Comunicação Inicial



 

I) INTRODUÇÃO

1) A Natureza e o Nome da Coisa

2) Os Participantes

3) Os Objetivos

4) Os Resultados Esperados

II) OS OBJETIVOS E PRINCÍPIOS DO PROGRAMA

III) A QUESTÃO DA TECNOLOGIA SOCIAL

IV) POR QUE UMA EXPERIÊNCIA DE APRENDIZAGEM COLABORATIVA?

V) O MODUS OPERANDI

 


 

I) INTRODUÇÃO


1) A Natureza e o Nome da Coisa


O que vamos procurar fazer aqui, neste espaço virtual, durante os próximos 15 dias (1 a 15 de fevereiro), e, depois, de 18 a 22 de fevereiro, num espaço presencial, é trocar idéias e experiências. Compartilhar talvez seja um termo melhor, porque, quando se trata de idéias e experiências, não privo quem me dá daquilo que recebo, nem fico sem o que dou.

A gente poderia chamar o que vamos fazer de “curso”, “treinamento”, ou “capacitação”, com componentes a distância e presenciais.

Os termos “curso” e “treinamento”, porém, dão a impressão de que haverá um professor ou instrutor e vários alunos, e que o processo não será “de duas mãos”, como no caso de troca ou compartilhamento de idéias e experiências, mas, sim, de “mão única”. Essa impressão não é compatível com o que vamos procurar fazer aqui - nem, naturalmente, com os princípios do programa “Sua Escola a 2000 por Hora”.

Capacitação” talvez seja ainda um termo ainda pior, se tomado literalmente, porque parece sugerir que, no processo, alguns estão (em algum sentido) incapacitados e outros vão capacitá-los. Essa sugestão certamente não cabe aqui, porque não é disso que se trata.

Experiência de aprendizagem colaborativa” talvez seja a melhor expressão, apesar de meio longa. Não resta dúvida de que estaremos tendo uma experiência durante esse período. Que a experiência seja de aprendizagem depende apenas de cada um de nós, individualmente. Que essa aprendizagem seja colaborativa depende de todos nós, como grupo - de nossa atitude uns para com os outros e de nossa atitude para com aquilo que acreditamos já saber (ou saber fazer).

Parte da experiência será virtual (no sentido de “ausencial”, não, de modo algum, no sentido de “irreal”), mediada pela tecnologia, e parte será presencial. Mas devemos pensar na experiência com um todo, sem separar o que vai acontecer no espaço virtual e o que vai acontecer numa sala em São Paulo, porque os objetivos e os resultados esperados do que vamos fazer aqui não estão diferenciados em objetivos e resultados da parte virtual e objetivos e resultados da parte presencial.


2) Os Participantes


Vão estar participando deste exercício os seis orientadores do Sua Escola (Luciana Salgado, Celso Vallin, Maria Isabel Guimarães, Ney Mourão, Lenise Garcia e Rubem Paulo Saldanha), a articuladora dos orientadores (Adriana Portella), os consultores (Eduardo Roberto da Silva [“Castor”] e Eduardo Chaves), e a equipe de coordenação (Adriana Martinelli, Otoniel Niccolini, Kátia Ramos e Cecília Zanotti). Treze pessoas, ao todo.

Esta experiência de aprendizagem colaborativa foi planejada para dar cumprimento ao Plano de Ação do Programa para 2002, elaborado pela equipe de coordenação do Sua Escola (sem a Cecília, que estava de licença).

A programação desta experiência de aprendizagem colaborativa foi feita em reuniões da coordenação do programa com os consultores e a articuladora dos orientadores.

A redação dos materiais (comunicação inicial, programa detalhado, questões desafiadoras, etc.) é de minha responsabilidade (Eduardo Chaves), mas contou sempre com a colaboração dos demais responsáveis pela programação. Também é minha a responsabilidade pela montagem e administração dos sites que servirão de apoio a esta experiência de aprendizagem colaborativa. Os demais textos indicados para leitura são de inteira responsabilidade de seus autores.


