------------------------------------------------------------------------ There are 16 messages in this issue. Topics in this digest: 1. Re: atrasado (ideario e praticario) From: "Lenise Aparecida Martins Garcia" 2. Re: Sobre idearios e praticarios From: "Lenise Aparecida Martins Garcia" 3. Re: educacao, filosofia politica, visao do mundo e do homem From: "Celso Vallin" 4. Re: Sobre idearios e praticarios From: "Celso Vallin" 5. Re: Sobre idearios e praticarios From: "Celso Vallin" 6. Re: O fantasma do tempo From: "Luciana Salgado" 7. Re: Empecilhos 'a Aprendizagem From: "Lenise Aparecida Martins Garcia" 8. Re: O fantasma do tempo From: Eduardo O C Chaves 9. Re: Empecilhos 'a Aprendizagem From: Eduardo O C Chaves 10. Re: Empecilhos 'a Aprendizagem From: "Lenise Aparecida Martins Garcia" 11. RES: Empecilhos 'a Aprendizagem From: "Ney Mourao" 12. RES: Sobre idearios e praticarios From: "Ney Mourao" 13. RES: Uma das propostas do momento presencial From: "Ney Mourao" 14. Re: Empecilhos 'a Aprendizagem From: "Luciana Salgado" 15. Re: Educacao Negativa From: "Celso Vallin" 16. Re: Sobre idearios e praticarios From: "Celso Vallin" ________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________ Message: 1 Date: Thu, 7 Feb 2002 12:44:37 -0200 From: "Lenise Aparecida Martins Garcia" Subject: Re: atrasado (ideario e praticario) Oi, Castor Seja bem-vindo! :-) Achei muito rica a sua contribuicao pratica refletida para essa discussao. Alguns comentarios: > No entanto, acho que e um momento riquissimo que não pode ser > desperdicado. E´ um dos poucos momento em que e possivel o encontro de > docentes e não docentes - secretaria, bibliotecaria, pessoal da > limpeza, porteiro, etc. Achei bem interessante essa participacao dos funcionarios da escola. Acho que eles tem sido uma ausencia importante em quase toda a nossa discussao e pratica. Eu tive uma pequena - e boa - experiencia com participacao dos funcionarios em Planaltina, no ano passado. Uma pergunta: alunos nao participam nessa fase? Por que? > A partir dessa situacao, planejamos as atividades da semana de > planejamento. Tinhamos algo a favor: um problema coletivo e a > necessidade encontrar urgentemente caminhos para a sua solucao. Na > realidade, vivenciamos uma semana de planejamento onde o assunto > principal foi relacoes humanas. Conteudos e programas ficaram para > segundo plano. Cada vez mais eu vejo o "aprender a conviver" como um pilar sem o qual nao se sustenta nenhum dos outros... Que pode trazer muitos "pontos de partida" para eles, ou seja, convivendo se aprende a aprender [mais do que tratando de aprender sozinho, sem tirar a individualidade necessaria ao processo], se aprende a fazer e se aprende a ser... > Pala segunda vez, todos os funcionarios administrativos participaram > da semana de planejamento. Foi genial, pois percebemos que, depois de > muito trabalho, eles se consideram educadores da escola (mais do que > alguns professores). Pessoas, voces não imaginam o quanto um faxineiro > pode contribuir para a educacao dos alunos e dos... professores. Pois > e´! Em educacao ambiental, o faxineiro pode fazer um trabalho espetacular, colaborando com a visao do ambiente interno da escola. Quando os alunos [e professores] veem o faxineiro como pessoa comecam a olhar de outro modo a sua relacao com o lixo, com o banheiro... Nao sou "eu e o papel", mas "eu, o papel e o faxineiro"; "eu, o papel e todos os outros na escola"... > b) quem somos, pois somos os agentes do processo. Esta a atividade foi > a mais rica. Pela primeira as relacoes entre professores e > funcionariso foram passadas a limpo. Magoas, (des)respeito ao trabalho > alheio, autoritarismo, desorganizacao, etc. foram tratados cruamente > e sem anestesia. Foi excelente. De tempos em tempos limpar a área é > fundamental; Penso que uma grande arte, pouco vivida, e' justamente fazer esses "tratamentos cirurgicos" em lugar de ficar colocando band-aid em cima das feridas. Mas nao e' nada simples, principalmente porque ha' grande medo de que gere mais ressentimentos em lugar de resolve-los [o que realmente acontece com certa frequencia]. Sera' que poderiamos explorar um pouco mais essa questao? Como conseguir fazer adequadamente essas "limpezas de area"? Abracos, Lenise ________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________ Message: 2 Date: Thu, 7 Feb 2002 13:00:31 -0200 From: "Lenise Aparecida Martins Garcia" Subject: Re: Sobre idearios e praticarios Ney, Celso, pessoal Penso que um dos nossos maiores desafios e' justamente conseguir "abrir um buraco" na rotina das escolas para tratar do que importa. Meta final e' mudar toda essa rotina, mas acho que o primeiro passo e' isso! Muito concreto, para este ano, que eles encontrem tempo para coisas tao pouco relevantes como abrir o e-mail... ;-) Continuo achando que o melhor caminho para isso e' ATRAIR, fazer com que eles tenham vontade de interagir. Como faze-los VIVENCIAR o fruto da interacao? Acho que a coisa vai muito por ai'. Por isso falamos no chat da questao da motivacao. Vejam o nosso caso atual. Temos varias discussoes rolando, a gente responde a algumas mensagens, a outras nao. De repente "escapa" uma cronica linda como a que o Ney nos presenteou ontem. Por que? Lembra-se, Ney, que eu comentei no chat que o que motivaria as escolas seria o mesmo que nos motiva? Sera' que e' cedo para essa discussao? ;-) Abracos, Lenise > Comentando Celso... > Ele diz: > Um dos maiores problemas nas escolas é o acumulo de > problemas e de tarefas. O cotidiano passa na frente do racional e do > reflexivo. > > > Concordo, Celso. Tenho visto que um dos maiores desafios é, justamente > esse. E aí, acrescento uma pergunta: É possível, antão, estabelecer > iniciativas, junto aos professores (e, também nos alunos), para > refletir sobre o cotidiano, racionalizar o dia-a-dia? Ou é justamente > o oposto que deve ser o > caminho: "cotidianizar" (isso existe? O corretor ortográfico gritou!) > as reflexões? Como fazer para que essa ponte seja natural, para que > não haja o "momento reflexão" e o "momento prática"? > > Viajei? > > Um abraço, > > Ney > > Como trazer bastante gente de uma