------------------------------------------------------------------------ There are 8 messages in this issue. Topics in this digest: 1. Re: Artiguete From: "Lenise Aparecida Martins Garcia" 2. Re: Vinho novo em odres velhos From: "Lenise Aparecida Martins Garcia" 3. Re: Vinho novo em odres velhos From: Luciana Salgado 4. Re: Artiguete From: Luciana Salgado 5. Re: Vinho novo em odres velhos From: Luciana Salgado 6. Re: O Fantasma do Tempo From: Luciana Salgado 7. Re: Dúvidas From: Luciana Salgado 8. Calçados Novos e Usados From: Luciana Salgado ________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________ Message: 1 Date: Tuesday, February 12, 2002 9:50 AM From: Lenise Aparecida Martins Garcia [mailto:lgarcia@unb.br] Subject: Re: [escola2000] Artiguete Eduardo, Acho que nao ha' de que pedir desculpas, dado que nenhum de nos tem a obrigacao de estar conectado neste Carnaval... Eu, por exemplo, nao escrevi nada ontem porque sai' no "Pacotao" e voltei completamente embriagada... ;-D Gostei do seu artiguete e vou aproveitar o "gancho" para 2 assuntos: > Gostaria de sugerir que na educação as coisas não serão muito > diferentes do que foram no mundo dos negócios. Se, antes, a escola não > se reinventar, a introdução da tecnologia (aí inclusos os meios de > comunicação de massa) na sala de aula pouco contribuirá para a > melhoria da qualidade da educação que a escola torna disponível à > população. Estaremos apenas testemunhando, nesse caso, mais um exemplo > de asfaltamento de trilhas de bois. > > Para que a tecnologia possa contribuir decisivamente para a melhoria > da qualidade da educação (pública ou privada), nada menos é > necessário, hoje, do que, primeiro, reconceber as finalidades da > educação e, por conseguinte da escola, para a nossa época, e, segundo, > "reengenheirar" a escola para que ela possa promover esses fins (isto > é, ser eficaz) - agora com a ajuda da tecnologia e em parceria com > outras instituições que hoje se revestem de papel educacional (até > porque a escola não vem exercendo seu papel a contento). Basicamente concordo, mas quero questionar um pouco esse "antes" e esse "primeiro". Parece-me que o uso da tecnologia - como o que estamos fazendo aqui - e' um excelente caminho para essa "reengenharia". Assim, vejo as coisas mais como concomitantes, ou ate' no sentido inverso, ou seja, a introducao da tecnologia [nao sozinha, obviamente] como uma "via" para o repensar da escola... > Gostaria de sugerir que as concepções de educação como processo de > transmissão da herança cultural da sociedade ou como processo de > formação (formar = dar forma a, modelar) as crianças e adolescentes > segundo um projeto político, necessariamente coletivo, de educação, > precisam ser descartadas em favor de uma concepção de educação como > processo de desenvolvimento humano, que nos ajuda a elaborar nossos > projetos de vida e a desenvolver as competências e habilidades > necessárias para transformá-los em realidade -- ou que nos ajuda a > aprender a ser, a conviver, a fazer e a aprender, para usar os "Quatro > Pilares" da UNESCO. Eu penso que todas essas coisas sao importantes e nao se excluem. Ja' tratamos um pouco a respeito. Nao podemos desprezar a heranca cultural da sociedade; nao vejo esse desprezo, por exemplo, no documento Delors - muito pelo contrario. Nao vejo a transmissao dessa heranca em contraste com o desenvolvimento humano, naturalmente se for feita adequadamente. Tambem discordo um pouco da leitura restritiva que voce faz da palavra "formacao". Quando ACGC fala de "formacao do jovem autonomo e solidario", nao penso que esteja falando de uma modelagem. Eu tambem uso o termo com certa frequencia, inclusive em sua forma reflexiva: formar-se. Nesse caso, penso que tambem nao caberia uma interpretacao no sentido de "colocar em uma forminha". Nao tenho nenhum apego ao termo e acho que, em muitas situacoes, pode ser substituido com vantagem pela palavra "desenvolvimento". Mas nao e' sempre o caso. Quando falamos, por exemplo, em "formacao continuada dos professores". Como isso