3) Os Objetivos


Quais serão nossos objetivos durante os próximos dias?

O objetivo principal será o nosso aperfeiçoamento.

Sem “forçar demais a barra”, poderíamos dizer que esse objetivo geral se desdobra em objetivos mais específicos:

  • Aperfeiçoarmo-nos no ser

  • Aperfeiçoarmo-nos no conviver

  • Aperfeiçoarmo-nos no fazer

  • Aperfeiçoarmo-nos aprender

  • Isso é: aperfeiçoarmo-nos como pessoas, tanto no plano individual como no plano de nossa convivência como grupo, como equipe; aperfeiçoarmo-nos como profissionais que têm uma tarefa importantíssima a executar; e aperfeiçoarmo-nos como aprendentes permanentes que estão dispostos a explorar formas de aprendizagem colaborativa com as quais podemos não estar inteiramente familiarizados e não nos sentir totalmente à vontade.

    Mesmo esses últimos objetivos, mais específicos, modelados que estão pelos Quatro Pilares, ainda não são suficientemente específicos. Assim, adiante, nos itens II a IV, objetivos ainda mais específicos serão definidos.


    4) Os Resultados Esperados


    O resultado global desse nosso esforço de aperfeiçoamento individual e coletivo deverá se traduzir em vários resultados bastante objetivos:

  • alguns não muito tangíveis, embora claramente perceptíveis a longo prazo (competências, habilidades, conhecimentos, emoções, atitudes, motivação, etc.);

  • outros bastante tangíveis (plano de ação, modelo de relatórios, instrumentos de avaliação, etc.).

  • No plano dos resultados não tangíveis, espera-se (como ficará evidente adiante) que os participantes nesta experiência:

  • aperfeiçoem seu entendimento dos objetivos, dos princípios norteadores e da estratégia de ação do Instituto Ayrton Senna e do Sua Escola;

  • tenham clareza sobre as competências e habilidades que serão necessárias para ajudar as escolas a traduzir os princípios do programa em prática pedagógica concreta (aí inclusas competências e habilidades para desenvolver e gerenciar experiências de aprendizagem colaborativa a distância);

  • encontrem formas de identificar as ações das escolas que promovem os princípios do Sua Escola e de registrar e sistematizar essas ações numa tecnologia social que possa ser compartilhada com outras escolas;

  • sejam capazes de colocar suas emoções em sintonia, umas com as outras e com o que precisa ser feito, de modo a permitir que suas atitudes e sua motivação funcionem para eles e não contra eles, e, assim, os ajudem a trabalhar de forma harmoniosa e competente, com desempenho de pico, no melhor nível de qualidade possível.

  • No plano dos resultados tangíveis, espera-se (como ficará evidente adiante) que os participantes nesta experiência:

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    II) OS OBJETIVOS E PRINCÍPIOS DO SUA ESCOLA


    Na carta enviada às escolas pela Coordenação do Programa no dia 14/01/2002 foi dito o seguinte:

    “O objetivo maior do Sua Escola é contribuir para a melhoria da qualidade da educação brasileira - especialmente da escola pública. Estamos convictos de que isso está acontecendo, no caso das escolas parceiras, com aquelas que têm procurado seriamente rever:

    • seus objetivos

    • sua organização curricular

    • seus métodos de trabalho (rediscutindo o papel de professores e alunos), e

    • suas formas de gestão

    à luz da concepção de educação como desenvolvimento humano e levando em conta as profundas transformações que as tecnologias de informação e comunicação vêm promovendo na nossa sociedade.“

    A carta salienta ainda:

    “Entre as mudanças que vêm ocorrendo nas escolas parceiras ativamente envolvidas no Sua Escola registramos:

    • Escolas colocando como seu objetivo principal o desenvolvimento de competências e habilidades nos alunos, não a mera transmissão de informações [NOVA EDUCAÇÃO];