escola para perto de nós, para que > possamos ajuda-los? > > > Um abraço, > > Celso Vallin - Sao Jose dos Campos (SP) > > -----Mensagem Original----- > De: Luciana Salgado > Para: escola2000@courses.yahoo.com > Enviada em: Domingo, 3 de Fevereiro de 2002 14:11 > Assunto: Re: [escola2000] Sobre idearios e praticarios > > > Oi Eduardo, olá pessoal! > > Há muito tempo venho refletindo sobre essa questão que você nos > trás, mas até agora eu não havia conseguido colocá-la no papel, > o que você fez de forma muito clara e que, sem dúvida, deve ser > o ponto de partida para nossas discussões: "Como transformar o > ideário em praticário?" > > Difícil, não? Mas, não impossível.... > > A fórmula mágica eu não tenho, mas arrisco algumas hipóteses... > O que senti, durante estes dois anos de acompanhamento presencial e > virtual é que as pessoas (aí incluso alunos, professores, direção, > coordenação, etc...) acreditam no ideário, mas enfrentam muitas > dificuldades para torná-lo uma prática. Dentre as dificuldades, > destaco duas que, a meu ver, são os maiores entraves: relações > humanas e aspectos organizacionais iniciais, relacionados a > três perguntas: "Começar por onde?", "Quem envolver?", "Como > cativá-los?". > > - Relações Humanas > > Não existe projeto de vida, escolar, familiar que vá para frente se as > relações humanas não tiverem muito bem resolvidas. Acho que cabe aqui > comentar sobre o que o Eduardo falou em relação a entrevista de Toro > na Nova Escola. Concordo com você, Eduardo, quando coloca que Toro > simplificou muito ao apresentar somente as 8 competências. A meu ver > ele esqueceu a mais importante: desenvolver sua espiritualidade e > reconhecer sua identidade. > > O desenvolvimento dessa competência deve acontecer em todas as > atividades vivenciadas pela comunidade escolar diariamente. Falo > em comunidade escolar e não em aluno, pois se conseguirmos > fazê-los refletir sobre essas questões, não precisamos, como propõe > Rubem Alves criar uma nova escola. O que temos é que trabalhar nos > recursos humanos, na auto-estima destas pessoas, no reconhecimento > da sua identidade e na sua identificação como pertencendo aquele > grupo e, que com suas competências e habilidades, pode de alguma > forma contribuir com ele. Será que fui clara? A minha hipótese é que > devemos começar com textos e atividades que leve a reflexão sobre > papéis na comunidade e respeito mútuo. > > Seria o desenvolvimento da nona inteligência apresentada por Gadner: a > inteligência espiritual. > > Ele afirma explicitamente que não está propondo uma inteligência > espiritual, religiosa ou moral baseada em quaisquer "verdades" > específicas propostas por diferentes indivíduos, grupos ou > instituições. Em vez disso, ele está sugerindo que qualquer > representação do espectro de inteligências humanas deveria > incluir a busca tão antiga da humanidade das respostas às perguntas > básicas da vida: "Quem somos nós?", "Qual é o sentido disso tudo?", > "Por que existe o mal?", "Para onde está indo a humanidade?", "Existe > significado na Vida?", e assim por diante. > > - Aspectos Organizacionais Iniciais > > O outro ponto é relacionado à questões organizacionais. Além das > relações humanas, a comunidade escolar tem muita dificuldade em > colocar as idéias em prática, sistematizar. Muitas vezes eles têm > boa vontade, mas não sabem como se organizar. Pensar em um > encontro para reflexão, como fazer as pessoas comprarem a idéia, > qual o objetivo das reuniões, etc para eles é muito difícil. > Precisamos investir com um apoio para que eles dêem o pontapé > inicial. Imagino que textos de apoio e reflexões em grupo de como > organizar um encontro, saber definir o objetivo do momento, como > elaborar dinâmicas de sensibilização pode ajudá-los a estruturar > o trabalho. > > Bom, acho que é isso... > O que vocês acham? > Beijos > Lu > ----- Original Message ----- > From: Eduardo O C Chaves > To: eac@escola2000.net > Sent: Sunday, February 03, 2002 11:51 AM > Subject: [escola2000] Sobre idearios e praticarios > > > No chat, nós combinamos continuar a discussão, na lista, de algumas das > questões levantadas. Deixei o sabado inteiro para que isso acontecesse. > Como nao aconteceu, estou comecando a provocar... > > Lá no chat o Ney disse que a leitura do Ideário do Programa o comoveu - > e perguntou o que a gente precisava / devia fazer para conseguir que > ele, o ideário, comovesse o pessoal das escolas. > > Na minha resposta, eu disse que minha maior preocupação não era tanto > com a emoção das pessoas (a Lu concordou comigo...). Em Faxinal, e, > depois, em vários encontros regionais, e mesmo através de encontros > pessoais (presenciais) e nas nossas listas, tenho visto muitas > pessoas se emocionarem com idéias -- em especial, com as idéias que > dão sustentação ao programa. Basta apresentá-las bem que as pessoas > se emocionam. > > A capacidade de se emocionar com idéias é uma característica única > do ser humano -- porque, afinal de contas, o ser humano é o único > animal a lidar com idéias, e, portanto, com capacidade de se > emocionar -- ou de se irritar! -- com elas. (Essa capacidade, > embora potencialmente muito positiva, está também por detrás de > fanatismos de diferentes espécies, inclusive religiosos. > Mas não é nessa direção que desejo continuar). > > Minha maior preocupação no momento está em como transformar o ideário em > "praticário". Pressupondo que a maior parte das pessoas com que vamos > lidar, nas escolas, está de acordo quanto ao ideário, e mesmo se > emocione com ele, como transformá-lo em prática pedagógica concreta? > [Certamente não terá passado despercebido o fato de que o > "praticário" nada mais é do que a nossa tão buscada "tecnologia social"]. > > Se não soubermos fazer isso, seremos meros "utopistas" (outro nome para > "idearistas"), como bem ressaltou o diretor da Escola da Ponte. E de > idearistas o mundo está cheio (o que, nem de longe, é mau). Precisamos, > porém, saber transformar a nossa utopia (o nosso ideário) em prática > pedagógica concreta (em praticário). > > O Rubem Alves, que também se emociona com essas idéias, acha