poderia ser expresso de outro modo? > "Reinventar o negócio" da escola e descobrir como "reengenheirar seus > processos", "com o carro em movimento", é desenvolver uma verdadeira > tecnologia social que, uma vez produzida e disseminada, poderá ajudar > a escola brasileira a dar sua contribuição para que o país saia do > vergonhoso sexagésimo nono lugar em que se encontra no Índice de > Desenvolvimento Humano da UNESCO. Gostei muito dessa ideia de ter que fazer as coisas "com o carro em movimento". Acho que expressa bastante bem o nosso desafio. Vou voltar a esse ponto em outra mensagem. Abracos, Lenise ________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________ Message: 2 Date: Tuesday, February 12, 2002 10:16 AM From: Lenise Aparecida Martins Garcia [mailto:lgarcia@unb.br] Subject: Re: [escola2000] Re: Vinho novo em odres velhos Pessoal, Vou defender a criacao de uma "escola de guerrilheiros"... :-) Entre outras coisas, porque penso que esse e' o caminho que ja' temos marcado para trilhar neste ano. Gostei muito das contribuicoes da Lu, do Celso e do Castor. Concordo com o Celso quando ele diz: > Por outro lado, vejo também a importância de não desvalorizarmos > qualquer coisa só porque ela é antiga ou tradicional. Acho > importante criar o novo aproveitando o velho. Sem medo de > desmonta-lo, mas aproveitando o que for bom. > Penso que a atitude de examinar o que poderia ser aproveitado dentro > do que já existia é mais propositiva e analítica do que abandonarmos > tudo o que é velho. Agora vamos aos odres. Naturalmente nao sou eu quem vai desmentir Jesus Cristo, quando o Eduardo O cita... ;-)) E' problematico trabalhar em odres velhos. Eu disse em outra mensagem que estamos em odres velhos, o da escola publica brasileira. Temos em maos 56 odres velhos... Mas a meu ver tambem temos um odre novo, aquele que e' realmente o NOSSO [porque nao fazemos parte de nenhuma das 56 escolas]. Qual e' esse odre? E' o nosso "espaço", que e' um espaco de interacao: espaco em boa parte virtual, salpicado por momentos presenciais - que ja' nao estarao ligados a nenhuma escola, mas sempre serao oportunidade de interacao, de aprendizagem colaborativa. Acho que, nas nossas discussoes, estamos confundindo um pouco os 2 ambitos: o "praticario" das escolas e o nosso. Ficamos discutindo como AS ESCOLAS devem agir e por isso nao estamos conseguindo focar muito como NÓS devemos agir. Sei que as 2 coisas sao muito relacionadas, mas sao diferentes. Acho que estarmos mais "distantes" de escolas individuais, neste ano, vai facilitar a distincao. A meu ver o nosso principal papel e' propiciar espaços de discussao, que questionamento, de aprendizagem e desaprendizagem... Temos que pensar como "trazer" as escolas realmente para esses espaços, porque "levar" coisas desses espaços para as escolas e' tarefa deles. São esses espaços que eu acho que tem que ser "escolas de guerrilheiros"... Nao sei se fui clara e espero que a CIA nao intercepte a mensagem... :-)) Abracos, Lenise ________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________ Message: 3 Date: Tuesday, February 12, 2002 11:06 AM From: Luciana Salgado [mailto:lsalgado@uol.com.br] Subject: Re: [escola2000] Re: Vinho novo em odres velhos Oi Le, Acho que você foi claríssima e feliz nas suas colocações. Mais tarde tecerei meus comentários. Agora vou dar um mergulho :<) Beijos Lu ----- Original Message ----- From: Lenise Aparecida Martins Garcia To: escola2000@courses.yahoo.com Sent: Tuesday, February 12, 2002 10:15 AM Subject: Re: [escola2000] Re: Vinho novo em odres velhos Pessoal, Vou defender a criacao de uma "escola de guerrilheiros"... :-) Entre outras coisas, porque penso que esse e' o caminho que ja' temos marcado para trilhar neste ano. Gostei muito das contribuicoes da Lu, do Celso e do Castor. Concordo com o Celso quando ele diz: > Por outro lado, vejo também a importância de não desvalorizarmos qualquer > coisa só porque ela é antiga ou tradicional. Acho importante criar o novo > aproveitando o velho. Sem medo de desmonta-lo, mas aproveitando