    • Escolas concebendo o currículo como um conjunto de atividades voltadas para o desenvolvimento de competências e habilidades nos alunos [NOVA ESCOLA];

    • Escolas usando os “quatro pilares da educação” (aprender a ser, aprender a conviver, aprender a fazer e aprender a aprender) como princípio organizador do currículo, apesar dos empecilhos apresentados pelo fato de que nosso sistema educacional ainda vê o currículo como um conjunto de matérias, divididas em disciplinas, voltado para a transmissão de informações [NOVA ESCOLA];

    • Projetos interdisciplinares de aprendizagem, centrados nos interesses dos alunos, como a principal estratégia de promoção de uma aprendizagem ativa, colaborativa e significativa por parte dos alunos, estratégia essa que vem gradualmente ocupando o lugar da aula convencional [NOVA METODOLOGIA DE TRABALHO];

    • Escolas transformando em prática pedagógica concreta o princípio de que o aluno é a única razão de ser de sua atividade e o ator principal (protagonista) de sua aprendizagem e, conseqüentemente, de sua educação, que, como tal, nunca pode ser apenas um ator coadjuvante, muito menos um mero espectador [NOVOS PAPÉIS: NOVO ALUNO];

    • Professores sendo valorizados como facilitadores da aprendizagem do aluno e na tarefa de elaborar e iniciar a implementação de seu projeto de vida, contribuindo assim para que o aluno se torne um ser livre, responsável, autônomo, solidário, competente e produtivo [NOVOS PAPÉIS: NOVO PROFESSOR];

    • Escolas procurando se integrar ativamente na vida da comunidade e integrar a comunidade em suas atividades [NOVOS PARCEIROS: INTEGRAÇÃO COM A COMUNIDADE];

    • Escolas conscientes de que o uso criativo e inovador da tecnologia é aquele que as ajuda alcançar o seu objetivo principal (como definido no item 1), não o que serve para dar uma sobrevida a uma visão de escola já ultrapassada [NOVAS FERRAMENTAS].“

    Entre colchetes estão os princípios do programa que norteiam cada uma dessas mudanças nas escolas. [A versão oficial dos princípios pode ser vista no Ideário do Programa.]

    A carta conclui:

    “Para garantir a qualidade da educação é preciso continuar traduzindo esses princípios em prática pedagógica concreta. “

    Em outras palavras: o objetivo maior do Sua Escola (contribuir para a melhoria da qualidade da educação brasileira) é alcançado na justa medida em que são promovidos os princípios básicos que dão sustentação ao programa.

    É esta é a razão porque vimos dando tanta ênfase à questão dos princípios. E esta também é a razão porque os orientadores precisam estar comprometidos com os princípios do programa.

    Esse compromisso não é, porém, um mero assentimento teórico: é um comprometimento com a tradução dos princípios em prática pedagógica concreta.

    Diz José Pacheco, em entrevista transcrita no livro sobre a Escola da Ponte de Rubem Alves: “A especulação teórica sem caução da prática engendra apenas reformulações de uma utopia sempre por construir” (p.100). O objetivo do IAS e, por conseguinte, do Sua Escola, é mudar a sociedade brasileira, retirá-la do 69º lugar em que ela se encontra no Índice de Desenvolvimento Humano da UNESCO e colocá-la entre as sociedades em que o desenvolvimento humano já alcançou níveis aceitáveis. Não somos, portanto, meros vendedores de utopia: nosso objetivo é mudar a cara deste país, mostrar que ele pode dar certo.

    Por isso, boa parte do tempo dessa nossa experiência de aprendizagem colaborativa será dedicada a garantir que todos entendemos claramente os objetivos, os princípios e a estratégia de ação que sustentam o programa.