que só > criando uma escola nova, a partir do zero. Tentar transformar a velha, > na opinião dele, não vai dar certo. > > Será? Se ele está certo, estamos perdendo tempo. Valeria mais a pena > o IAS construir uma "escola modelo" e chamar o pessoal pra ver. O > grande desafio é mudar os milhares de escolas que estão esparraramadas > por aí. Dá para fazer? Como? > > Sugestões? > > Eduardo > eduardo@chaves.com.br ________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________ Message: 3 Date: Thu, 7 Feb 2002 08:17:45 -0200 From: "Celso Vallin" Subject: Re: educacao, filosofia politica, visao do mundo e do homem Oi Lenise. Gostei de você nos lembrar isso. Valeu. Um abraço, Celso Vallin - Sao Jose dos Campos (SP) -----Mensagem Original----- De: Lenise Aparecida Martins Garcia Para: escola2000@courses.yahoo.com Enviada em: Quarta-feira, 6 de Fevereiro de 2002 12:07 Assunto: [escola2000] educacao, filosofia politica, visao do mundo e do homem Eduardo, todos Tambem acho que nao devemos enveredar aqui por uma discussao de filosofia politica. Mas acho bom que a tematica tenha vindo aa baila. Comentei que a visao de educacao que esta' nos Principios do Programa e' suficientemente generica para ser consensual. Comentei tambem que considerei esse documento muito equilibrado, parabenizando a equipe que o redigiu. A Bel, concordando com essa visao de educacao, disse que temos uma mesma visao do mundo e do homem. Penso que nao temos. E penso que isso e' muito bom... As pessoas, nas escolas, tambem nao tem. Muitos professores nao conseguem trabalhar juntos porque nao concordam em termos de filosofia politica e/ou politica partidaria. A questao nao é conseguir uma homogeneidade, mas trabalhar com o pluralismo e inclusive o pluralismo. Nesse sentido, vem muito a proposito a ideia de "principio", pois e' possivel, dentro de principios comuns, haver diversidade, uma diversidade importante para o "equilibrio ambiental". "Cada ponto de vista e' a vista de um ponto". Termos perspectivas diversificadas, a meu ver, melhora a visao tridimensional que temos do objeto e aproxima mais da realidade a visao de cada um. Alias, penso que essa é uma das maiores vantagens da aprendizagem colaborativa, que envolve nao apenas uma metodologia como, a meu ver, uma filosofia da educacao. Abracos, Lenise ________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________ Message: 4 Date: Thu, 7 Feb 2002 08:32:30 -0200 From: "Celso Vallin" Subject: Re: Sobre idearios e praticarios Oi Ney. Muito legal. Eu colocaria antes, para nosso trabalho, esse mesmo olhar sobre os professores e equipe diretora de cada escola. Será que eles estão conseguindo ser? Quando a escola não tem tempo para ir atrás de suas metas e projeto político-pedagógico, ou quando não está claro para todos qual seria o projeto, talvez precisássemos começar por ai, ajudando-os a ser. Voltando à tensão teoria/prática, neste momento de reflexão conjuta, precisamos colocar nosso olhar nas 56 escolas e no trabalho que realizamos com elas até aqui, e nas observações que fizemos (observando diretores, professores, coordenadores, alunos...). Gosto (vi no livro da Bete Prado) da analogia, de precisarmos o tempo todo estar fazendo o ZOOM, para dentro e para fora, para perceber o detalhe e o todo. Em nosso caso, olhar de longe é a teoria, e olhar de perto é o caso particular. Para generalizarmos, ou para entendermos e nos apropriarmos das generalizações que outros fizeram (os textos), precisamos olhar de longe, olhar o todo, mas conhecer de perto, e saber LIGAR as duas coisas. Vou copiar e mandar para os amigos, pode? Um abraço, Celso Vallin - Sao Jose dos Campos (SP) -----Mensagem Original----- De: Ney Mourao Para: escola2000@courses.yahoo.com Enviada em: Quarta-feira, 6 de Fevereiro de 2002 15:25 Assunto: RES: [escola2000] Sobre idearios e praticarios Olá, Gostaria de acrescentar às questões aqui explanadas pela Luciana algumas outras. Creio que vou botar mais lenha na fogueira. Concordo plenamente com a Lu, quando ela fala da necessidade de que o "praticário" leve em consideração aspectos ligados à identidade e ao que ela chama de espiritualidade. Tenho trabalhado por aqui, em algumas experiências práticas coordenadas pelo Professor Antônio Carlos Gomes da Costa, onde ele aprofunda diversas questões ligadas às competências e, principalmente, às competências pessoais, relacionadas ao aprender a ser. Como um linha de raciocínio não-reducionista, mas apenas como norteadora da compreensão, o Professor, de forma brilhante, estabeleceu um fio condutor, onde sugere alguns passos práticos, uma "agenda" que poderia nos ajudar a lidar com o educando: necessidades e trilhas para contribuir com um "ser" em plenitude. De fato, Lu, no primeiro "degrau", ou no "marco zero" de qualquer conversa, o Professor Antônio Carlos sugere que seja trabalhada a autoconsciência, como base para a compreensão e a aceitação de si mesmo. Outros "AUTOS" viriam, na seqüência de qualquer trabalho educativo: AUTOVALORIZAÇÃO: Atribuir-se uma significação positiva; AUTO-ESTIMA: Gostar de si mesmo, apreciar-se; AUTOPERCEPÇÃO: Identificar seus pontos fortes e fracos; AUTOCONCEITO: Formar uma idéia precisa de si mesmo; AUTOCONFIANÇA: Apoiar-se primeiro em suas próprias forças; AUTOPROJEÇÃO: Tornar-se autoproposto, ter um projeto de vida; AUTOTELIA: Estabelecer seus próprios fins, encontrar seu sentido na vida; AUTONOMIA: Reger-se por critérios próprios; AUTODETERMINAÇÃO: Posicionar-se a partir de seus próprios pontos de vista e interesses; AUTOPRESERVAÇÃO: Saber lidar com a adversidade de forma resiliente; AUTO-REALIZAÇÃO: Consciência de estar no caminho certo e de não estar parado. Notem que, apesar de não haver uma "ordem" no alcance destas coisas, os três primeiros itens, incluindo a autoconsciência, autovalorização e auto-estima, constituem-se em uma base, um começo de conversa imprescindível. Vimos, na prática, em trabalhos com jovens em conflito com a lei, que a pergunta que mais os magoa e irrita é sempre: "O que você vai ser quando crescer?" Não é raro que eles respondam, apenas para agredir: "Bandido!" Ora, a pergunta que fala sobre "ser quando