o que for bom. > Penso que a atitude de examinar o que poderia ser aproveitado dentro do > que já existia é mais propositiva e analítica do que abandonarmos tudo > o que é velho. Agora vamos aos odres. Naturalmente nao sou eu quem vai desmentir Jesus Cristo, quando o Eduardo O cita... ;-)) E' problematico trabalhar em odres velhos. Eu disse em outra mensagem que estamos em odres velhos, o da escola publica brasileira. Temos em maos 56 odres velhos... Mas a meu ver tambem temos um odre novo, aquele que e' realmente o NOSSO [porque nao fazemos parte de nenhuma das 56 escolas]. Qual e' esse odre? E' o nosso "espaço", que e' um espaco de interacao: espaco em boa parte virtual, salpicado por momentos presenciais - que ja' nao estarao ligados a nenhuma escola, mas sempre serao oportunidade de interacao, de aprendizagem colaborativa. Acho que, nas nossas discussoes, estamos confundindo um pouco os 2 ambitos: o "praticario" das escolas e o nosso. Ficamos discutindo como AS ESCOLAS devem agir e por isso nao estamos conseguindo focar muito como NÓS devemos agir. Sei que as 2 coisas sao muito relacionadas, mas sao diferentes. Acho que estarmos mais "distantes" de escolas individuais, neste ano, vai facilitar a distincao. A meu ver o nosso principal papel e' propiciar espaços de discussao, que questionamento, de aprendizagem e desaprendizagem... Temos que pensar como "trazer" as escolas realmente para esses espaços, porque "levar" coisas desses espaços para as escolas e' tarefa deles. São esses espaços que eu acho que tem que ser "escolas de guerrilheiros"... Nao sei se fui clara e espero que a CIA nao intercepte a mensagem... :-)) Abracos, Lenise ________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________ Message: 4 Date: Tuesday, February 12, 2002 7:30 PM From: Luciana Salgado [mailto:lsalgado@uol.com.br] Subject: Re: [escola2000] Artiguete Oi Eduardo, Gostei do texto. Realmente ele sintetiza nossa discussão. A única coisa é que ele também nos mostra o quanto ainda estamos longe da tecnologia social que queremos desenvolver. Ou seja, temos muito trabalho pela frente! Um beijo Lu ----- Original Message ----- From: Eduardo O C Chaves To: eac@escola2000.net Sent: Monday, February 11, 2002 11:46 PM Subject: [escola2000] Artiguete Para não dizer que passei o dia inteiro em branco, encaminho-lhes um artiguete que escrevi, a pedido, pelo Portal EducaRede (Fundação Telefónica / CENPEC), que será lançado proximamente. Os que vem lendo o material disponível na EAC não encontrarão muitas novidades. Mas serve para colocar alguns pingos nos is. Eduardo ================= Por que a Informática não tem Melhorado Significativamente a Escola? Eduardo O C Chaves Uma leitura, ainda que rápida, da literatura da área de Gerenciamento de Sistemas de Informação dos últimos 20-25 anos mostra que, durante boa parte desse período, as empresas, embora investissem pesadamente na automação de seus processos produtivos, comerciais e administrativos, não constatavam ganhos significativos de produtividade e rentabilidade, ou visível melhoria no escopo e na qualidade de seus produtos e serviços, que justificassem os investimentos feitos. Custou para que se percebesse que a mera automação de processos, sejam eles industriais, comerciais ou administrativos, concebidos para uma realidade tecnológica diferente, era equivalente ao "asfaltamento de trilhas de bois" -- ganhos e melhorias podem aparecer, mas não são significativos, diante dos investimentos necessários e das expectativas geradas. As novas tecnologias só começaram trazer retorno ao investimento e corresponder às expectativas, indo até mesmo além delas, quando se descobriu que uma nova realidade tecnológica exige uma nova maneira de fazer as coisas ? não apenas um pequeno aperfeiçoamento na antiga ? para que haja ganhos significativos de produtividade e melhoria na qualidade dos produtos e serviços. (Não se faz cinema colocando câmeras para filmar uma peça de teatro que acontece no palco). Assim, depois de um longo período de perplexidade, as empresas aprenderam (e as