------------------------------------------------------------------------ There are 7 messages in this issue. Topics in this digest: 1. Outra dúvida From: "Luciana Salgado" 2. Re: O fantasma do tempo From: "Celso Vallin" 3. Re: Re: Vinho novo em odres velhos From: "Celso Vallin" 4. Re: Re: Vinho novo em odres velhos From: "Eduardo Roberto da Silva" 5. Re: RE: dúvidas From: "Celso Vallin" 6. Desculpem o sumico... From: Eduardo O C Chaves 7. Artiguete From: Eduardo O C Chaves ________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________ Message: 1 Date: Mon, 11 Feb 2002 10:20:09 -0300 From: "Luciana Salgado" Subject: Outra dúvida Eduardo, Não entendi muito bem o que é essa pedagogia não diretiva. Em qual texto o ACGM apresenta essa idéia? Beijos Lu ________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________ Message: 2 Date: Sat, 9 Feb 2002 17:17:59 -0200 From: "Celso Vallin" Subject: Re: O fantasma do tempo A Lu disse: "como por exemplo, por a água para o café, ligar o computador e enquanto essas duas coisas estão sendo processadas, coloco minha filha no banho :<). Se tenho várias coisas para fazer na rua, sempre penso o melhor trajeto e a sequência das atividades para economizar tempo. Alguém mais é assim?" Eu também sou muito assim. nos de auto-condicionamento para ser assim. Hoje procuro me condicionar no sentido inverso. Não o tempo todo, mas de vez enquando. Não há momentos em que você se pega otimizando o domingo, ou até a maneira de conduzir a mesa de chop? Eu acho que esse excesso de condicionamento para a otimização do tempo algumas vezes me leva à falta de cidadania. Já me peguei, várias vezes, no trânsito, cortando os outros, ou ficando impaciente, porque me encontrava com tudo "otimizado" e de repente veio um imprevisto. Concordo com tudo o que disseram, mas vejo também a importância de valorizarmos momentos de gratuidade e de descompromisso. Até aqui, falava olhando para mim mesmo. Olhando agora para as escolas, professores e alunos, penso que devamos antes analisar cada caso e ajudarmos para que eles atinjam o equilíbrio. Nem estressados pela demanda de prioridades, nem o descompromisso e falta de sonhos. Alguns precisariam de ajuda para aprenderem a otimizar o tempo. Outros, já fazem isso (estando com alunos 56 aulas por semana) e precisam de ajuda para olhar a vida e a escola de forma mais ampla. É o que o Eduardo disse: "Tenho certeza de que alguns deles não têm tempo mesmo -- mas não o têm porque assumiram outros encargos que lhes são mais imporantes ou mais urgentes. " E nesse caso caberia a nós identificar quando esse é o problema e ajuda-los a ver coisas mais interessantes, ou meios mais interessantes de conviverem com seus alunos e fomentar o desenvovimento deles. É o que temos feito. Algumas vezes, penso eu, temos dificuldade de te-los ao nosso lado, para podermos conversar. Sinto muita falta de continuidade nas conversas. Sinto falta de acompanhar o que cada grupo está fazendo e como está fazendo. Sinto as conversas muito pontuais. Por agora é isso. Um grande abraço amigo, Celso ________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________ Message: 3 Date: Sat, 9 Feb 2002 17:43:14 -0200 From: "Celso Vallin" Subject: Re: Re: Vinho novo em odres velhos Lenise, Eduardo e todos. Há uma escola estadual aqui em SJCampos, onde a direção e professores combinaram, no início de 2001, de trabalhar o tempo todo por projetos. A partir dai, pegaram a carga horária de cada disciplina (e professor) e redistribuiram de modo que hoje, cada professor fica com uma mesma turma de alunos durante todo o período. Alguns passam três dias inteiros da semana com os mesmos alunos. Depois, em outro período do ano, o professor estará com outra turma de alunos e ficará longe daquela. É uma mudança radical. É possível legalmente. Por outro lado, isso não resolveu o problema. Há professores que não sabem trabalhar por projetos e nesse caso os alunos acabam dizendo coisas como "Esse jeito novo é muito cansativo. A gente não aguenta. Até a segunda aula tudo vai