crescer, normalmente está associada a um PROJETO DE VIDA. Isso, na cabeça desses meninos, está lá na frente, muito longe do básico que ainda não foi construído: entender-se, aceitar-se, gostar-se, ser confiante. A partir disso, sim, pode-se falar em projeto. Creio que muitas vezes, na nossa educação, falta levar o aluno PRIMEIRO a gostar-se, aceitar-se, para DEPOIS se falar em qualquer projeto de vida. É claro que estou sôfrego de vontade de ouvir os demais... ;-) Um abraço, Ney Mourão ________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________ Message: 5 Date: Thu, 7 Feb 2002 11:11:51 -0200 From: "Celso Vallin" Subject: Re: Sobre idearios e praticarios Oi Ney. Talvez a saída seja aquilo que você nos trouxe, das auto-... Ajudando as pessoas a saberem melhor o que desejam e a se sentirem donas de sua determinação conseguiremos mudar as prioridades do cotidiano. Um abraço, Celso Vallin - Sao Jose dos Campos (SP) -----Mensagem Original----- De: Ney Mourao Para: escola2000@courses.yahoo.com Enviada em: Quarta-feira, 6 de Fevereiro de 2002 15:27 Assunto: RES: [escola2000] Sobre idearios e praticarios Comentando Celso... Ele diz: > Um dos maiores problemas nas escolas é o acumulo de problemas e de tarefas. O cotidiano passa na frente do racional e do reflexivo. > Concordo, Celso. Tenho visto que um dos maiores desafios é, justamente esse. E aí, acrescento uma pergunta: É possível, antão, estabelecer iniciativas, junto aos professores (e, também nos alunos), para refletir sobre o cotidiano, racionalizar o dia-a-dia? Ou é justamente o oposto que deve ser o caminho: "cotidianizar" (isso existe? O corretor ortográfico gritou!) as reflexões? Como fazer para que essa ponte seja natural, para que não haja o "momento reflexão" e o "momento prática"? Viajei? Um abraço, Ney ________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________ Message: 6 Date: Thu, 7 Feb 2002 17:53:56 -0200 From: "Luciana Salgado" Subject: Re: O fantasma do tempo Oi Eduardo, Eu já havia lido este seu texto em outras ocasiões. Inclusive o citei em um curso a distância que fiz onde as pessoas tinham dificuldade para acompanhar as atividades. Relendo o texto, me surgiu uma inquietação. Posso perguntar já perguntando? :<) Você fala que... "Todos os dias cada um de nós recebe exatamente 24 horas a menos que seja o último dia de nossas vidas): nem mais, nem menos. Rico não recebe mais do que pobre, professor universitário não recebe mais do que analfabeto, executivo não recebe mais do que operário" Concordo. Mas, o rico tem mais poder de escolha para decidir entre as tarefas urgentes e importantes ou não? Outra coisa, nas escolas, será que a argumentação que eles usam para não participar da lista justificada como sendo devido a falta de tempo é porque não consideram a atividade importante ou têm dificuldade para distribuir as tarefas? Pergunto isso, porque muitas pessoas me perguntam como consigo fazer tantas coisas ao mesmo tempo. Eu já fiquei analisando várias vezes minhas atitudes e percebi que: defino prioridades, nunca deixo para fazer depois o que posso fazer agora e penso sempre em aproveitar o tempo ocioso de uma tarefa para desenvolver outra, como por exemplo, por a água para o café, ligar o computador e enquanto essas duas coisas estão sendo processadas, coloco minha filha no banho :<). Se tenho várias coisas para fazer na rua, sempre penso o melhor trajeto e a sequência das atividades para economizar tempo. Alguém mais é assim? Beijos Luciana ________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________ Message: 7 Date: Thu, 7 Feb 2002 18:06:14 -0200 From: "Lenise Aparecida Martins Garcia" Subject: Re: Empecilhos 'a Aprendizagem Eduardo [e todos], > A Bel pergunta: > > > Se aprendemos independentemente do método, por que devemos buscar > > uma nova escola com novas metodologias? > > A Lenise havia perguntado: > > > Se a aprendizagem e' algo tao espontaneo, o que e' "aprender a > > aprender"? > > Essas duas perguntas são equivalentes? Penso que nao sao equivalentes, mas relacionadas. Particularmente acho que e' sim preciso "aprender a aprender" em muitos aspectos, mas antes disso vou aumentar a provocacao... :-)) Estava lendo e tratando de responder aas "segundas questoes", onde se pergunta como "desaprender essa heranca historica e cultural" [do curriculo, disciplinas isoladas, sala de aula etc]. Daqui a pouco vamos chegar aa conclusao de que aprender e' muito facil, e desaprender muito dificil... Bela descoberta para um educador! :-))) Abracos, Lenise ________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________ Message: 8 Date: Thu, 7 Feb 2002 18:26:33 -0200 From: Eduardo O C Chaves Subject: Re: O fantasma do tempo Concordo com você, Lu. Na verdade, eu abordei a questão embora não de forma tão direta e explícita. O que disse foi: 1) O dia tem 24 horas para ricos e para pobres (o tempo, em si, é o mesmo para ricos e para pobres) 2) Dinheiro é uma ferramenta para comprar tempo, ísto é, tempo LIVRE (quando eu compro pão feito em vez de fazê-lo em casa, eu estou comprando o tempo que eu levaria para fazer eu mesmo o pão; quando eu pago a Patrícia para digitar o texto do Antonio Carlos, eu estou fazendo outra coisa [além de garantir que ela de vez em quando leia alguma coisa que valha a pena]). Certamente, quem tem mais dinheiro tem mais formas de comprar tempo livre, e, portanto, parece que tem mais tempo. Tem o mesmo tempo do pobre, mas tem mais tempo LIVRE porque paga outras pessoas para fazer coisas para ele que o pobre tem que fazer ele mesmo. (Tempo livre é tempo em que eu faço o que quero, não o que sou obrigado a fazer). Quando à sua pergunta sobre o pessoal das escolas, realmente acho que dizer que não tem tempo é uma resposta fácil demais. Eu, pessoalmente, só dou essa resposta quando não quero dizer claramente que não estou com vontade de fazer alguma coisa que me é pedida. Não quero projetar essa atitude sobre os professores. Tenho certeza de que alguns deles não têm tempo mesmo -- mas não o têm porque assumiram outros encargos que lhes são mais imporantes ou mais urgentes. O meu texto maior dá várias dicas parecidas com as que você