que não o fizeram não estão aqui para contar a história) que a mera introdução da tecnologia para automatizar ou alavancar processos (de produção, distribuição ou gestão) concebidos para a era industrial, embora trouxesse pequenos ganhos de eficiência, não as tornava capazes de atender às necessidades da era da informação - isto é, não as tornava eficazes na nova realidade que as confrontava. Para isso, era necessário que elas se reinventassem, isto é, que, primeiro, reconcebessem o seu negócio, e, depois, redefinissem a melhor maneira de promovê-lo, agora sim, com o apoio da tecnologia. Foi nada menos do que isso que propôs a reengenharia de processos: recomeçar do zero, colocando em xeque até princípios supostamente inquestionáveis no mundo dos negócios, como a divisão do trabalho e a especialização... Foi desta forma que a IBM, maior empresa de computadores do mundo, reconcebeu seu negócio como sendo a informação e se salvou da falência, e a ITT, maior empresa de telefonia do mundo, reconcebeu seu negócio como sendo a comunicação, e se salvou da obsolescência tecnológica. Apesar das deslavadas mentiras que a propaganda do governo federal proclama, a experiência tem mostrado que os resultados da introdução da tecnologia na escola têm ficado, até aqui e na maior parte dos casos, muito aquém das expectativas. Gostaria de sugerir que na educação as coisas não serão muito diferentes do que foram no mundo dos negócios. Se, antes, a escola não se reinventar, a introdução da tecnologia (aí inclusos os meios de comunicação de massa) na sala de aula pouco contribuirá para a melhoria da qualidade da educação que a escola torna disponível à população. Estaremos apenas testemunhando, nesse caso, mais um exemplo de asfaltamento de trilhas de bois. Para que a tecnologia possa contribuir decisivamente para a melhoria da qualidade da educação (pública ou privada), nada menos é necessário, hoje, do que, primeiro, reconceber as finalidades da educação e, por conseguinte da escola, para a nossa época, e, segundo, "reengenheirar" a escola para que ela possa promover esses fins (isto é, ser eficaz) - agora com a ajuda da tecnologia e em parceria com outras instituições que hoje se revestem de papel educacional (até porque a escola não vem exercendo seu papel a contento). Gostaria de sugerir que as concepções de educação como processo de transmissão da herança cultural da sociedade ou como processo de formação (formar = dar forma a, modelar) as crianças e adolescentes segundo um projeto político, necessariamente coletivo, de educação, precisam ser descartadas em favor de uma concepção de educação como processo de desenvolvimento humano, que nos ajuda a elaborar nossos projetos de vida e a desenvolver as competências e habilidades necessárias para transformá-los em realidade -- ou que nos ajuda a aprender a ser, a conviver, a fazer e a aprender, para usar os "Quatro Pilares" da UNESCO. Uma nova concepção de educação requer uma nova escola, cujo currículo não esteja voltado para a transmissão de informações organizadas em disciplinas, mas, sim, para o desenvolvimento de competências e habilidades organizadas ao redor dos "pilares"; cujo método de trabalho não seja voltado para aulas expositivas, quebradas em segmentos de 50 minutos, e organizadas em séries, mas, sim, para o desenvolvimento de projetos de aprendizagem, voltados para os interesses dos alunos (individualmente ou agrupados em função dos seus interesses, não de sua idade), e, por isso, necessariamente, transdisciplinares; cujo ator principal seja, não o professor, detentor das informações que a velha escola pretende transmitir, mas o aluno, de cujo desenvolvimento, de cuja aprendizagem e de cuja educação a escola deve se ocupar -- e assim por diante. "Reinventar o negócio" da escola e descobrir como "reengenheirar seus processos", "com o carro em movimento", é desenvolver uma verdadeira tecnologia social que, uma vez produzida e disseminada, poderá ajudar a escola brasileira a dar sua contribuição para que o país saia do vergonhoso sexagésimo nono lugar