------------------------------------------------------------------------ There are 10 messages in this issue. Topics in this digest: 1. Re: RE: dúvidas From: "Lenise Aparecida Martins Garcia" 2. RE: Liderancas (ex O fantasma do tempo) From: "Maria Isabel Guimaraes" 3. RES: Grades [Era: duvidas] From: "Ney Mourao" 4. RE: Grades [Era: duvidas] From: "Eduardo O C Chaves" 5. Re: Grades [Era: duvidas] From: "RubeM Paulo Torri Saldanha" 6. Re: Grades [Era: duvidas] From: "Luciana Salgado" 7. Pedagogia não diretiva From: "Luciana Salgado" 8. Re: duvidas From: "Lenise Aparecida Martins Garcia" 9. sala de aula From: "Lenise Aparecida Martins Garcia" 10. Re: Pedagogia não diretiva From: "Lenise Aparecida Martins Garcia" ________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________ Message: 1 Date: Thu, 14 Feb 2002 10:04:28 -0300 From: "Lenise Aparecida Martins Garcia" Subject: Re: RE: dúvidas Eduardo, > Mexer "na grade" disciplinar. Colocar projetos "na grade". Será que a > razão pela qual chamamos a coisa de "grade" não está no fato de que > ela nos prende? Por que precisamos ter uma "grade", seja de > disciplinas, seja de projetos??? Acho que estamos totalmente de acordo quanto aos objetivos finais. Acho que voce sabe que eu uso de proposito essa palavra "grade" com o sentido de estarmos engradados nas escolas: grades de ferro por fora, grades curriculares, grades de horario por dentro... Nao tenho a menor duvida de que temos que sair disso. [E concordo com todas as suas criticas ao projeto "mulher"]. A nossa questao e' o MODO de fazer isso. Tentativas parciais sao totalmente nao-validas? Ou mexemos em tudo ou nao mexemos em nada? Ou temos projetos totalmente livres [acho que nao sou a favor de TOTALMENTE livres...] ou mantemos tudo como esta'? Nesse sentido e' que coloquei minhas duvidas [sao duvidas mesmo, acho que temos que discutir] com relacao a praticar um ou outro dos principios, em determinadas situacoes. Nao desgostei do texto dos sapatos velhos enviado pela Lu. "Revolucoes gradativas" podem ser mais eficazes do que as violentas, que muitas vezes redundam em contra-revolucoes... Acho que isso depende muito de cada situacao especifica. Lembrei-me, por exemplo, de Gorbachev. A "glasnost" dele certamente deixava muito a desejar. Mas ele iniciou o processo que era possivel, naquele momento e naquelas circunstancias. Acho que nao pretendia que chegasse onde chegou... mas detonou um processo que depois o ultrapassou. Penso que muitas mudancas acontecem assim. Acho que nao podemos deixar de olhar o horizonte que queremos alcancar. Mas tambem temos que olhar o proximo passo... Abracos, Lenise > Por que precisamos ter projetos que durem um mês? Durante este mês > estudaremos as mulheres (como se alguém pudesse aprender algo sobre > assunto tão escorregadio em tão pouco tempo). Por que não deixar que > as mulheres estudem os homens? Ou, para que não pareça tudo muito > heteressexual, que cada um estude a categoria sexual (ou de gênero) > que quiser? E por que categoria sexual (ou de gênero)? Por que não > estudar músicos, poetas, escritores (de qualquer sexo/gênero)? Por que > não estudar abelhas e zangões? formigas? cigarras? Rubinho > Barrichello? > > Por que todo mundo tem que estudar a mesma coisa (durante o mesmo > tempo)? > > Será que nunca vamos desaprender a velha forma de fazer as coisas? > Será que em vez de estudar algo durante 50 minutos nós agora vamos > estudar em 30 dias? Por que um é menos artificial do que o outro? > > O mais interessante da metodologia de projetos é deixar os alunos > pesquisarem aquilo que LHES interessa, que interessa a eles, alunos. > Interessa a mulheres estudar a mulher? Talvez sim, para algumas; > talvez não, para outras, que prefiram estudar os homens. > > E assim vai. É possível ter uma escola em que a liberdade de escolha > dos alunso valha alguma coisa? > > Eduardo > > -----Original Message----- > From: Lenise Aparecida Martins Garcia [mailto:lgarcia@unb.br] > Sent: Wednesday, February 13, 2002 4:08 PM > To: escola2000@courses.yahoo.com > Subject: Re: [escola2000] RE: dúvidas > > > Eduardo, Lu, Celso e todos > > Eu fiquei aqui amadurecendo as minhas proprias duvidas... > > Concordo com as criticas feitas por Lu e Celso. Concordo tambem com o > que colocaram, que me parece serem as bases para se trabalhar por > projetos. Entretanto, ainda nao chegamos à ideia de "projetos na > grade" colocada pela Neusa. Em quase todas as escolas, acho, estao > ocorrendo projetos seguindo essas ideias, nao? Mas paralelamente à > grade disciplinar, sem mexer nela. > > A Neusa quer mexer na grade disciplinar. Penso que isso e' algo a ser > incentivado, mesmo que nao seja feito, de inicio, do modo mais > adequado. E' um inicio de ruptura com o velho, que aos poucos pode ir > assumindo outros aspectos. Ou nao? Os nossos principios so' "fazem > efeito" se estiverem todos ao mesmo tempo? Convem incentivar > aplicacoes parciais? Acho que e' o que temos que perguntar-nos... > > Pessoalmente, tenho alguma boa experiencia com essa "inversao de > transversalidade". Depois que o professor consegue se desprender do > livro didatico e do quadro, começa a pensar em habilidades, outras > coisas vao acontecendo. Ele mesmo, ou os alunos, ou os colegas, vao > percebendo as falhas de planejamento [ou o excesso dele]. Pode > acontecer, sim, de ficar um projeto "desconfigurado"; mas a propria > Neusa ja' esta' fazendo essa critica com antecedencia... acho que pode > aprender muito no andar da carruagem. > > A minha sugestao seria de que ela trouxesse o assunto aa baila na > lista... Poderiamos trabalhar um pouco em cima do exemplo concreto, ir > dando e colhendo sugestoes. Ou ela nao se sente aa vontade para fazer > isso? Se nao se sentir, ja' nao temos ai' outro "indicador" > interessante? Acho importante discutirmos essas coisas JUNTO com as > escolas. > > Alias, acho que discussao curricular e' um assunto que daria um otimo > "grupo de aprendizagem"... > > O que voces acham? > > Abracos, > Lenise > > > É isso mesmo Lu. Esqueceram de mim (os alunos) II. > > Entendo que as habilidades e competências podem ser um olhar sobre > > o que vai acontecendo, mas não uma nova sequencia lógica e estável, > > como foi feito com os conteúdos (e disciplinas). > > > > Penso que trabalhar por projetos seja criar ambientes de > > aprendizagem independentemente do que se está aprendendo. Qualquer > > coisa para a qual um grupo de alunos se ligue será válida, > > desde que eles saiam da mesmice, desde que se questionem, desde > > que mantenham um diálogo democrático entre todos, desde que se > > coloquem abertos para o mundo de fora