menciona, para que possamos administrar melhor o nosso tempo. Uma habilidade importante que precisamos desenvolver é ser "multitask", multitarefa, como você demonstrou ser. Eu também sou assim. Embora eu assista um bocado de televisão, raramente faço apenas isso. Enquanto vejo a tv, leio, escrevo, navego pela Internet, etc. Às vezes até durmo (sem perder o que se passa na tela... :-) Consigo ler, ver tv e conversar com minha mulher -- embora ela às vezes, de forma muito retrógrada, me obrigue a ser monotarefa e prestar atenção a ela... Eduardo -- Original Message -- >Oi Eduardo, >Eu já havia lido este seu texto em outras ocasiões. Inclusive o citei >em um curso a distância que fiz onde as pessoas tinham dificuldade para >acompanhar as atividades. > >Relendo o texto, me surgiu uma inquietação. Posso perguntar já >perguntando? :<) > >Você fala que... > >"Todos os dias cada um de nós recebe exatamente 24 horas a menos que >seja o último dia de nossas vidas): nem mais, nem menos. Rico não >recebe mais do que pobre, professor universitário não recebe mais do >que analfabeto, executivo não recebe mais do que operário" > >Concordo. Mas, o rico tem mais poder de escolha para decidir entre as >tarefas urgentes e importantes ou não? > >Outra coisa, nas escolas, será que a argumentação que eles usam para >não participar da lista justificada como sendo devido a falta de tempo >é porque não consideram a atividade importante ou têm dificuldade para >distribuir as tarefas? > >Pergunto isso, porque muitas pessoas me perguntam como consigo fazer >tantas coisas ao mesmo tempo. Eu já fiquei analisando várias vezes >minhas atitudes e percebi que: defino prioridades, nunca deixo para >fazer depois o que posso fazer agora e penso sempre em aproveitar >o tempo ocioso de uma tarefa para desenvolver outra, como por >exemplo, por a água para o café, ligar o computador e enquanto >essas duas coisas estão sendo processadas, coloco minha filha no >banho :<). Se tenho várias coisas para fazer na rua, sempre penso >o melhor trajeto e a sequência das atividades para economizar tempo. > >Alguém mais é assim? > >Beijos >Luciana ________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________ Message: 9 Date: Thu, 7 Feb 2002 18:30:22 -0200 From: Eduardo O C Chaves Subject: Re: Empecilhos 'a Aprendizagem Diz a Lenise: >Daqui a pouco vamos chegar aa >conclusao de que aprender e' muito >facil, e desaprender muito dificil... O Rubem Alves diz isso com todas as letras... Quem sabe não deveríamos definir o "educador" como o especialista nos métodos e técnicas de desaprendizagem... Eduardo -- Original Message -- >Eduardo [e todos], > >> A Bel pergunta: >> >> > Se aprendemos independentemente do método, por que devemos buscar >> > uma nova escola com novas metodologias? >> >> A Lenise havia perguntado: >> >> > Se a aprendizagem e' algo tao espontaneo, o que e' "aprender a >> > aprender"? >> >> Essas duas perguntas são equivalentes? > >Penso que nao sao equivalentes, mas relacionadas. Particularmente acho >que e' sim preciso "aprender a aprender" em muitos aspectos, mas antes >disso vou aumentar a provocacao... :-)) > >Estava lendo e tratando de responder aas "segundas questoes", onde se >pergunta como "desaprender essa heranca historica e cultural" [do >curriculo, disciplinas isoladas, sala de aula etc]. Daqui a pouco vamos >chegar aa conclusao de que aprender e' muito facil, e desaprender muito >dificil... Bela descoberta para um educador! :-))) > >Abracos, >Lenise ________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________ Message: 10 Date: Thu, 7 Feb 2002 19:03:46 -0200 From: "Lenise Aparecida Martins Garcia" Subject: Re: Empecilhos 'a Aprendizagem Eduardo, > Quem sabe não deveríamos definir o "educador" como o especialista nos > métodos e técnicas de desaprendizagem... :-D Descobrimos mais um pilar para a UNESCO? Aprender a desaprender? ;-) Assim sendo, espero que ainda desaprendamos muitas coisas ate' o final dessa EDC [Experiencia de Desaprendizagem Colaborativa]. Abracos, Lenise ________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________ Message: 11 Date: Thu, 7 Feb 2002 19:25:49 -0200 From: "Ney Mourao" Subject: RES: Empecilhos 'a Aprendizagem Oi, Lenise, Eduardo, Lu, Bel e toda a rede de aprendizagem/desaprendizagem... Vamos acabar obrigando a galinha a recolher seu ovo. ;-) Brincadeirinha à parte, a última mensagem da Lenise fez-me lembrar de uma palestra que acompanhei de um conhecidíssimo educador, o Professor Deodato Rivera. Creio que todos vocês devem conhecê-lo. Ele foi um dos mentores do Estatuto da Criança e do Adolescente. Para Rivera, as quatro aprendizagens levantadas pelo Relatório Jacques Delors seriam, em princípio, insuficientes. Ele acredita que faltou, nos pilares do Relatório, perguntar-se: “Quais as aprendizagens relativas básicas do SER FELIZ”? E é o próprio Deodato Rivera quem sugere: Aprender a SER, aprender a CONVIVER, aprender a APRENDER E DESAPRENDER, aprender a AMAR E CUIDAR, aprender a PENSAR E CRIAR, aprender a CELEBRAR e aprender a TRANSCENDER! Deodato Rivera classifica, ainda, as qualidades humanas superiores, necessárias a este aprendizado acima, em 07 grupos fundamentais – cuja missão dos educadores seria promover e incentivar: qualidades morais, afetivas, cognitivas, volitivas, criativas, operativas e integrativas. Um desafio e tanto, não, Lenise? Um abraço, Ney Mourão -----Mensagem original----- De: Lenise Aparecida Martins Garcia [mailto:lgarcia@unb.br] Enviada em: Quinta-feira, 7 de Fevereiro de 2002 19:04 Para: escola2000@courses.yahoo.com Assunto: Re: [escola2000] Empecilhos 'a Aprendizagem Eduardo, > Quem sabe não deveríamos definir o "educador" como o especialista nos > métodos e técnicas de desaprendizagem... :-D Descobrimos mais um pilar para a UNESCO? Aprender a desaprender? ;-) Assim sendo, espero que ainda desaprendamos muitas coisas ate' o final dessa EDC [Experiencia de Desaprendizagem Colaborativa]. Abracos, Lenise ________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________ Message: 12 Date: Thu, 7 Feb 2002 19:32:15 -0200 From: "Ney Mourao" Subject: RES: Sobre idearios e praticarios