em que se encontra no Índice de Desenvolvimento Humano da UNESCO. O Programa "Sua Escola a 2000 por Hora", coordenado pelo Instituto Ayrton Senna, em parceria com a Microsoft, a Microtec e, regionalmente, a TCO - CentroOeste Celular, tem como objetivo principal desenvolver essa tecnologia. ============= ________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________ Message: 5 Date: Tuesday, February 12, 2002 7:49 PM From: Luciana Salgado [mailto:lsalgado@uol.com.br] Subject: Re: [escola2000] Re: Vinho novo em odres velhos Oi Lenise, Agora que já tomei meu solzinho, posso voltar as discussões. :<) Quando falei,de manhã, que concordava plenamente com você, me referi ao seguinte trecho: "Mas a meu ver tambem temos um odre novo, aquele que e' realmente o NOSSO [porque nao fazemos parte de nenhuma das 56 escolas]. Qual e' esse odre? E' o nosso "espaço", que e' um espaco de interacao: espaco em boa parte virtual, salpicado por momentos presenciais - que ja' nao estarao ligados a nenhuma escola, mas sempre serao oportunidade de interacao, de aprendizagem colaborativa." Dez, Le. Fiquei analisando as minhas ações no ano passado e tem tudo a ver com o que você disse. Em muitas das visitas, tinha a preocupação de saber como estavam trabalhando, querer "formá-los" para trabalhar dentro da nossa proposta, querer interferir no dia-a-dia da escola. Se conseguirmos organizar nosso comunidade virtual de tal forma que eles participem das atividades colaborativas dentro do ambiente e que, de alguma forma, isso acabe se revertendo em algum benefício para escola, conseguiremos ter algumas mudanças significativas. Tenho a impressão que as idéias estão começando a clarear e algumas alternativas de trabalho estão começando a delinear-se. E pra vocês? Beijos Lu ----- Original Message ----- From: Lenise Aparecida Martins Garcia To: escola2000@courses.yahoo.com Sent: Tuesday, February 12, 2002 10:15 AM Subject: Re: [escola2000] Re: Vinho novo em odres velhos Pessoal, Vou defender a criacao de uma "escola de guerrilheiros"... :-) Entre outras coisas, porque penso que esse e' o caminho que ja' temos marcado para trilhar neste ano. Gostei muito das contribuicoes da Lu, do Celso e do Castor. Concordo com o Celso quando ele diz: > Por outro lado, vejo também a importância de não desvalorizarmos > qualquer coisa só porque ela é antiga ou tradicional. Acho > importante criar o novo aproveitando o velho. Sem medo de > desmonta-lo, mas aproveitando o que for bom. > Penso que a atitude de examinar o que poderia ser aproveitado dentro > do que já existia é mais propositiva e analítica do que abandonarmos > tudo o que é velho. Agora vamos aos odres. Naturalmente nao sou eu quem vai desmentir Jesus Cristo, quando o Eduardo O cita... ;-)) E' problematico trabalhar em odres velhos. Eu disse em outra mensagem que estamos em odres velhos, o da escola publica brasileira. Temos em maos 56 odres velhos... Mas a meu ver tambem temos um odre novo, aquele que e' realmente o NOSSO [porque nao fazemos parte de nenhuma das 56 escolas]. Qual e' esse odre? E' o nosso "espaço", que e' um espaco de interacao: espaco em boa parte virtual, salpicado por momentos presenciais - que ja' nao estarao ligados a nenhuma escola, mas sempre serao oportunidade de interacao, de aprendizagem colaborativa. Acho que, nas nossas discussoes, estamos confundindo um pouco os 2 ambitos: o "praticario" das escolas e o nosso. Ficamos discutindo como AS ESCOLAS devem agir e por isso nao estamos conseguindo focar muito como NÓS devemos agir. Sei que as 2 coisas sao muito relacionadas, mas sao diferentes. Acho que estarmos mais "distantes" de escolas individuais, neste ano, vai facilitar a distincao. A meu ver o nosso principal papel e' propiciar espaços de discussao, que questionamento, de aprendizagem e desaprendizagem... Temos que pensar como "trazer" as escolas realmente para esses espaços, porque "levar" coisas desses espaços para as escolas e' tarefa deles. São esses espaços que eu acho que tem que ser "escolas de guerrilheiros"... Nao sei se fui clara e espero