da escola, desde que se > > coloquem desafios práticos... > > > > Se os professores toparem... > > 1- trabalhar em equipe (nem que seja de 3 professores) > > 2- fazer plano, aplicar e depois analisar (em equipe). > > 3- considerar os alunos (desde o planejamento até as avaliações). > > 4- colocar para si mesmos um produto final, que seja bem prático, > > útil, possível e desafiador. > > 5- mostrar para quem estiver de fora o que estão fazendo > > (registros) durante todo o percurso e deixar que dêem palpites. > > ... já será um belíssimo avanço. Muitas outras coisas poderiam ser > > olhadas, mas essas 5 já representariam um belo desafio para eles. > > > > Um grande abraço amigo, > > > > Celso Vallin - Sao Jose dos Campos (SP) > > > > -----Mensagem Original----- > > De: Luciana Salgado > > Para: escola2000@courses.yahoo.com > > Enviada em: Domingo, 10 de Fevereiro de 2002 23:59 > > Assunto: Re: [escola2000] RE: dúvidas > > > > > > Oi Eduardo, > > > > Aí está um típico exemplo de projeto de ensino. Ela tem o > > conceito, mas não entende na prática. Quer transversalizar o currículo, mas > > quer determinar o tema e as competências e habilidades a serem desenvolvidas > > em cada mês. Veja o que ela diz "Por consenso no mês de março vamos enfocar a > > mulher". > > > > Quem chegou a esse consenso? Provavelmente, estão no planejamento > > tentando amarrar todas as estratégias e conteúdos a serem trabalhados. > > Quando o aluno chegar, será massacrado pelo tema que será abordado em > > todas as disciplinas, cada uma dando seu devido enfoque. Provavelmente > > estes professores não sentarão mais juntos, não haverá re(planejamento). > > Ao final, vários trabalhos serão expostos e a agressividade entre > > meninos e meninas poderá continuar a mesma. Será que estou certa? > > > > Pensando nisso, algumas idéias surgiram... > > > > Acho que eles deveriam começar respondendo a última pergunta que > > ela fez: > > > > "Assim não estaríamos juntando artificialmente o que continua > > separado?" > > > > Depois, Edu, seria interessante sugerir a leitura, em grupo, do > > texto "Gera a escola expectativas que ela não pode cumprir" e também > > pedir que eles respondam a um conjunto de questões desafiadoras :<) > > que os leve a perceber que a escolha do tema deve ser feita pelo aluno, > > onde o desenvolvimento das competências e habilidades irão acontecer no > > > > processo. > > > > O resultado desta troca de idéias, poderia ser publicado na > > lista para que todos possam contribuir com suas idéias. O que você acha? > > > > Beijos > > Luciana ________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________ Message: 2 Date: Thu, 14 Feb 2002 11:00:28 -0300 From: "Maria Isabel Guimaraes" Subject: RE: Liderancas (ex O fantasma do tempo) Eduardo, Acho que você falou de maneira muito clara qual é a nossa função. Se pensarmos em trabalhar com um grupo, desenvolvendo lideranças, poderemos conseguir maior sucesso em nossa ação. A minha dúvida é: será que com esse grupo mais restrito "podemos pretender" uma mudança mais radical? Será que os passos gradativos, que a Lenise fala, poderiam ser em relação à quantidade de pessoas envolvidas e não em relação à qualidade da mudança. Está dando para entender o que eu estou falando? Por exemplo: será que a Neusa, com um grupo pequeno de professores não poderia trabalhar com projetos como realmente deve ser? Ou será que é melhor ela trabalhar o projeto "mulher" envolvendo todos (?) os professores da escola? Também me pergunto como ficariam os alunos nessa situação, onde uns professores trabalham de um jeito e outros de outro. São dúvidas. Beijos, Bel -----Original Message----- From: Eduardo O C Chaves [mailto:eduardo@chaves.com.br] Sent: quinta-feira, 14 de fevereiro de 2002 01:09 To: escola2000@courses.yahoo.com Subject: RE: [escola2000] O fantasma do tempo Acho que temos que desenvolver lideranças nas escolas com condições de criar, lá, as comunidades que gerem reflexão, aprendizagem e troca de experiências (comunidades presenciais, virtuais, ou mistura de ambas). Nós, IAS, incluindo os orientadores, não vamos conseguir alcançar diretamente toda a comunidade das escolas. Acho que parte de nossa tecnologia social deve envolver a descoberta (ou invenção) de como desenvolver líderes nas escolas que possam fazer a mesma coisa com outros, até que a maior parte da comunidade escolar esteja envolvida. Não é aí que está a "sacada magistral" de centrar a estratégia de ação no fazer, em ambientes restritos, para, depois, influir para que os outros façam e, depois, também influam, e assim por diante? O que tem isso que ver com "o fantasma do tempo"? Eduardo ________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________ Message: 3 Date: Thu, 14 Feb 2002 12:18:00 -0300 From: "Ney Mourao" Subject: RES: Grades [Era: duvidas] Ol@ a todos! Plagiando Rubem Paulo, irei comentando algumas questões aqui e ali, para não cansar meus amigos... Com relaÇão a esta história de “grade”, gostaria de comentar um episódio interessante, que presenciei em Araxá, em minha última visita presencial. Minha presença por lá coincidiu com a realização, no turno da manhã, de uma reunião na Secretaria de Educação, envolvendo professores e a Secretaria na montagem do “quadro” curricular. Por lá, a Secretária, após a palestra do Eduardo Chaves, não gosta do termo “grade”; preferem o eufemismo “quadro”. É a primeira vez que a Secretaria abre a discussão sobre a elaboração do quadro curricular para os professores – e a Escola Leonilda Montandon, parceira do Sua Escola, teve influência decisiva nesta abertura, cobrando diretamente junto à secretária, batendo continuamente na tecla em reuniões e encontros com educadores. A presença maior de professores, inclusive, era do Leonilda. A reunião, que começou às 9:30, com previsão para término às 11:30. Isso mesmo: o objetivo era discutir e montar todo o “ano escolar” em duas horas. A primeira parte da reunião tinha uma proposta pra lá de interessante: dividiu-se o grupo de cerca de quarenta profissionais em cinco subgrupos. Cada um recebeu um texto para discutir e responder, com base no seu conteúdo, um “conjunto de questões desafiadoras”. Questões, por sinal, tão complexas quanto as com as quais temos nos envolvido por aqui. Conteúdos de Freinet, de Paulo Freire, Montessori, Escola Sagarana, Goodson, Durkheim, Perrenoud e temas como “Formação Humana X Competências”, “Ensino Propedêutico X Formação Profissional”, “Universalismo X Multiculturalismo”, “Currículo por disciplinas X Currículo Integrado”, dentre outros, pipocaram nos sub-grupos. As discussões acaloradas foram resumidas em flip-charts