Celso, Sinta-se à vontade para copiar. Não é justamente este o espírito da aprendizagem COLABORATIVA? Se pudermos criar laços nesta teia, ampliando-a além daqui, teremos conseguido uma grande vitória... Se precisar de textos mais aprofundados sobre o tema, é só pedir... Um abraço, Ney -----Mensagem original----- De: Celso Vallin [mailto:celsovallin@yahoo.com] Enviada em: Quinta-feira, 7 de Fevereiro de 2002 08:33 Para: escola2000@courses.yahoo.com Assunto: Re: [escola2000] Sobre idearios e praticarios Oi Ney. Muito legal. Eu colocaria antes, para nosso trabalho, esse mesmo olhar sobre os professores e equipe diretora de cada escola. Será que eles estão conseguindo ser? Quando a escola não tem tempo para ir atrás de suas metas e projeto político-pedagógico, ou quando não está claro para todos qual seria o projeto, talvez precisássemos começar por ai, ajudando-os a ser. Voltando à tensão teoria/prática, neste momento de reflexão conjuta, precisamos colocar nosso olhar nas 56 escolas e no trabalho que realizamos com elas até aqui, e nas observações que fizemos (observando diretores, professores, coordenadores, alunos...). Gosto (vi no livro da Bete Prado) da analogia, de precisarmos o tempo todo estar fazendo o ZOOM, para dentro e para fora, para perceber o detalhe e o todo. Em nosso caso, olhar de longe é a teoria, e olhar de perto é o caso particular. Para generalizarmos, ou para entendermos e nos apropriarmos das generalizações que outros fizeram (os textos), precisamos olhar de longe, olhar o todo, mas conhecer de perto, e saber LIGAR as duas coisas. Vou copiar e mandar para os amigos, pode? Um abraço, Celso Vallin - Sao Jose dos Campos (SP) -----Mensagem Original----- De: Ney Mourao Para: escola2000@courses.yahoo.com Enviada em: Quarta-feira, 6 de Fevereiro de 2002 15:25 Assunto: RES: [escola2000] Sobre idearios e praticarios Olá, Gostaria de acrescentar às questões aqui explanadas pela Luciana algumas outras. Creio que vou botar mais lenha na fogueira. Concordo plenamente com a Lu, quando ela fala da necessidade de que o "praticário" leve em consideração aspectos ligados à identidade e ao que ela chama de espiritualidade. Tenho trabalhado por aqui, em algumas experiências práticas coordenadas pelo Professor Antônio Carlos Gomes da Costa, onde ele aprofunda diversas questões ligadas às competências e, principalmente, às competências pessoais, relacionadas ao aprender a ser. Como um linha de raciocínio não-reducionista, mas apenas como norteadora da compreensão, o Professor, de forma brilhante, estabeleceu um fio condutor, onde sugere alguns passos práticos, uma "agenda" que poderia nos ajudar a lidar com o educando: necessidades e trilhas para contribuir com um "ser" em plenitude. De fato, Lu, no primeiro "degrau", ou no "marco zero" de qualquer conversa, o Professor Antônio Carlos sugere que seja trabalhada a autoconsciência, como base para a compreensão e a aceitação de si mesmo. Outros "AUTOS" viriam, na seqüência de qualquer trabalho educativo: AUTOVALORIZAÇÃO: Atribuir-se uma significação positiva; AUTO-ESTIMA: Gostar de si mesmo, apreciar-se; AUTOPERCEPÇÃO: Identificar seus pontos fortes e fracos; AUTOCONCEITO: Formar uma idéia precisa de si mesmo; AUTOCONFIANÇA: Apoiar-se primeiro em suas próprias forças; AUTOPROJEÇÃO: Tornar-se autoproposto, ter um projeto de vida; AUTOTELIA: Estabelecer seus próprios fins, encontrar seu sentido na vida; AUTONOMIA: Reger-se por critérios próprios; AUTODETERMINAÇÃO: Posicionar-se a partir de seus próprios pontos de vista e interesses; AUTOPRESERVAÇÃO: Saber lidar com a adversidade de forma resiliente; AUTO-REALIZAÇÃO: Consciência de estar no caminho certo e de não estar parado. Notem que, apesar de não haver uma "ordem" no alcance destas coisas, os três primeiros itens, incluindo a autoconsciência, autovalorização e auto-estima, constituem-se em uma base, um começo de conversa imprescindível. Vimos, na prática, em trabalhos com jovens em conflito com a lei, que a pergunta que mais os magoa e irrita é sempre: "O que você vai ser quando crescer?" Não é raro que eles respondam, apenas para agredir: "Bandido!" Ora, a pergunta que fala sobre "ser quando crescer, normalmente está associada a um PROJETO DE VIDA. Isso, na cabeça desses meninos, está lá na frente, muito longe do básico que ainda não foi construído: entender-se, aceitar-se, gostar-se, ser confiante. A partir disso, sim, pode-se falar em projeto. Creio que muitas vezes, na nossa educação, falta levar o aluno PRIMEIRO a gostar-se, aceitar-se, para DEPOIS se falar em qualquer projeto de vida. É claro que estou sôfrego de vontade de ouvir os demais... ;-) Um abraço, Ney Mourão ________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________ Message: 13 Date: Thu, 7 Feb 2002 19:40:12 -0200 From: "Ney Mourao" Subject: RES: Uma das propostas do momento presencial Oi, Dri Imperatriz!!! Achei a idéia sensacional! É claro que fiquei em um ecossistema desprovido de espécimes caninos (expressão chique para mato sem cachorro). Explico: você pede algo que acabou dando certo, que serviria para compartilharmos. E tenho pelo menos uma três coisas interessantes que aconteceram pelas escolas. Estou na dúvida do que levar. Mas... Ainda bem... Já pensou se não tivesse o que levar? Em matéria de tecnologia social... Antes sobrar que faltar, não? Pensarei por aqui e lhe darei o retorno, ok? Um abraço, Ney (Que continua a ver navios, aguardando a chegada da galinha ruiva... Já pensei em ir para a seção de Literatura Infantil da Biblioteca Municipal, para ler a bendita história, mas tenho a esperança de que a nossa articuladora não vai deixar que eu passe por esse mico do ano, não?!) -----Mensagem original----- De: Adriana Portella [mailto:driportella@uol.com.br] Enviada em: Quarta-feira, 6 de Fevereiro de 2002 23:04 Para: eac@escola2000.net Assunto: [escola2000] Uma das propostas do momento presencial Olá, pessoal! Cada vez mais nossa primeira EAC torna-se dinâmica e conta com o envolvimento da equipe! Comecei com a história das pontes e estou prometendo ao Ney que vai ter Hora do Conto de novo... Trarei a Galinha Ruiva, pode deixar! Só que hoje ela já foi