que a CIA nao intercepte a mensagem... :-)) Abracos, Lenise ________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________ Message: 6 Date: Tuesday, February 12, 2002 8:11 PM From: Luciana Salgado [mailto:lsalgado@uol.com.br] Subject: Re: [escola2000] O fantasma do tempo Oi Celso, Destaco dois trechos que achei bem interessante: "Olhando agora para as escolas, professores e alunos, penso que devamos antes analisar cada caso e ajudarmos para que eles atinjam o equilíbrio. Nem estressados pela demanda de prioridades, nem o descompromisso e falta de sonhos. Alguns precisariam de ajuda para aprenderem a otimizar o tempo. Outros, já fazem isso (estando com alunos 56 aulas por semana) e precisam de ajuda para olhar a vida e a escola de forma mais ampla." "Algumas vezes, penso eu, temos dificuldade de te-los ao nosso lado, para podermos conversar. Sinto muita falta de continuidade nas conversas. Sinto falta de acompanhar o que cada grupo está fazendo e como está fazendo. Sinto as conversas muito pontuais." Em relação ao primeiro trecho, se formos analisar de acordo com a reflexão que a Lenise nos trouxe, não temos que analisar cada caso, ou seja, ver cada escola. Elas que terão que se perceber em um grupo como você coloca no final deste parágrafo. Já no outro parágrafo, também seguindo a linha da Lenise, se conseguirmos desenvolver uma comunidade virtual atrativa, que gere reflexão, aprendizagem e troca de experiências, com certeza os teremos bem perto de nós e as conversas deixarão de ser pontuais. O que você acha Celso? Beijos Luciana ________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________ Message: 7 Date: Tuesday, February 12, 2002 8:22 PM From: Luciana Salgado [mailto:lsalgado@uol.com.br] Subject: Re: [escola2000] RE: dúvidas Oi Celso, Eu acrescentaria mais uma.... 6. Fazer com que esse produto final resulte, nem que seja, em pequenas ações efetivas de conscientização ou melhora das condições de vida, meio ambiente, etc. da comunidade. Me lembro que, no ano passado, coloquei na lista uma definição de projeto que diz, mais ou menos, assim (não achei a definição agora) "Um projeto nasce de um sonho que deverá se tornar realidade". Você lembra dessa definição, Eduardo? Beijos Luciana ----- Original Message ----- From: Celso Vallin To: escola2000@courses.yahoo.com Sent: Tuesday, February 12, 2002 7:43 PM Subject: Re: [escola2000] RE: dúvidas É isso mesmo Lu. Esqueceram de mim (os alunos) II. Entendo que as habilidades e competências podem ser um olhar sobre o que vai acontecendo, mas não uma nova sequencia lógica e estável, como foi feito com os conteúdos (e disciplinas). Penso que trabalhar por projetos seja criar ambientes de aprendizagem independentemente do que se está aprendendo. Qualquer coisa para a qual um grupo de alunos se ligue será válida, desde que eles saiam da mesmice, desde que se questionem, desde que mantenham um diálogo democrático entre todos, desde que se coloquem abertos para o mundo de fora da escola, desde que se coloquem desafios práticos... Se os professores toparem... 1- trabalhar em equipe (nem que seja de 3 professores) 2- fazer plano, aplicar e depois analisar (em equipe). 3- considerar os alunos (desde o planejamento até as avaliações). 4- colocar para si mesmos um produto final, que seja bem prático, útil, possível e desafiador. 5- mostrar para quem estiver de fora o que estão fazendo (registros) durante todo o percurso e deixar que dêem palpites. ... já será um belíssimo avanço. Muitas outras coisas poderiam ser olhadas, mas essas 5 já representariam um belo desafio para eles. Um grande abraço amigo, Celso Vallin - Sao Jose dos Campos (SP) -----Mensagem Original----- De: Luciana Salgado Para: escola2000@courses.yahoo.com Enviada em: Domingo, 10 de Fevereiro de 2002 23:59 Assunto: Re: [escola2000] RE: dúvidas Oi Eduardo, Aí está um típico exemplo de projeto de ensino. Ela tem o conceito, mas não entende na prática. Quer transversalizar o currículo, mas quer determinar o tema e as competências e habilidades a serem desenvolvidas em cada mês. Veja