que deveriam ser apresentadas aos demais grupos, na plenária final. Ocorreu, no entanto, que o grupo de número 5 teve a missão de discutir o seu texto e apresentar, no final, a proposta de “grade”, que seria discutida por todos, como a proposta a ser apresentada à Secretaria para aprovação – uma espécie de lista prévia de disciplinas e horários semanais. Aí aconteceu o que, como “sapo de fora”, encarei como um processo esquizóide de comportamento. Ora, tudo o que estava sendo discutido, durante uma hora e meia, foi desprezado, jogado no lixo, esquecido. Nos quarenta minutos finais, os professores se dedicaram a se degladiar por defesas desta ou daquela matéria como a mais importante do currículo. Era evidente que as reservas de mercado, os lobbies, os conchavos, as puxações de sardinha não tinham nenhuma relação com os interesses dos alunos. Ouvi coisas do tipo: a “minha” matéria precisa de 03 inserções na semana; não posso ter esse desfalque no “meu” orçamento; “Por que Português é mais importante que Geografia? Por que História é mais importante que Artes? E Ciências? Por que não acabam com a Educação Física de uma vez?” Projetos interdisciplinares? Falou-se muito pouco ou quase nada! Educação orientada por competências? Currículo centralizado em problemas? Eles nem sabiam o que era isso. E muitos deles faziam questão de criticar a Secretaria, pela primeira parte da reunião, dizendo: “todos estes conteúdos... nós estamos cansados de saber! Todo nós estamos estudando estas coisas há meses, para os concursos estaduais. ”. Bem, aqui a pergunta é minha: se estão cansados de SABER, por que não aplicam? Por que não AGEM? Resultado final da reunião: uma “grade” (tenha lá o nome que quiserem dar!!!), amarrada, fechada, com xis número de aulas de Matemática, xis de Português... “Tiraram” uma aula de EducaÇão Física, “colocaram” uma aula de Artes a mais... Os “arteiros” contentes, os “físico-educadores” danados da vida, os professores de Geografia reunidos, juntinhos, num canto, comemorando uma aula a mais por semana, de costas para as Ciências, a História, a Matemática. Um horror! É brinquedo, não, minha gente! Acho que estamos mesmo apenas no início da caminhada... Um abraço, Ney Mourão E parabéns, em São Paulo, à campeã Gaviões da Fiel. Nem só de verde e rosa brilhou o samba este ano. Deu preto e branco, também, viu RuPa?! -----Mensagem original----- De: Lenise Aparecida Martins Garcia [mailto:lgarcia@unb.br] Enviada em: Quinta-feira, 14 de Fevereiro de 2002 10:04 Para: escola2000@courses.yahoo.com Assunto: Re: [escola2000] RE: dúvidas Eduardo, > Mexer "na grade" disciplinar. Colocar projetos "na grade". Será que a > razão pela qual chamamos a coisa de "grade" não está no fato de que > ela nos prende? Por que precisamos ter uma "grade", seja de > disciplinas, seja de projetos??? Acho que estamos totalmente de acordo quanto aos objetivos finais. Acho que voce sabe que eu uso de proposito essa palavra "grade" com o sentido de estarmos engradados nas escolas: grades de ferro por fora, grades curriculares, grades de horario por dentro... Nao tenho a menor duvida de que temos que sair disso. [E concordo com todas as suas criticas ao projeto "mulher"]. A nossa questao e' o MODO de fazer isso. Tentativas parciais sao totalmente nao-validas? Ou mexemos em tudo ou nao mexemos em nada? Ou temos projetos totalmente livres [acho que nao sou a favor de TOTALMENTE livres...] ou mantemos tudo como esta'? Nesse sentido e' que coloquei minhas duvidas [sao duvidas mesmo, acho que temos que discutir] com relacao a praticar um ou outro dos principios, em determinadas situacoes. Nao desgostei do texto dos sapatos velhos enviado pela Lu. "Revolucoes gradativas" podem ser mais eficazes do que as violentas, que muitas vezes redundam em contra-revolucoes... Acho que isso depende muito de cada situacao especifica. Lembrei-me, por exemplo, de Gorbachev. A "glasnost" dele certamente deixava muito a desejar. Mas ele iniciou o processo que era possivel, naquele momento e naquelas circunstancias. Acho que nao pretendia que chegasse onde chegou... mas detonou um processo que depois o ultrapassou. Penso que muitas mudancas acontecem assim. Acho que nao podemos deixar de olhar o horizonte que queremos alcancar. Mas tambem temos que olhar o proximo passo... Abracos, Lenise > Por que precisamos ter projetos que durem um mês? Durante este mês > estudaremos as mulheres (como se alguém pudesse aprender algo sobre > assunto tão escorregadio em tão pouco tempo). Por que não deixar que > as mulheres estudem os homens? Ou, para que não pareça tudo muito > heteressexual, que cada um estude a categoria sexual (ou de gênero) > que quiser? E por que categoria sexual (ou de gênero)? Por que não > estudar músicos, poetas, escritores (de qualquer sexo/gênero)? Por que > não estudar abelhas e zangões? formigas? cigarras? Rubinho > Barrichello? > > Por que todo mundo tem que estudar a mesma coisa (durante o mesmo > tempo)? > > Será que nunca vamos desaprender a velha forma de fazer as coisas? > Será que em vez de estudar algo durante 50 minutos nós agora vamos > estudar em 30 dias? Por que um é menos artificial do que o outro? > > O mais interessante da metodologia de projetos é deixar os alunos > pesquisarem aquilo que LHES interessa, que interessa a eles, alunos. > Interessa a mulheres estudar a mulher? Talvez sim, para algumas; > talvez não, para outras, que prefiram estudar os homens. > > E assim vai. É possível ter uma escola em que a liberdade de escolha > dos alunso valha alguma coisa? > > Eduardo > > -----Original Message----- > From: Lenise Aparecida Martins Garcia [mailto:lgarcia@unb.br] > Sent: Wednesday, February 13, 2002 4:08 PM > To: escola2000@courses.yahoo.com > Subject: Re: [escola2000] RE: dúvidas > > > Eduardo, Lu, Celso e todos > > Eu fiquei aqui amadurecendo as minhas proprias duvidas... > > Concordo com as criticas feitas por Lu e Celso. Concordo tambem com o > que colocaram, que me parece serem as bases para se trabalhar por > projetos. Entretanto, ainda nao chegamos à ideia de "projetos na > grade" colocada pela Neusa. Em quase todas as escolas, acho, estao > ocorrendo projetos seguindo essas ideias, nao? Mas paralelamente à > grade disciplinar, sem mexer nela. > > A Neusa quer mexer na grade disciplinar. Penso que isso e' algo a ser > incentivado, mesmo que nao seja feito, de inicio, do modo mais > adequado. E' um inicio de ruptura com o velho, que aos poucos pode ir > assumindo outros aspectos. Ou nao? Os nossos principios so' "fazem > efeito" se estiverem todos ao mesmo tempo? Convem incentivar > aplicacoes parciais? Acho que e' o que temos que