dormir... Sabe aquela coisa de dormir com as galinhas, né? A única diferença é que ela não acorda muito cedo como as outras! Deve ser porque é ruiva! Brincadeira!!! O mail era sério... Vocês é que falam meia dúzia de abobrinhas e me fazem perder a linha... Ney e Rubem quando atacam... Agora que Bel & eu resolvemos fazer dobradinha... Só sai besteira! Mas agora é sério mesmo! Mesmo, mesmo, mesmo!!! :o) Na EAC temos transitado da teoria à prática... o caminho de volta... novas questões... outras experiências. Assim vocês vêm recheando as mensagens que têm circulado. Muitas percepções, alguns relatos de experiências... enfim. É isso aí! Nosso momento presencial não será uma semana desvinculada de todo esse percurso, que teve início nos primeiros avisos enviados aos participantes da lista. Ao contrário, ele pretende dar continuidade a alguns temas e, principalmente, chegar a produções da equipe: elaboração do PA coletivo, definição de instrumentos de avaliação e outros itens que serão detalhados brevemente. Um dos momentos do encontro presencial tem por objetivo uma troca de experiências entre os Orientadores. Até aí... nenhuma novidade, pois isso nós estamos fazendo e não é de hoje... Mas a proposta é um pouquinho diferente. Faremos a vivência de experiências bem-sucedidas dos Orientadores. Vocês estão livres para identificar algo que tenha sido trabalhado por vocês e que tenha surtido efeito positivo dentro de todo o processo vivenciado pelas escolas. Não estamos tratando de experiências desenvolvidas PELAS ESCOLAS, mas da AÇÃO DOS ORIENTADORES, ou seja, uma vivência que possamos experimentar em grupo, e que tenha a capacidade de trazer para todos nós exemplos de práticas dos Orientadores fundamentadas nos princípios do "Sua Escola". Imaginamos que cada Orientador terá de 30 a 40 minutos para desenvolver sua proposta. Nós mesmos (coordenação, consultores e demais orientadores) seremos os "atores" da experiência (melhor do que chamar de cobaia, não?), da "simulação" que pretende ser capaz de INFLUIR em outros orientadores, pretende ser um momento de troca. Ao final das 6 propostas teremos um bate-papo comentando a vivência, apontando experiências replicáveis, identificando adaptações, imaginando como agregar novas idéias a exemplos apresentados... Vocês têm liberdade de, dentro do tempo combinado, desenvolver a experiência que julgarem mais "especial", mais significativa, mais marcante... enfim... Se, por algum motivo, essa experiência não tiver acontecido EXATAMENTE daquela forma (por duzentos mil motivos que podem interferir na nossa proposta de trabalho na escola) não existiria inconveniente de que, durante o nosso encontro, vocês a apresentassem como gostariam que fosse... como um momento ideal... mesmo que, na escola, ele tenha acontecido parcialmente... ou com menos ênfase do que o imaginado. A data prevista para esta proposta é 20/02, no período da tarde. Será necessário indicar se há necessidade de algum material específico para que possamos providenciar a tempo. Estamos por aqui no caso de haver alguma dúvida, uma solicitação mais específica ou a necessidade de detalhar mais alguma coisa. Um abraço! Dri ________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________ Message: 14 Date: Thu, 7 Feb 2002 22:12:55 -0200 From: "Luciana Salgado" Subject: Re: Empecilhos 'a Aprendizagem Ney, conta mais? :<) ----- Original Message ----- From: Ney Mourao To: escola2000@courses.yahoo.com Sent: Thursday, February 07, 2002 7:25 PM Subject: RES: [escola2000] Empecilhos 'a Aprendizagem Oi, Lenise, Eduardo, Lu, Bel e toda a rede de aprendizagem/desaprendizagem... Vamos acabar obrigando a galinha a recolher seu ovo. ;-) Brincadeirinha à parte, a última mensagem da Lenise fez-me lembrar de uma palestra que acompanhei de um conhecidíssimo educador, o Professor Deodato Rivera. Creio que todos vocês devem conhecê-lo. Ele foi um dos mentores do Estatuto da Criança e do Adolescente. Para Rivera, as quatro aprendizagens levantadas pelo Relatório Jacques Delors seriam, em princípio, insuficientes. Ele acredita que faltou, nos pilares do Relatório, perguntar-se: "Quais as aprendizagens relativas básicas do SER FELIZ"? E é o próprio Deodato Rivera quem sugere: Aprender a SER, aprender a CONVIVER, aprender a APRENDER E DESAPRENDER, aprender a AMAR E CUIDAR, aprender a PENSAR E CRIAR, aprender a CELEBRAR e aprender a TRANSCENDER! Deodato Rivera classifica, ainda, as qualidades humanas superiores, necessárias a este aprendizado acima, em 07 grupos fundamentais - cuja missão dos educadores seria promover e incentivar: qualidades morais, afetivas, cognitivas, volitivas, criativas, operativas e integrativas. Um desafio e tanto, não, Lenise? Um abraço, Ney Mourão -----Mensagem original----- De: Lenise Aparecida Martins Garcia [mailto:lgarcia@unb.br] Enviada em: Quinta-feira, 7 de Fevereiro de 2002 19:04 Para: escola2000@courses.yahoo.com Assunto: Re: [escola2000] Empecilhos 'a Aprendizagem Eduardo, > Quem sabe não deveríamos definir o "educador" como o especialista nos > métodos e técnicas de desaprendizagem... :-D Descobrimos mais um pilar para a UNESCO? Aprender a desaprender? ;-) Assim sendo, espero que ainda desaprendamos muitas coisas ate' o final dessa EDC [Experiencia de Desaprendizagem Colaborativa]. Abracos, Lenise ________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________ Message: 15 Date: Thu, 7 Feb 2002 22:30:16 -0200 From: "Celso Vallin" Subject: Re: Educacao Negativa Claro. Amor é tudo. Tudo precisa ser com amor. Valeu Lenise. Um abraço, Celso Vallin - Sao Jose dos Campos (SP) -----Mensagem Original----- De: Lenise Aparecida Martins Garcia Para: escola2000@courses.yahoo.com Enviada em: Terça-feira, 5 de Fevereiro de 2002 19:18 Assunto: Re: [escola2000] Educacao Negativa Celso e todos, Os textos de Rousseau enviados pelo Eduardo lembraram-me que ainda nao lhe havia respondido neste tema. Gostei muito da sua contribuicao. Achei interessante o que voce diz aqui: > O grande desafio a ser superado é conseguirmos equilibrar nossa felicidade com a de todos que nos cercam. Concordo. E o interessante e' que quando buscamos a felicidade de outro, muitas