bem, mas na terceira aula eu já não consigo mais me concentrar. O quadro negro fica embassado, minha mão começa a doer e não consigo copiar o que o professor está dando." Penso que nosso caminho está mais do que certo. Concordo quando o Eduardo diz para tomarmos cuidado com a linguagem. Ela é importante. Concordo em termos o desprendimento para mudarmos qualquer coisa. Nada é inquestionável. Por outro lado, vejo também a importância de não desvalorizarmos qualquer coisa só porque ela é antiga ou tradicional. Acho importante criar o novo aproveitando o velho. Sem medo de desmonta-lo, mas aproveitando o que for bom. Penso que a atitude de examinar o que poderia ser aproveitado dentro do que já existia é mais propositiva e analítica do que abandonarmos tudo o que é velho. Temos que questinar tudo e todos os dias. Continuar fazendo, mas ir questionando e propondo maneiras melhores. Ir melhorando. Um grande abraço amigo, Celso Vallin - Sao Jose dos Campos (SP) -----Mensagem Original----- De: Lenise Aparecida Martins Garcia Para: escola2000@courses.yahoo.com Enviada em: Sexta-feira, 8 de Fevereiro de 2002 12:13 Assunto: Re: [escola2000] Re: Vinho novo em odres velhos Eduardo, > Vocês acham que o professor de que a Jussara está falando é ela mesma? E' provavel... De uma coisa tenho quase certeza: a pergunta foi pratica e nao teorica. "Estar em sala de aula" significa ter determinados direitos, ou receber um adicional, ou estar incluido na "grade"... Penso que essa questao e' realmente crucial. ESTAMOS em odres velhos, o odre velho da escola publica brasileira. Se chegarmos aa conclusao de que e' impossivel fazer alguma coisa nesse odre, o Programa Sua Escola nao faz sentido... E' a opiniao do Rubem Alves, como voce ja' disse. Pessoalmente, fico na duvida. Acho que o Programa tem tido resultados. Penso ser possivel correr de algum modo "na paralela", com acoes que vao gerando novas iniciativas nas escolas e criando alternativas. Mas nao da' para "pegar de frente", pois as escolas estao submetidas a muitas regras que nao tem como deixar de cumprir... Acho que a "tecnologia social" possivel de se desenvolver no momento e' justamente como driblar algumas dessas regras, ou conviver com elas... Abracos, Lenise ________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________ Message: 4 Date: Mon, 11 Feb 2002 17:03:21 -0300 From: "Eduardo Roberto da Silva" Subject: Re: Re: Vinho novo em odres velhos ----- Original Message ----- From: "Eduardo O C Chaves" To: Sent: Saturday, February 09, 2002 9:01 AM Subject: Re: [escola2000] Re: Vinho novo em odres velhos Colaborando com a idéia do Eduardo, quero enfocar o aspecto humano. "...a principal dificuldade para a transformação da escola que temos na escola que queremos, seria um problema de recursos humanos, de relações humanas, dentro e fora da escola? (O CIEP teve que abrir mão do princípio de "escola nova, gente nova") por causa das pessoas DE FORA DA ESCOLA [os professores que haviam ficado no sistema antigo])." 1. Conheço professores que trabalham em mais de uma escola, cada uma "bem" diferente da outra. Eis algumas características dessas escolas: são disciplinadoras; formam para a vida; se preocupam exclusivamente com o vestibular; acreditam na liberdade com responsabilidade. E o professor é competente em todas elas. Qual é a mágica? Quais as razões que levam uma pessoa se dar bem tão variados ambientes de trabalho? Algumas hipóteses que levanto: a) habilidade do professor a se adaptar a diferentes novas situações; b) nessas escolas as regras do jogo (não importa qual) são claríssimas. Para jogar é necessário e aceitá-las. Por outro lado, conheço professores que se dão bem em somente um tipo de escola, por exemplo, a que pensa somente em vestibular - dá menos trabalho!(?). Mais, conheço professores que não se dão bem em nenhuma escola. Mas continuam lecionando. Ainda mais, algumas pessoas, não professores, exercem o magistério para ganhar uns poucos trocados a mais no final do mês. Acho que a educação é o único ramo da atividade que permite a atuação profissional de qualquer pessoa não habilitada. Ah, esqueci da medicina. Falsos médicos exercem a profissão. Como resultado algumas pessoas morrem por erro "não médico". 