perguntar-nos... > > Pessoalmente, tenho alguma boa experiencia com essa "inversao de > transversalidade". Depois que o professor consegue se desprender do > livro didatico e do quadro, começa a pensar em habilidades, outras > coisas vao acontecendo. Ele mesmo, ou os alunos, ou os colegas, vao > percebendo as falhas de planejamento [ou o excesso dele]. Pode > acontecer, sim, de ficar um projeto "desconfigurado"; mas a propria > Neusa ja' esta' fazendo essa critica com antecedencia... acho que pode > aprender muito no andar da carruagem. > > A minha sugestao seria de que ela trouxesse o assunto aa baila na > lista... Poderiamos trabalhar um pouco em cima do exemplo concreto, ir > dando e colhendo sugestoes. Ou ela nao se sente aa vontade para fazer > isso? Se nao se sentir, ja' nao temos ai' outro "indicador" > interessante? Acho importante discutirmos essas coisas JUNTO com as > escolas. > > Alias, acho que discussao curricular e' um assunto que daria um otimo > "grupo de aprendizagem"... > > O que voces acham? > > Abracos, > Lenise > > > É isso mesmo Lu. Esqueceram de mim (os alunos) II. > > Entendo que as habilidades e competências podem ser um olhar sobre > > o que vai acontecendo, mas não uma nova sequencia lógica e estável, > > como foi feito com os conteúdos (e disciplinas). > > Penso que trabalhar por projetos seja criar ambientes de > > aprendizagem independentemente do que se está aprendendo. Qualquer > > coisa para a qual um grupo de alunos se ligue será válida, desde > > que eles saiam da mesmice, desde que se questionem, desde que mantenham > > um diálogo democrático entre todos, desde que se coloquem abertos para > > o mundo de fora da escola, desde que se coloquem desafios práticos... > > Se os professores toparem... > > 1- trabalhar em equipe (nem que seja de 3 professores) > > 2- fazer plano, aplicar e depois analisar (em equipe). > > 3- considerar os alunos (desde o planejamento até as avaliações). > > 4- colocar para si mesmos um produto final, que seja bem prático, > > útil, possível e desafiador. > > 5- mostrar para quem estiver de fora o que estão fazendo > > (registros) durante todo o percurso e deixar que dêem palpites. > > ... já será um belíssimo avanço. Muitas outras coisas poderiam ser > > olhadas, mas essas 5 já representariam um belo desafio para eles. > > > > Um grande abraço amigo, > > > > Celso Vallin - Sao Jose dos Campos (SP) ________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________ Message: 4 Date: Thu, 14 Feb 2002 13:02:00 -0300 From: "Eduardo O C Chaves" Subject: RE: Grades [Era: duvidas] Acho que a mensagem do Ney (sobre grade/quadro em Araxá) coloca o dedo em vários problemas sérios que temos que enfrentar: a) Muitos professores (pelo menos as lideranças, que lêem um pouco, fazem cursos, etc.) conhecem bem o discurso novo: competências e habilidades, transversalidade (só que no caso dos Parâmetros Curriculares Nacionais não é de "transversalidade das disciplinas" que se trata, mas de "transversalidade de grandes temas" num currículo orientado para disciplinas), trabalho com projetos, etc. Alguns dominam até mesmo o discurso de desenvolvimento humano, protagonismo juvenil, foco na aprendizagem e não no ensino, o professor como facilitador, etc. Mas a prática continua a mesma, por uma variedade de razões (nenhuma das quais relacionadas ao próprio professor, na opinião dele, professor). Em geral esses professores dizem: eu até (ou a gente até) que gostaria de poder fazer isso, mas "eles" não deixam ("eles" sendo a direção, ou a coordenação pedagógica, ou a supervisão pedagógica, ou a secretaria, ou o ministério, ou o "neo-liberalismo" e o "Consenso de Washington"). b) Muitos professores (talvez a maioria) já ouviram falar por cima desses temas mas. no fundo, não tem a menor idéia do que se trata. Sua prática é a tradicional. c) Tantos os primeiros como os segundos são corporativistas (defendem sua matéria) e egoístas (no mau sentido - defendem a manutenção, ou mesmo o aumento, do número de aulas que vêm dando -- nem cogitando da possibilidade de que sua matéria, ou suas aulas, venham a dar lugar para algo mais importante e/ou interessante para os alunos). d) Não importa o que discutam nos grupos de discussão, no fim os professores fazem mesmo uma grade bem fechadinha. Como vencer isso? Alguma idéia? Eduardo -----Original Message----- From: Ney Mourao [mailto:neymourao@neymourao.com.br] Sent: Thursday, February 14, 2002 12:18 PM To: escola2000@courses.yahoo.com Subject: RES: [escola2000] Grades [Era: duvidas] Ol@ a todos! Plagiando Rubem Paulo, irei comentando algumas questões aqui e ali, para não cansar meus amigos... Com relaÇão a esta história de “grade”, gostaria de comentar um episódio interessante, que presenciei em Araxá, em minha última visita presencial. Minha presença por lá coincidiu com a realização, no turno da manhã, de uma reunião na Secretaria de Educação, envolvendo professores e a Secretaria na montagem do “quadro” curricular. Por lá, a Secretária, após a palestra do Eduardo Chaves, não gosta do termo “grade”; preferem o eufemismo “quadro”. É a primeira vez que a Secretaria abre a discussão sobre a elaboração do quadro curricular para os professores – e a Escola Leonilda Montandon, parceira do Sua Escola, teve influência decisiva nesta abertura, cobrando diretamente junto à secretária, batendo continuamente na tecla em reuniões e encontros com educadores. A presença maior de professores, inclusive, era do Leonilda. A reunião, que começou às 9:30, com previsão para término às 11:30. Isso mesmo: o objetivo era discutir e montar todo o “ano escolar” em duas horas. A primeira parte da reunião tinha uma proposta pra lá de interessante: dividiu-se o grupo de cerca de quarenta profissionais em cinco subgrupos. Cada um recebeu um texto para discutir e responder, com base no seu conteúdo, um “conjunto de questões desafiadoras”. Questões, por sinal, tão complexas quanto as com as quais temos nos envolvido por aqui. Conteúdos de Freinet, de Paulo Freire, Montessori, Escola Sagarana, Goodson, Durkheim, Perrenoud e temas como “Formação Humana X Competências”, “Ensino Propedêutico X Formação Profissional”, “Universalismo X Multiculturalismo”, “Currículo por disciplinas X Currículo Integrado”, dentre outros, pipocaram nos sub-grupos. As discussões acaloradas foram resumidas em flip-charts que deveriam ser apresentadas aos demais grupos, na plenária final. Ocorreu, no entanto, que o grupo de número 5 teve a missão de discutir o seu texto e apresentar, no final, a proposta de “grade”, que seria discutida por todos, como a proposta a ser apresentada à Secretaria para aprovação – uma