vezes isso traz como consequencia a nossa propria. Acho que tem a ver com as "espirais" de que voce tambem falou: > Acho interessante imaginar que todos podemos entrar em espirais de realimentação negativa e em espirais de realimentação positiva. Assim, conforme a história de vida de cada um, podemos estar muito distantes do melhor caminho, ou, estar indo bem. Aquelas pessoas que estão usando drogas, vão mal na escola, ou já abandonaram a escola, tem uma vida conturbada em casa e mesmo com os amigos, se sentem muito mal e se sentem muito desencorajados a procurar caminhos de amor, são pessoas como nós, que podem melhorar se começarem a sentir os benefícios e a alegria que outro tipo de vida pode lhe dar. Lembrei-me de uma frase de S. Joao da Cruz: "onde nao ha' amor, poe amor e encontraras amor". E, ao lembrar-me dela, deu-me a impressao de que a palavra "amor" apareceu muito pouco ate' agora... Nao deveria aparecer mais, quando falamos em educacao? Abracos, Lenise ________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________ Message: 16 Date: Thu, 7 Feb 2002 22:32:00 -0200 From: "Celso Vallin" Subject: Re: Sobre idearios e praticarios Valeu, obrigado. Um abraço, Celso Vallin - Sao Jose dos Campos (SP) -----Mensagem Original----- De: Ney Mourao Para: escola2000@courses.yahoo.com Enviada em: Quinta-feira, 7 de Fevereiro de 2002 19:32 Assunto: RES: [escola2000] Sobre idearios e praticarios Celso, Sinta-se à vontade para copiar. Não é justamente este o espírito da aprendizagem COLABORATIVA? Se pudermos criar laços nesta teia, ampliando-a além daqui, teremos conseguido uma grande vitória... Se precisar de textos mais aprofundados sobre o tema, é só pedir... Um abraço, Ney -----Mensagem original----- De: Celso Vallin [mailto:celsovallin@yahoo.com] Enviada em: Quinta-feira, 7 de Fevereiro de 2002 08:33 Para: escola2000@courses.yahoo.com Assunto: Re: [escola2000] Sobre idearios e praticarios Oi Ney. Muito legal. Eu colocaria antes, para nosso trabalho, esse mesmo olhar sobre os professores e equipe diretora de cada escola. Será que eles estão conseguindo ser? Quando a escola não tem tempo para ir atrás de suas metas e projeto político-pedagógico, ou quando não está claro para todos qual seria o projeto, talvez precisássemos começar por ai, ajudando-os a ser. Voltando à tensão teoria/prática, neste momento de reflexão conjuta, precisamos colocar nosso olhar nas 56 escolas e no trabalho que realizamos com elas até aqui, e nas observações que fizemos (observando diretores, professores, coordenadores, alunos...). Gosto (vi no livro da Bete Prado) da analogia, de precisarmos o tempo todo estar fazendo o ZOOM, para dentro e para fora, para perceber o detalhe e o todo. Em nosso caso, olhar de longe é a teoria, e olhar de perto é o caso particular. Para generalizarmos, ou para entendermos e nos apropriarmos das generalizações que outros fizeram (os textos), precisamos olhar de longe, olhar o todo, mas conhecer de perto, e saber LIGAR as duas coisas. Vou copiar e mandar para os amigos, pode? Um abraço, Celso Vallin - Sao Jose dos Campos (SP) -----Mensagem Original----- De: Ney Mourao Para: escola2000@courses.yahoo.com Enviada em: Quarta-feira, 6 de Fevereiro de 2002 15:25 Assunto: RES: [escola2000] Sobre idearios e praticarios Olá, Gostaria de acrescentar às questões aqui explanadas pela Luciana algumas outras. Creio que vou botar mais lenha na fogueira. Concordo plenamente com a Lu, quando ela fala da necessidade de que o "praticário" leve em consideração aspectos ligados à identidade e ao que ela chama de espiritualidade. Tenho trabalhado por aqui, em algumas experiências práticas coordenadas pelo Professor Antônio Carlos Gomes da Costa, onde ele aprofunda diversas questões ligadas às competências e, principalmente, às competências pessoais, relacionadas ao aprender a ser. Como um linha de raciocínio não-reducionista, mas apenas como norteadora da compreensão, o Professor, de forma brilhante, estabeleceu um fio condutor, onde sugere alguns passos práticos, uma "agenda" que poderia nos ajudar a lidar com o educando: necessidades e trilhas para contribuir com um "ser" em plenitude. De fato, Lu, no primeiro "degrau", ou no "marco zero" de qualquer conversa, o Professor Antônio Carlos sugere que seja trabalhada a autoconsciência, como base para a compreensão e a aceitação de si mesmo. Outros "AUTOS" viriam, na seqüência de qualquer trabalho educativo: AUTOVALORIZAÇÃO: Atribuir-se uma significação positiva; AUTO-ESTIMA: Gostar de si mesmo, apreciar-se; AUTOPERCEPÇÃO: Identificar seus pontos fortes e fracos; AUTOCONCEITO: Formar uma idéia precisa de si mesmo; AUTOCONFIANÇA: Apoiar-se primeiro em suas próprias forças; AUTOPROJEÇÃO: Tornar-se autoproposto, ter um projeto de vida; AUTOTELIA: Estabelecer seus próprios fins, encontrar seu sentido na vida; AUTONOMIA: Reger-se por critérios próprios; AUTODETERMINAÇÃO: Posicionar-se a partir de seus próprios pontos de vista e interesses; AUTOPRESERVAÇÃO: Saber lidar com a adversidade de forma resiliente; AUTO-REALIZAÇÃO: Consciência de estar no caminho certo e de não estar parado. Notem que, apesar de não haver uma "ordem" no alcance destas coisas, os três primeiros itens, incluindo a autoconsciência, autovalorização e auto-estima, constituem-se em uma base, um começo de conversa imprescindível. Vimos, na prática, em trabalhos com jovens em conflito com a lei, que a pergunta que mais os magoa e irrita é sempre: "O que você vai ser quando crescer?" Não é raro que eles respondam, apenas para agredir: "Bandido!" Ora, a pergunta que fala sobre "ser quando crescer, normalmente está associada a um PROJETO DE VIDA. Isso, na cabeça desses meninos, está lá na frente, muito longe do básico que ainda não foi construído: entender-se, aceitar-se, gostar-se, ser confiante. A partir disso, sim, pode-se falar em projeto. Creio que muitas vezes, na nossa educação, falta levar o aluno PRIMEIRO a gostar-se, aceitar-se, para DEPOIS se falar em qualquer projeto de vida. É claro que estou sôfrego de vontade de ouvir os demais... ;-) Um abraço, Ney Mourão ________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________