2. Clareza das intenções, limites claros, direitos e deveres dos participantes do processo explicitados, divulgados e praticados, voz de comando, expectativa do desempenho individual, cobrança de resultados, participação ou não dos funcionários na gestão, mas sem cooperativismo, são alguns ingredientes necessários para que qualquer empreendimento tenha sucesso. Como anda a escola de hoje nesses aspectos? Quem é quem no processo educativo? De quem é a responsabilidade pelo êxito ou fracasso do processo educativo? Quem cobra? Quem estabelece os princípios, que são inquestionáveis e permanentes? 3. As mudanças sempre ocorrerão e resistir a elas é natural. Quanto maior a resistência, maiores serão as precauções para implantá-la. É um empecilho no início do processo, mas é a garantia de aceitação e sucesso posterior. Acho que a resistência à mudança tem o grande mérito de aprofundar reflexões, discussões e tomada de decisões. Às vezes é um porre, mas... A mudança requer liderança (transmissão de valores) primeiro e administração (nova estrutura organizacional) depois. Tendo vontade, tudo se ajeita. O mérito é ser criativo dentro das limitações que nos são impostas - dessas não dá para fugir, mas é possível adequá-las a uma nova realidade. O equilíbrio entre o caos e a ordem é fundamental para criar o ambiente propício para a inovação/mudança. 4. Questões estruturais da nova escola que devem ser levadas em consideração: a) Qual o número ideal de alunos por sala (grupo de aprendizagem)? b) Em quantos períodos a escola deve funcionar? c) Qual a relação número de alunos/número de professores? d) Qual a relação número de alunos/número de funcionários administrativos? e) Quais ambientes devem estar presentes: salas de aula, laboratório de ciências, quadra de esportes, sala de dramatização ou auditório), pátio, biblioteca, sala/laboratório de informática, sala de artes, sala de música, refeitório, cantina, enfermaria, etc? Hoje saio de colombina. Confete e serpentina para vcs Beijos. Castor. ________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________ Message: 5 Date: Tue, 12 Feb 2002 19:43:29 -0300 From: "Celso Vallin" Subject: Re: RE: dúvidas É isso mesmo Lu. Esqueceram de mim (os alunos) II. Entendo que as habilidades e competências podem ser um olhar sobre o que vai acontecendo, mas não uma nova sequencia lógica e estável, como foi feito com os conteúdos (e disciplinas). Penso que trabalhar por projetos seja criar ambientes de aprendizagem independentemente do que se está aprendendo. Qualquer coisa para a qual um grupo de alunos se ligue será válida, desde que eles saiam da mesmice, desde que se questionem, desde que mantenham um diálogo democrático entre todos, desde que se coloquem abertos para o mundo de fora da escola, desde que se coloquem desafios práticos... Se os professores toparem... 1- trabalhar em equipe (nem que seja de 3 professores) 2- fazer plano, aplicar e depois analisar (em equipe). 3- considerar os alunos (desde o planejamento até as avaliações). 4- colocar para si mesmos um produto final, que seja bem prático, útil, possível e desafiador. 5- mostrar para quem estiver de fora o que estão fazendo (registros) durante todo o percurso e deixar que dêem palpites. ... já será um belíssimo avanço. Muitas outras coisas poderiam ser olhadas, mas essas 5 já representariam um belo desafio para eles. Um grande abraço amigo, Celso Vallin - Sao Jose dos Campos (SP) -----Mensagem Original----- De: Luciana Salgado Para: escola2000@courses.yahoo.com Enviada em: Domingo, 10 de Fevereiro de 2002 23:59 Assunto: Re: [escola2000] RE: dúvidas Oi Eduardo, Aí está um típico exemplo de projeto de ensino. Ela tem o conceito, mas não entende na prática. Quer transversalizar o currículo, mas quer determinar o tema e as competências e habilidades a serem desenvolvidas em cada mês. Veja o que ela diz "Por