o que ela diz "Por consenso no mês de março vamos enfocar a mulher". Quem chegou a esse consenso? Provavelmente, estão no planejamento tentando amarrar todas as estratégias e conteúdos a serem trabalhados. Quando o aluno chegar, será massacrado pelo tema que será abordado em todas as disciplinas, cada uma dando seu devido enfoque. Provavelmente estes professores não sentarão mais juntos, não haverá re(planejamento). Ao final, vários trabalhos serão expostos e a agressividade entre meninos e meninas poderá continuar a mesma. Será que estou certa? Pensando nisso, algumas idéias surgiram... Acho que eles deveriam começar respondendo a última pergunta que ela fez: "Assim não estaríamos juntando artificialmente o que continua separado?" Depois, Edu, seria interessante sugerir a leitura, em grupo, do texto "Gera a escola expectativas que ela não pode cumprir" e também pedir que eles respondam a um conjunto de questões desafiadoras :<) que os leve a perceber que a escolha do tema deve ser feita pelo aluno, onde o desenvolvimento das competências e habilidades irão acontecer no processo. O resultado desta troca de idéias, poderia ser publicado na lista para que todos possam contribuir com suas idéias. O que você acha? Beijos Luciana ________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________ Message: 8 Date: Wednesday, February 13, 2002 12:04 AM From: Luciana Salgado [mailto:lsalgado@uol.com.br] Subject: [escola2000] Calçados Novos e Usados Olá pessoal! Gostaria de discutir esse texto com vocês. Beijos Luciana **************************** CALÇADO NOVO E USADOS Pedagogia do Bom Senso Célestin Freinet Seja prudente com a novidade. Nunca a procure por ela mesma, mas pela melhoria que poderá proporcionar ao seu trabalho e a sua vida. Essa melhoria depende tanto de você como da própria novidade. A roupa nova que você comprou só lhe ficará realmente bem quando você a tiver feito sua, ajustada ao seu corpo, adaptada aos seus gestos e à sua maneira de ser. Esses sapatos novos, bons e bonitos que você acabou de comprar, você só os desfrutará verdadeiramente quando os tiver desgastado, quando, depois de um período maios ou menos longo e penoso, dependendo da qualidade do calçado e da sensibilidade dos pés, você tiver realmente se apropriado deles, a ponto de ninguém, além de você, poder usá-los com a mesma satisfação. Durante muito tempo, ao voltar para casa depois de uma caminhada, ainda é nos seus velhos sapatos que você descansará os pés doloridos. Você deve adotar, com a mesma prudência, as técnicas modernas, procurando as que - fruto de trabalhadores experimentados - lhes pareçam mais aptas para enfrentar os cismos a que você terá que subir: não se admire se, a princípio, não forem absolutamente utilizáveis. Desgaste-as, faça-as suas; não tenha nenhum escrúpulo em voltar, de tempos em tempos, aos métodos anteriores que já estejam mais ajustados à sua classe e ao seu temperamento de educador. Então você voltará com mais ousadia e mais entusiasmo para a vida nova que o espera. Não é a novidade que deve atrair e guiar, mas a vida. Não espere que os sapatos se gastem a ponto de você ter de voltar para casa com a sola batendo, para comprar e amaciar sapatos novos; ou então a ponto de, no inverno, a neve e o frio os encharcarem e atravessarem um couro gasto. Há certos indivíduos que temos a impressão de sempre ter visto raspando o chão com sapatos gastos, cujo couro endurecido formou pregas pré-históricas. E outros que parecem igualmente inconformados com sapatos eternamente novos, que eles não conseguem domar e lhes impõe um andar rígido e automático. Não seja nem o tradicionalista endurecido nem o inovador caçador de aventuras. Procure, conosco, técnicas práticas e flexíveis; desgaste-as conosco, na experiência coletiva, faça-as suas até marcá-las com a sua maneira de andar e com seu temperamento. Conosco, então, você poderá seguir com entusiasmo e certeza na calorosa caminhada para o futuro. ________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________ Digest reconstituído por Eduardo Chaves