espécie de lista prévia de disciplinas e horários semanais. Aí aconteceu o que, como “sapo de fora”, encarei como um processo esquizóide de comportamento. Ora, tudo o que estava sendo discutido, durante uma hora e meia, foi desprezado, jogado no lixo, esquecido. Nos quarenta minutos finais, os professores se dedicaram a se degladiar por defesas desta ou daquela matéria como a mais importante do currículo. Era evidente que as reservas de mercado, os lobbies, os conchavos, as puxações de sardinha não tinham nenhuma relação com os interesses dos alunos. Ouvi coisas do tipo: a “minha” matéria precisa de 03 inserções na semana; não posso ter esse desfalque no “meu” orçamento; “Por que Português é mais importante que Geografia? Por que História é mais importante que Artes? E Ciências? Por que não acabam com a Educação Física de uma vez?” Projetos interdisciplinares? Falou-se muito pouco ou quase nada! Educação orientada por competências? Currículo centralizado em problemas? Eles nem sabiam o que era isso. E muitos deles faziam questão de criticar a Secretaria, pela primeira parte da reunião, dizendo: “todos estes conteúdos... nós estamos cansados de saber! Todo nós estamos estudando estas coisas há meses, para os concursos estaduais. ”. Bem, aqui a pergunta é minha: se estão cansados de SABER, por que não aplicam? Por que não AGEM? Resultado final da reunião: uma “grade” (tenha lá o nome que quiserem dar!!!), amarrada, fechada, com xis número de aulas de Matemática, xis de Português... “Tiraram” uma aula de EducaÇão Física, “colocaram” uma aula de Artes a mais... Os “arteiros” contentes, os “físico-educadores” danados da vida, os professores de Geografia reunidos, juntinhos, num canto, comemorando uma aula a mais por semana, de costas para as Ciências, a História, a Matemática. Um horror! É brinquedo, não, minha gente! Acho que estamos mesmo apenas no início da caminhada... Um abraço, Ney Mourão E parabéns, em São Paulo, à campeã Gaviões da Fiel. Nem só de verde e rosa brilhou o samba este ano. Deu preto e branco, também, viu RuPa?! -----Mensagem original----- De: Lenise Aparecida Martins Garcia [mailto:lgarcia@unb.br] Enviada em: Quinta-feira, 14 de Fevereiro de 2002 10:04 Para: escola2000@courses.yahoo.com Assunto: Re: [escola2000] RE: dúvidas Eduardo, > Mexer "na grade" disciplinar. Colocar projetos "na grade". Será que a > razão pela qual chamamos a coisa de "grade" não está no fato de que > ela nos prende? Por que precisamos ter uma "grade", seja de > disciplinas, seja de projetos??? Acho que estamos totalmente de acordo quanto aos objetivos finais. Acho que voce sabe que eu uso de proposito essa palavra "grade" com o sentido de estarmos engradados nas escolas: grades de ferro por fora, grades curriculares, grades de horario por dentro... Nao tenho a menor duvida de que temos que sair disso. [E concordo com todas as suas criticas ao projeto "mulher"]. A nossa questao e' o MODO de fazer isso. Tentativas parciais sao totalmente nao-validas? Ou mexemos em tudo ou nao mexemos em nada? Ou temos projetos totalmente livres [acho que nao sou a favor de TOTALMENTE livres...] ou mantemos tudo como esta'? Nesse sentido e' que coloquei minhas duvidas [sao duvidas mesmo, acho que temos que discutir] com relacao a praticar um ou outro dos principios, em determinadas situacoes. Nao desgostei do texto dos sapatos velhos enviado pela Lu. "Revolucoes gradativas" podem ser mais eficazes do que as violentas, que muitas vezes redundam em contra-revolucoes... Acho que isso depende muito de cada situacao especifica. Lembrei-me, por exemplo, de Gorbachev. A "glasnost" dele certamente deixava muito a desejar. Mas ele iniciou o processo que era possivel, naquele momento e naquelas circunstancias. Acho que nao pretendia que chegasse onde chegou... mas detonou um processo que depois o ultrapassou. Penso que muitas mudancas acontecem assim. Acho que nao podemos deixar de olhar o horizonte que queremos alcancar. Mas tambem temos que olhar o proximo passo... Abracos, Lenise > Por que precisamos ter projetos que durem um mês? Durante este mês > estudaremos as mulheres (como se alguém pudesse aprender algo sobre > assunto tão escorregadio em tão pouco tempo). Por que não deixar que > as mulheres estudem os homens? Ou, para que não pareça tudo muito > heteressexual, que cada um estude a categoria sexual (ou de gênero) > que quiser? E por que categoria sexual (ou de gênero)? Por que não > estudar músicos, poetas, escritores (de qualquer sexo/gênero)? Por que > não estudar abelhas e zangões? formigas? cigarras? Rubinho > Barrichello? > > Por que todo mundo tem que estudar a mesma coisa (durante o mesmo > tempo)? > > Será que nunca vamos desaprender a velha forma de fazer as coisas? > Será que em vez de estudar algo durante 50 minutos nós agora vamos > estudar em 30 dias? Por que um é menos artificial do que o outro? > > O mais interessante da metodologia de projetos é deixar os alunos > pesquisarem aquilo que LHES interessa, que interessa a eles, alunos. > Interessa a mulheres estudar a mulher? Talvez sim, para algumas; > talvez não, para outras, que prefiram estudar os homens. > > E assim vai. É possível ter uma escola em que a liberdade de escolha > dos alunso valha alguma coisa? > > Eduardo > > -----Original Message----- > From: Lenise Aparecida Martins Garcia [mailto:lgarcia@unb.br] > Sent: Wednesday, February 13, 2002 4:08 PM > To: escola2000@courses.yahoo.com > Subject: Re: [escola2000] RE: dúvidas > > > Eduardo, Lu, Celso e todos > > Eu fiquei aqui amadurecendo as minhas proprias duvidas... > > Concordo com as criticas feitas por Lu e Celso. Concordo tambem com o > que colocaram, que me parece serem as bases para se trabalhar por > projetos. Entretanto, ainda nao chegamos à ideia de "projetos na > grade" colocada pela Neusa. Em quase todas as escolas, acho, estao > ocorrendo projetos seguindo essas ideias, nao? Mas paralelamente à > grade disciplinar, sem mexer nela. > > A Neusa quer mexer na grade disciplinar. Penso que isso e' algo a ser > incentivado, mesmo que nao seja feito, de inicio, do modo mais > adequado. E' um inicio de ruptura com o velho, que aos poucos pode ir > assumindo outros aspectos. Ou nao? Os nossos principios so' "fazem > efeito" se estiverem todos ao mesmo tempo? Convem incentivar > aplicacoes parciais? Acho que e' o que temos que perguntar-nos... > > Pessoalmente, tenho alguma boa experiencia com essa "inversao de > transversalidade". Depois que o professor consegue se desprender do > livro didatico e do quadro, começa a pensar em habilidades, outras > coisas vao acontecendo. Ele mesmo, ou os alunos, ou os colegas, vao > percebendo as falhas de planejamento [ou o excesso dele]. Pode > acontecer, sim, de ficar um projeto "desconfigurado"; mas a propria > Neusa ja' esta' fazendo essa critica com antecedencia... acho que pode > aprender muito no andar da carruagem. > > A minha sugestao seria de que ela trouxesse o assunto aa baila na > lista... Poderiamos trabalhar um pouco em cima do exemplo concreto, ir > dando e colhendo sugestoes. Ou ela nao se sente aa vontade para fazer > isso? Se nao se sentir, ja' nao temos ai' outro "indicador" > interessante? Acho importante discutirmos essas coisas JUNTO com as > escolas. > > Alias, acho que discussao curricular e' um assunto que daria um otimo > "grupo de aprendizagem"... > > O que voces acham? > > Abracos, > Lenise ________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________ Message: 5 Date: Thu, 14 Feb 2002 14:26:48 -0400 From: "RubeM Paulo Torri Saldanha" Subject: Re: Grades [Era: duvidas] Olá Eduardo e demais pessoas! 