consenso no mês de março vamos enfocar a mulher". Quem chegou a esse consenso? Provavelmente, estão no planejamento tentando amarrar todas as estratégias e conteúdos a serem trabalhados. Quando o aluno chegar, será massacrado pelo tema que será abordado em todas as disciplinas, cada uma dando seu devido enfoque. Provavelmente estes professores não sentarão mais juntos, não haverá re(planejamento). Ao final, vários trabalhos serão expostos e a agressividade entre meninos e meninas poderá continuar a mesma. Será que estou certa? Pensando nisso, algumas idéias surgiram... Acho que eles deveriam começar respondendo a última pergunta que ela fez: "Assim não estaríamos juntando artificialmente o que continua separado?" Depois, Edu, seria interessante sugerir a leitura, em grupo, do texto "Gera a escola expectativas que ela não pode cumprir" e também pedir que eles respondam a um conjunto de questões desafiadoras :<) que os leve a perceber que a escolha do tema deve ser feita pelo aluno, onde o desenvolvimento das competências e habilidades irão acontecer no processo. O resultado desta troca de idéias, poderia ser publicado na lista para que todos possam contribuir com suas idéias. O que você acha? Beijos Luciana ________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________ Message: 6 Date: Tue, 12 Feb 2002 02:37:46 +0000 From: Eduardo O C Chaves Subject: Desculpem o sumico... Estive sumido hoje, segunda-feira de Carnaval, porque o meu genro precisou voltar para Campinas e levou o notebook... Fiquei, de repentede, fora do mundo... Agora já li as várias mensagens que vocês escreveram. Respondo-as, no que couber, amanhã cedo. Espero que estejam descansando bem. Eduardo ________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________ Message: 7 Date: Tue, 12 Feb 2002 02:46:42 +0000 From: Eduardo O C Chaves Subject: Artiguete Para não dizer que passei o dia inteiro em branco, encaminho-lhes um artiguete que escrevi, a pedido, pelo Portal EducaRede (Fundação Telefónica / CENPEC), que será lançado proximamente. Os que vem lendo o material disponível na EAC não encontrarão muitas novidades. Mas serve para colocar alguns pingos nos is. Eduardo ================= Por que a Informática não tem Melhorado Significativamente a Escola? Eduardo O C Chaves Uma leitura, ainda que rápida, da literatura da área de Gerenciamento de Sistemas de Informação dos últimos 20-25 anos mostra que, durante boa parte desse período, as empresas, embora investissem pesadamente na automação de seus processos produtivos, comerciais e administrativos, não constatavam ganhos significativos de produtividade e rentabilidade, ou visível melhoria no escopo e na qualidade de seus produtos e serviços, que justificassem os investimentos feitos. Custou para que se percebesse que a mera automação de processos, sejam eles industriais, comerciais ou administrativos, concebidos para uma realidade tecnológica diferente, era equivalente ao "asfaltamento de trilhas de bois" -- ganhos e melhorias podem aparecer, mas não são significativos, diante dos investimentos necessários e das expectativas geradas. As novas tecnologias só começaram trazer retorno ao investimento e corresponder às expectativas, indo até mesmo além delas, quando se descobriu que uma nova realidade tecnológica exige uma nova maneira de fazer as coisas ? não apenas um pequeno aperfeiçoamento na antiga ? para que haja ganhos significativos de produtividade e melhoria na qualidade dos produtos e serviços. (Não se faz cinema colocando câmeras para filmar uma peça de teatro que acontece no palco). Assim, depois de um longo período de perplexidade, as empresas aprenderam (e as que não o fizeram não estão aqui para contar a história) que a mera introdução da tecnologia para automatizar ou alavancar processos (de produção, distribuição ou gestão) concebidos para a era industrial, embora trouxesse pequenos ganhos de eficiência, não as tornava capazes de atender às necessidades da era da informação - isto é, não as tornava eficazes na nova realidade que as confrontava. Para