos Humanos com as técnicas e ferramentas mais atualizadas do mercado, e que podem ser utilizadas para qualquer cargo, do operacional ao executivo. A metodologia da obra apresenta uma base sólida e bem planejada, para identificar o Perfil de Competências de pessoas da Organização. O Monstro da Mudança Nas Empresas, As Forças Ocultas Que Interferem Nas Transformaçoes Duck, Jeanie Daniel 'O Monstro da Mudança nas Empresas' apresenta uma análise original e poderosa sobre a mudança corporativa e por que ela dá certo ou falha. Mesmo as organizações que sabem que precisam mudar muitas vezes não conseguem o empenho necessário para fazê-lo. A obra pretende por meio de histórias e anedotas, lembrar dos elementos essenciais que fornecem a base para a liderança. O livro também tem uma ferramenta importante, a Curva da Mudança, desenvolvida a partir dos anos de experiência de Jeanie Duck com esforços de mudança corporativa em muitas empresas. Com este livro, os gerentes agora têm uma ferramenta criativa e poderosa para compreender e lidar com a questão central que mina tantos esforços de mudança; as interações humanas e a dinâmica emocional d as pessoas. ________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________