8 ) Essa questão remete a uma que já estava sendo discutida aqui na lista e que apareceu no nosso chat que é a questão de que, de repente, a teoria do pessoal das escolas (e às vezes até a nossa mesmo) está muito distanciada da prática, não só por desconhecimento da mesma mas também por acharmos que a prática está refletindo a teoria que pregamos, embora isso não seja verdade. Ter a teoria bem "limpa" na mente e parar de vez em quando para compará-la com a prática que temos é uma opção. Quando escrevemos o nosso discurso e nos cobramos depois, podemos detectar mais facilmente se alcançamos os objetivos a que nos propomos inicialmente. Além disso, bater em cima da tecla "quais princípios são abrangidos (é assim que fala?) por essa prática" também pode ser uma guinada para o caminho que pretendemos. Abraços RubeM Paulo ----- Original Message ----- From: "Eduardo O C Chaves" To: Sent: Thursday, February 14, 2002 12:02 PM Subject: RE: [escola2000] Grades [Era: duvidas] Acho que a mensagem do Ney (sobre grade/quadro em Araxá) coloca o dedo em vários problemas sérios que temos que enfrentar: Como vencer isso? Alguma idéia? Eduardo -----Original Message----- From: Ney Mourao [mailto:neymourao@neymourao.com.br] Sent: Thursday, February 14, 2002 12:18 PM To: escola2000@courses.yahoo.com Subject: RES: [escola2000] Grades [Era: duvidas] ________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________ Message: 6 Date: Thu, 14 Feb 2002 15:39:09 -0300 From: "Luciana Salgado" Subject: Re: Grades [Era: duvidas] Ney, resumindo esse seu depoimento em duas palavras... Sem palavras... Lu ----- Original Message ----- From: Ney Mourao To: escola2000@courses.yahoo.com Sent: Thursday, February 14, 2002 12:18 PM Subject: RES: [escola2000] Grades [Era: duvidas] Ol@ a todos! Plagiando Rubem Paulo, irei comentando algumas questões aqui e ali, para não cansar meus amigos... Com relação a esta história de "grade", gostaria de comentar um episódio interessante, que presenciei em Araxá, em minha última visita presencial. Minha presença por lá coincidiu com a realização, no turno da manhã, de uma reunião na Secretaria de Educação, envolvendo professores e a Secretaria na montagem do "quadro" curricular. Por lá, a Secretária, após a palestra do Eduardo Chaves, não gosta do termo "grade"; preferem o eufemismo "quadro". É a primeira vez que a Secretaria abre a discussão sobre a elaboração do quadro curricular para os professores - e a Escola Leonilda Montandon, parceira do Sua Escola, teve influência decisiva nesta abertura, cobrando diretamente junto à secretária, batendo continuamente na tecla em reuniões e encontros com educadores. A presença maior de professores, inclusive, era do Leonilda. A reunião, que começou às 9:30, com previsão para término às 11:30. Isso mesmo: o objetivo era discutir e montar todo o "ano escolar" em duas horas. A primeira parte da reunião tinha uma proposta pra lá de interessante: dividiu-se o grupo de cerca de quarenta profissionais em cinco subgrupos. Cada um recebeu um texto para discutir e responder, com base no seu conteúdo, um "conjunto de questões desafiadoras". Questões, por sinal, tão complexas quanto as com as quais temos nos envolvido por aqui. Conteúdos de Freinet, de Paulo Freire, Montessori, Escola Sagarana, Goodson, Durkheim, Perrenoud e temas como "Formação Humana X Competências", "Ensino Propedêutico X Formação Profissional", "Universalismo X Multiculturalismo", "Currículo por disciplinas X Currículo Integrado", dentre outros, pipocaram nos sub-grupos. As discussões acaloradas foram resumidas em flip-charts que deveriam ser apresentadas aos demais grupos, na plenária final. Ocorreu, no entanto, que o grupo de número 5 teve a missão de discutir o seu texto e apresentar, no final, a proposta de "grade", que seria discutida por todos, como a proposta a ser apresentada à Secretaria para aprovação - uma espécie de lista prévia de disciplinas e horários semanais. Aí aconteceu o que, como "sapo de fora", encarei como um processo esquizóide de comportamento. Ora, tudo o que estava sendo discutido, durante uma hora e meia, foi desprezado, jogado no lixo, esquecido. Nos quarenta minutos finais, os professores se dedicaram a se degladiar por defesas desta ou daquela matéria como a mais importante do currículo. Era evidente que as reservas de mercado, os lobbies, os conchavos, as puxações de sardinha não tinham nenhuma relação com os interesses dos alunos. Ouvi coisas do tipo: a "minha" matéria precisa de 03 inserções na semana; não posso ter esse desfalque no "meu" orçamento; "Por que Português é mais importante que Geografia? Por que História é mais importante que Artes? E Ciências? Por que não acabam com a Educação Física de uma vez?" Projetos interdisciplinares? Falou-se muito pouco ou quase nada! Educação orientada por competências? Currículo centralizado em problemas? Eles nem sabiam o que era isso. E muitos deles faziam questão de criticar a Secretaria, pela primeira parte da reunião, dizendo: "todos estes conteúdos... nós estamos cansados de saber! Todo nós estamos estudando estas coisas há meses, para os concursos estaduais. ". Bem, aqui a pergunta é minha: se estão cansados de SABER, por que não aplicam? Por que não AGEM? Resultado final da reunião: uma "grade" (tenha lá o nome que quiserem dar!!!), amarrada, fechada, com xis número de aulas de Matemática, xis de Português... "Tiraram" uma aula de EducaÇão Física, "colocaram" uma aula de Artes a mais... Os "arteiros" contentes, os "físico-educadores" danados da vida, os professores de Geografia reunidos, juntinhos, num canto, comemorando uma aula a mais por semana, de costas para as Ciências, a História, a