isso, era necessário que elas se reinventassem, isto é, que, primeiro, reconcebessem o seu negócio, e, depois, redefinissem a melhor maneira de promovê-lo, agora sim, com o apoio da tecnologia. Foi nada menos do que isso que propôs a reengenharia de processos: recomeçar do zero, colocando em xeque até princípios supostamente inquestionáveis no mundo dos negócios, como a divisão do trabalho e a especialização... Foi desta forma que a IBM, maior empresa de computadores do mundo, reconcebeu seu negócio como sendo a informação e se salvou da falência, e a ITT, maior empresa de telefonia do mundo, reconcebeu seu negócio como sendo a comunicação, e se salvou da obsolescência tecnológica. Apesar das deslavadas mentiras que a propaganda do governo federal proclama, a experiência tem mostrado que os resultados da introdução da tecnologia na escola têm ficado, até aqui e na maior parte dos casos, muito aquém das expectativas. Gostaria de sugerir que na educação as coisas não serão muito diferentes do que foram no mundo dos negócios. Se, antes, a escola não se reinventar, a introdução da tecnologia (aí inclusos os meios de comunicação de massa) na sala de aula pouco contribuirá para a melhoria da qualidade da educação que a escola torna disponível à população. Estaremos apenas testemunhando, nesse caso, mais um exemplo de asfaltamento de trilhas de bois. Para que a tecnologia possa contribuir decisivamente para a melhoria da qualidade da educação (pública ou privada), nada menos é necessário, hoje, do que, primeiro, reconceber as finalidades da educação e, por conseguinte da escola, para a nossa época, e, segundo, "reengenheirar" a escola para que ela possa promover esses fins (isto é, ser eficaz) - agora com a ajuda da tecnologia e em parceria com outras instituições que hoje se revestem de papel educacional (até porque a escola não vem exercendo seu papel a contento). Gostaria de sugerir que as concepções de educação como processo de transmissão da herança cultural da sociedade ou como processo de formação (formar = dar forma a, modelar) as crianças e adolescentes segundo um projeto político, necessariamente coletivo, de educação, precisam ser descartadas em favor de uma concepção de educação como processo de desenvolvimento humano, que nos ajuda a elaborar nossos projetos de vida e a desenvolver as competências e habilidades necessárias para transformá-los em realidade -- ou que nos ajuda a aprender a ser, a conviver, a fazer e a aprender, para usar os "Quatro Pilares" da UNESCO. Uma nova concepção de educação requer uma nova escola, cujo currículo não esteja voltado para a transmissão de informações organizadas em disciplinas, mas, sim, para o desenvolvimento de competências e habilidades organizadas ao redor dos "pilares"; cujo método de trabalho não seja voltado para aulas expositivas, quebradas em segmentos de 50 minutos, e organizadas em séries, mas, sim, para o desenvolvimento de projetos de aprendizagem, voltados para os interesses dos alunos (individualmente ou agrupados em função dos seus interesses, não de sua idade), e, por isso, necessariamente, transdisciplinares; cujo ator principal seja, não o professor, detentor das informações que a velha escola pretende transmitir, mas o aluno, de cujo desenvolvimento, de cuja aprendizagem e de cuja educação a escola deve se ocupar -- e assim por diante. "Reinventar o negócio" da escola e descobrir como "reengenheirar seus processos", "com o carro em movimento", é desenvolver uma verdadeira tecnologia social que, uma vez produzida e disseminada, poderá ajudar a escola brasileira a dar sua contribuição para que o país saia do vergonhoso sexagésimo nono lugar em que se encontra no Índice de Desenvolvimento Humano da UNESCO. O Programa "Sua Escola a 2000 por Hora", coordenado pelo Instituto Ayrton Senna, em parceria com a Microsoft, a Microtec e, regionalmente, a TCO - CentroOeste Celular, tem como objetivo principal desenvolver essa tecnologia. ============= ________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________