------------------------------------------------------------------------ There is 1 message in this issue. Topics in this digest: 1. Re: Re: Vinho novo em odres velhos From: Eduardo O C Chaves ________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________ Message: 1 Date: Sat, 9 Feb 2002 10:01:36 -0200 From: Eduardo O C Chaves Subject: Re: Re: Vinho novo em odres velhos A todos (ou Pesso@ll, como diz o meu amigo Rev. Wilson): No chat de ontem eu levantei a possibilidade de fazermos o seguinte exercício: Imaginemos que nós todos, os participantes desta lista, nos propuséssemos criar uma escola (Educação Infantil / Fundamental / Médio), dentro dos princípios do Sua Escola, mas sem desrespeitar a legislação brasileira atual. Ao fazer o planejamento dessa escola (o seu "business plan" - desculpe-me, Celso, mas é apenas uma expressão), quais as principais dificuldades que poderíamos antecipar? quais os principais empecilhos ao nosso empreendimento? Acho que se explorarmos bem essa questão em nossas mentes conseguiremos identificar elementos importantes que devem ser levados em conta no processo de traduzir nossos princípios em prática pedagógica concreta -- isto é, no processo de desenvolver a tecnologia social. Há muitos que acham mais fácil começar uma escola do zero do que transformar a que temos aí. Não só o Rubem Alves, que já mencionei, que no final do seu último artigo sobre a Escola da Ponte pediu aos leitores que se manifestassem sobre seu eventual interesse em colocar seus filhos numa escola assim, se houvesse uma disponível no Brasil. (Isso se chama "pesquisa de mercado" -- novamente, os nossos termos são tomados emprestados ao mundo dos negócios, mesmo que o que estejamos pretendendo criar seja uma instituição sem fins lucrativos - o que não é o caso do Rubem). Antes do Rubem, eu já havia pensado sobre isso com a minha proposta escola ***. (Não é a Escola das Três Estrelinhas, como diria a Emília do Monteiro Lobato, digna Condessa das Três Estrelinhas). [Para a minha proposta escola ***, vide minhas "Segundas Reflexões", no site]. Antes de todos nós, e numa escala sistêmica (estadual), Darcy Ribeiro, ao criar os CIEPs, exigiu que tivessem não só prédio novo, estrutura curricular diferente, materiais didáticos inéditos, MAS, E PRINCIPALMENTE, GENTE NOVA, professores novos, não viciados pelo sistema antigo (i.e., que não precisassem "desaprender" demais -- ou "demais da conta", como diriam os mineiros...). Só levou paulada da corporação dos professores por exigir isso. Não conseguiu manter sua exigência por muito tempo no caso dos professores. Pergunta: a principal dificuldade que teríamos para criar uma nova escola, seria encontrar pessoas adequadas para trabalhar nela? Pessoas não viciadas nos hábitos que a velha escola gera? Seria o nosso principal problema, como insiste a Lu, encontrar pessoas que mantivessem, umas com as outras, "relações humanas" adequadas? De encontrar gente com "inteligência espiritual", seja lá o que isso queira dizer? Deixando a escola nova de lado, a principal dificuldade para a transformação da escola que temos na escola que queremos, seria um problema de recursos humanos, de relações humanas, dentro e fora da escola? (O CIEP teve que abrir mão do princípio de "escola nova, gente nova") por causa das pessoas DE FORA DA ESCOLA [os professores que haviam ficado no sistema antigo]). Precisamos procurar especialistas em mudança institucional, dinâmica de grupo, negociação, resolução de conflitos para nos ajudar, se quisermos ser bem sucedidos? Se o problema é a natureza da pessoa humana, a questão da "direção da mudança" é ou não importante? O Rubem achou que é. Se estivéssemos encarregados de transformar a Escola da Ponte em uma escola tradicional, as dificuldades e os empecilhos seriam os mesmos? OU será que, no caso brasileiro, o problema não são tanto as pessoas, mas, sim, o arcabouço institucional (legislação, estruturas administrativas em nível de sistema e de escola, expectativas da sociedade, etc.) em que teríamos de criar uma nova escola ou transformar a velha em nova? Nessa hipótese, vamos admitir que as pessoas estejam até dispostas a mudar, a enfrentar o novo, mas o "sistema" as impede: fazer algumas coisas é ilegal; fazer outras pode não ser ilegal mas exige autorização superior; fazer outras pode não ser ilegal nem exigir autorização superior mas enfrente oposição da clientela ou da sociedade [como as que implicam não preparar para o "vestibular"]. Nesta hipótese, para criar uma nova escola ou transformar a velha em nova, seria necessário primeiro criar um novo "arcabouço institucional"? Dentro do atual "arcabouço", é possível fazer alguma coisa? O quê? Descobrir pequenas formas de "subverter" o sistema atual, como sugeriu a Lenise? Devemos ser subversivos, fazer guerra de guerrilha? Pratica terrorismo pedagógico? Desculpe-me, Lu (e demais), por mais uma mensagem longa. Acordei hoje cedo, sábado de Carnaval, pensando nessas coisas... Tinha que "tirá-las do meu sistema" (para traduzir uma expressão idiomática do inglês: "get them out of my system"... Um bom Carnaval para vocês. Eduardo -- Original Message -- >Oi Eduardo, > >Eu acho que sim. Ela está se descrevendo e está super angustiada, >desestruturada. E, já que você colocou em xeque a questão de conceitos, >expressões e linguagem, aliás de uma forma bem interessante, aproveito >para tirar um pedacinho texto dela que gostaria de saber mais. Para >variar, tenho minhas dúvidas e hipóteses :<) > >Ela fala em professores que desenvolvem a "metodologia de projetos de >aprendizagem". E então eu pergunto: podemos considerar projetos de >aprendizagem como tendo uma metodologia ou uma filosofia? > >Beijos >Lu ________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________