Matemática. Um horror! É brinquedo, não, minha gente! Acho que estamos mesmo apenas no início da caminhada... Um abraço, Ney Mourão E parabéns, em São Paulo, à campeã Gaviões da Fiel. Nem só de verde e rosa brilhou o samba este ano. Deu preto e branco, também, viu RuPa?! -----Mensagem original----- De: Lenise Aparecida Martins Garcia [mailto:lgarcia@unb.br] Enviada em: Quinta-feira, 14 de Fevereiro de 2002 10:04 Para: escola2000@courses.yahoo.com Assunto: Re: [escola2000] RE: dúvidas Eduardo, > Mexer "na grade" disciplinar. Colocar projetos "na grade". Será que a > razão pela qual chamamos a coisa de "grade" não está no fato de que ela > nos prende? Por que precisamos ter uma "grade", seja de disciplinas, > seja de projetos??? Acho que estamos totalmente de acordo quanto aos objetivos finais. Acho que voce sabe que eu uso de proposito essa palavra "grade" com o sentido de estarmos engradados nas escolas: grades de ferro por fora, grades curriculares, grades de horario por dentro... Nao tenho a menor duvida de que temos que sair disso. [E concordo com todas as suas criticas ao projeto "mulher"]. A nossa questao e' o MODO de fazer isso. Tentativas parciais sao totalmente nao-validas? Ou mexemos em tudo ou nao mexemos em nada? Ou temos projetos totalmente livres [acho que nao sou a favor de TOTALMENTE livres...] ou mantemos tudo como esta'? Nesse sentido e' que coloquei minhas duvidas [sao duvidas mesmo, acho que temos que discutir] com relacao a praticar um ou outro dos principios, em determinadas situacoes. Nao desgostei do texto dos sapatos velhos enviado pela Lu. "Revolucoes gradativas" podem ser mais eficazes do que as violentas, que muitas vezes redundam em contra-revolucoes... Acho que isso depende muito de cada situacao especifica. Lembrei-me, por exemplo, de Gorbachev. A "glasnost" dele certamente deixava muito a desejar. Mas ele iniciou o processo que era possivel, naquele momento e naquelas circunstancias. Acho que nao pretendia que chegasse onde chegou... mas detonou um processo que depois o ultrapassou. Penso que muitas mudancas acontecem assim. Acho que nao podemos deixar de olhar o horizonte que queremos alcancar. Mas tambem temos que olhar o proximo passo... Abracos, Lenise > Por que precisamos ter projetos que durem um mês? Durante este mês > estudaremos as mulheres (como se alguém pudesse aprender algo sobre > assunto tão escorregadio em tão pouco tempo). Por que não deixar que as > mulheres estudem os homens? Ou, para que não pareça tudo muito > heteressexual, que cada um estude a categoria sexual (ou de gênero) que > quiser? E por que categoria sexual (ou de gênero)? Por que não estudar > músicos, poetas, escritores (de qualquer sexo/gênero)? Por que não > estudar abelhas e zangões? formigas? cigarras? Rubinho Barrichello? > > Por que todo mundo tem que estudar a mesma coisa (durante o mesmo > tempo)? > > Será que nunca vamos desaprender a velha forma de fazer as coisas? Será > que em vez de estudar algo durante 50 minutos nós agora vamos estudar em > 30 dias? Por que um é menos artificial do que o outro? > > O mais interessante da metodologia de projetos é deixar os alunos > pesquisarem aquilo que LHES interessa, que interessa a eles, alunos. > Interessa a mulheres estudar a mulher? Talvez sim, para algumas; talvez > não, para outras, que prefiram estudar os homens. > > E assim vai. É possível ter uma escola em que a liberdade de escolha dos > alunso valha alguma coisa? > > Eduardo > > -----Original Message----- > From: Lenise Aparecida Martins Garcia [mailto:lgarcia@unb.br] > Sent: Wednesday, February 13, 2002 4:08 PM > To: escola2000@courses.yahoo.com > Subject: Re: [escola2000] RE: dúvidas > > > Eduardo, Lu, Celso e todos > > Eu fiquei aqui amadurecendo as minhas proprias duvidas... > > Concordo com as criticas feitas por Lu e Celso. Concordo tambem com o > que colocaram, que me parece serem as bases para se trabalhar por > projetos. Entretanto, ainda nao chegamos à ideia de "projetos na grade" > colocada pela Neusa. Em quase todas as escolas, acho, estao ocorrendo > projetos seguindo essas ideias, nao? Mas paralelamente à grade > disciplinar, sem mexer nela. > > A Neusa quer mexer na grade disciplinar. Penso que isso e' algo a ser > incentivado, mesmo que nao seja feito, de inicio, do modo mais adequado. > E' um inicio de ruptura com o velho, que aos poucos pode ir assumindo > outros aspectos. Ou nao? Os nossos principios so' "fazem efeito" se > estiverem todos ao mesmo tempo? Convem incentivar aplicacoes parciais? > Acho que e' o que temos que perguntar-nos... > > Pessoalmente, tenho alguma boa experiencia com essa "inversao de > transversalidade". Depois que o professor consegue se desprender do > livro didatico e do quadro, começa a pensar em habilidades, outras > coisas vao acontecendo. Ele mesmo, ou os alunos, ou os colegas, vao > percebendo as falhas de planejamento [ou o excesso dele]. Pode > acontecer, sim, de ficar um projeto "desconfigurado"; mas a propria > Neusa ja' esta' fazendo essa critica com antecedencia... acho que pode > aprender muito no andar da carruagem. > > A minha sugestao seria de que ela trouxesse o assunto aa baila na > lista... Poderiamos trabalhar um pouco em cima do exemplo concreto, ir > dando e colhendo sugestoes. Ou ela nao se sente aa vontade para fazer > isso? Se nao se sentir, ja' nao temos ai' outro "indicador" > interessante? Acho importante discutirmos essas coisas JUNTO com as > escolas. > > Alias, acho que discussao curricular e' um assunto que daria um otimo > "grupo de aprendizagem"... > > O que voces acham? > > Abracos, > Lenise ________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________ Message: 7 Date: Thu, 14 Feb 2002 15:46:44 -0300 From: "Luciana Salgado" Subject: Pedagogia não diretiva Oi Eduardo, Durante o feriado mandei um e-mail querendo saber mais sobre a pedagogia não diretiva. Para mim, não ficou muito claro... Outra coisa, o terceiro conjunto já pode ser enviado? Beijos Luciana _______________________________________________________________________ ________________________________________________________________________ Message: 8 Date: Thu, 14 Feb 2002 15:45:48 -0300 From: "Lenise Aparecida Martins Garcia" Subject: Re: duvidas Rubem, > Aproveito para dizer olá para todos. Passei o carnaval lendo as > reflexões do pessoal e confesso que aprendi muito. Gostaria de > comentar várias coisas, mas vou fazer isso em e-mails diferentes, para > não ficar muito longo. Estava sentindo a sua falta, acho que essa mensagem explicou um pouco... Espero que depois de um Carnaval tao divertido tenhamos os seus comentarios :-)) > mas > por outro lado, tem a questão dos ritmos de cada pessoa. Nestas duas > últimas semanas descobri que não consigo "digerir" um texto com a > mesma rapidez que você, Celso ou Lenise, por exemplo. No início, > fiquei super mal comigo mesmo por conta disso, mas principalmente > depois de ler os textos do segundo conjunto de questões, da qual > transcrevo aqui um pedacinho: Rubem, as coisas que estamos discutindo e mesmo alguns dos textos estao longe de ser novidade para mim, por exemplo. Nao apenas a velocidade de digestao e' diferente como os "pratos preferidos" tambem... Mas eu acho que é justamente nessas coisas que a aprendizagem colaborativa traz aspectos muito interessantes. Comento a seguir. > Lembro de uma discussão grande na lista Edutec sobre a conexão > dedicada (lembra?). Isso que voce nao viu nada... :-))) Precisava ter visto a briga que rolou em pvt entre Wilson, Renato e eu, em conexao dedicadissima!! Mas foi um momento em que aprendi muito [pode ate' parecer que nao - visto a carapuça :-)) - mas aprendi sim]. Hoje dou bastante razao ao Wilson, embora tenha discordado dele na altura, entre outras coisas, porque acho que ele usou argumentos errados. [Para quem nao acompanhou aquela discussao, tratavamos da questao da velocidade da troca de mensagens, que fazia com que muitos acabassem nao conseguindo participar das discussoes]. Aquele e-mail da Luciana com a reportagem com > amulher que tinha 4000 e-mails na caixa postal também remete um pouco > a isso. Como conseguiremos administrar isso tudo? Acho que aprender a administrar e-mails e' uma competencia bem importante para os dias de hoje... :-)) No que se refere à nossa relação com as escolas, acho que a questao de "listas tematicas" e' bem importante. E a "seleção natural" das pessoas que vão trabalhar virtualmente conosco tambem. Não podemos pensar que eles vão conectar 2 vezes ao dia. Mas também não iremos a lugar nenhum com pessoas que conectem a cada 15 dias... Por isso, penso que precisamos continuar a investir na questão de objetivos e também da motivação. Montar uma estratégia para "atrair" as pessoas, deixar tambem que eles determinem bastante do ritmo... mas, quando falamos em aprendizagem colaborativa, o ritmo sempre tem que ser meio "conjunto"... E' como bateria de escola de samba, nao da' para ir cada um por si :-)) Mas, mesmo em bateria de escola de samba, cada instrumento toca em uma velocidade diferente... Dizem que uma grande vantagem da EAD e' permitir que cada aluno siga o seu proprio ritmo. A experiencia que tive no curso que coordeno foi de que, enquanto o ritmo ficou livre, ninguem produzia nada. Os proprios alunos mostraram-se favoraveis a prazos e, principalmente, a interacao. O curso melhorou muito quando passamos a ter "turmas" trabalhando conjuntamente, ritmos individuais adaptando-se ao coletivo. Abracos, Lenise ________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________ Message: 9 Date: Thu, 14 Feb 2002 16:18:33 -0300 From: "Lenise Aparecida Martins Garcia" Subject: sala de aula Oi, pessoal No contexto do que estamos discutindo, achei interessante o seguinte trecho do ACGC: "A sala de aula é o coração da escola, pois é neste espaço que os alunos e professores passam a maior parte de seu tempo. A sala de aula foi inventada para ser o espaço de aula expositiva. Todas as outras atividades que ali possam ocorrer, como as atividades em pequenos grupos, o grande círculo ou as atividades desenvolvidas com os alunos de pé ou sentados diretamente no piso são fruto dos esforços de gerações e gerações de professores empenhados em reinventar o uso deste espaço que tanto tem de quadrado como de enquadrador do olhar, do tempo, dos corpos e -- se não tomarmos muito cuidado - também das idéias e emoções das pessoas que nele convivem. O educador deve estar consciente das potencialidades e também dos limites da sala de aula como espaço educativo e deve pensá-lo na sua incompletude. Procurando suprir suas limitações com o uso mais criativo de seus espaços e equipamentos, não se esquecendo de "completá-la" com atividades na biblioteca, no pátio, nos laboratórios, nas quadras e mesmo em espaços da comunidade, quando a atividade que se pretende desenvolver assim o exigir". Reinvenção (subversao?), consciencia de potencialidades e limites, da incompletude. Pode ser esse um caminho para a "demolição" da sala de aula? Ou, pelo contrario, colaboraria para a manutenção do "status quo"? Abraços, Lenise ________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________ Message: 10 Date: Thu, 14 Feb 2002 18:04:51 -0300 From: "Lenise Aparecida Martins Garcia" Subject: Re: Pedagogia não diretiva Lu, Pelo que andei pesquisando, a pedagogia nao diretiva seria a de Rogers [Eduardo que me corrija, por favor, se estiver errada... ] Procurando algumas coisas dele pela net, dei agora ha' pouco com um trecho que me pareceu muito interessante [nao tem muito a ver com a questao acima - ou tem? :-)]. Liberdade Para Aprender ( CARL ROGERS ) Desagrada-me não poder ouvir a outrem, não o compreender, se é apenas uma deficiência de compreensão, uma falta de atenção ao que me está sendo dito, ou certa dificuldade de entender as palavras, então não sinto mais que um ligeiro descontentamento comigo mesmo. Mas o que me põe realmente desgostoso comigo é não poder escutar outra pessoa porque já estou, de antemão, tão certo do que ela vai me dizer que não lhe dou ouvido, só posteriormente verifico não ter prestado atenção senão ao que já decidira que ela ia me dizer. Na verdade, deixei de ouvir, pior que isso, são às vezes em que não posso escutar uma pessoa porque o que está sendo dito constitui ameaça para mim, com risco até de mudar minhas opiniões ou meu comportamento. Ou, pior ainda, quando me descubro a tentar distorcer sua mensagem, a fim de fazê-la dizer o que quero que diga, só escutando isto. Coisa um tanto sutil, e é surpreendente a habilidade que tenho quando faço. Exatamente por deformar um pouco suas palavras, por distorcer, um mínimo o que ela pretende significar, posso tornar evidente que não só ela diz o que eu queria ouvir, mas se mostra a pessoa que eu quero que ela seja, é só quando verifico, através do seu protesto, ou do meu gradual reconhecimento de que estou a manipulá-la, sutilmente, que fico desgostoso de mim próprio. Sei também por haver estado do outro lado, o quanto é decepcionante ser tido por aquilo que não é, ser ouvido como se estivesse a dizer o que não se disse ou não se pretendeu significar. Preciso me desvincular do meu juízo de valor para, enfim, ter liberdade para aprender. Abracos, Lenise ________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________