    É preciso esclarecer algumas coisas aqui para evitar mal-entendidos: os objetivos, os princípios básicos e a estratégia de ação do Instituto Ayrton Senna, bem como do Sua Escola (neste caso, como definidos no seu Ideário), não estão abertos a questionamentos no momento. Embora eles não estejam escritos em pedra para toda eternidade, e, portanto, sejam passíveis de mudança (como, de fato, já foram mais de uma vez mudados), ESTE não é o fórum escolhido para submetê-los a uma revisão crítica.

    Assim sendo, nossos objetivos específicos, em relação aos objetivos, aos princípios e à estratégia de ação do Sua Escola, nesta nossa experiência de aprendizagem colaborativa, são:

    Alguns de vocês podem estar pensando: “Mas se eu não concordar inteiramente com algum desses elementos (objetivos, princípios, estratégia de ação), ou se achar que eles são incompletos e que outros elementos deveriam ser acrescentados?” Nesse caso, nada impede que vocês externem o seu ponto de vista, aqui, no seio deste grupo. Ao saírem daqui, porém, e em especial quando estiverem em contato com as escolas parceiras ou se manifestarem publicamente como pessoas vinculadas ao Instituto Ayrton Senna, devem agir profissionalmente na defesa dos objetivos, dos princípios, e das estratégias de ação tanto do Instituto como do Programa.

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    III) A QUESTÃO DA TECNOLOGIA SOCIAL

     

    É preciso ainda que os orientadores do programa estejam comprometidos, de forma explícita, com a estratégia de ação do Instituto e do Programa.

    Por mais ampla que seja a ação do Instituto Ayrton Senna, e por mais recursos que ele invista no Sua Escola, não há como (no caso do Sua Escola) alcançar DIRETAMENTE todas as escolas públicas do país. Por isso o Instituto concluiu que sua principal estratégia de ação deve estar no desenvolvimento de “tecnologias sociais” - modelos de ação bem sucedidos que possam ser divulgados e compartilhados com outras escolas de modo a, oportunamente, beneficiar a todos aqueles que freqüentam escolas e, através deles, o país como um todo. Essa estratégia global se aplica, naturalmente, ao Sua Escola.

    O desenvolvimento de uma tecnologia social pode ser comparado à criação de sementeiras. O Instituto concluiu que, na impossibilidade de “plantar” o Sua Escola em todas as escolas públicas do Brasil, deve fazer dele uma “estufa”, com várias sementeiras, em que plantas de qualidade se desenvolvam que possam, oportunamente, ceder sementes para as demais escolas que não puderem participar desse verdadeiro “laboratório de tecnologia social”. As sementeiras são as escolas parceiras.

    Por isso as escolas do Sua Escola são verdadeiras parceiras do Instituto, não meras beneficiárias do programa. Como parceiras, elas são parte integrante e essencial de um verdadeiro processo criativo e inovador de melhoria da educação e de renovação da escola pública brasileira. O Sua Escola é um laboratório em que todos nós, num trabalho colaborativo semelhante ao de uma equipe de engenharia genética, estamos tentando descobrir que conjunto de condições é capaz de produzir uma nova escola, que seja resistente às pragas que representam o atraso da escola atual e seja capaz de permitir e promover o desenvolvimento de seres humanos livres, responsáveis, autônomos, solidários, competentes e produtivos - no ser, no fazer, no conviver, e no aprender. Os orientadores são, ao mesmo tempo, observadores, facilitadores e cronistas desse processo.

    O Sua Escola tem, portanto, como todos nós já sabemos a esta altura, dois focos: fazer (que envolve a descoberta ou invenção - ou o desenvolvimento - da tecnologia social que vai permitir a renovação da escola) e influir (divulgar e compartilhar essa tecnologia para que outros possam se beneficiar dela).

    Algumas das escolas parceiras já estão criando as suas próprias sementeiras e, portanto, divulgando e compartilhando o que aprenderam... É preciso que estejamos atentos a essas iniciativas, que procuremos facilitá-las, e que as registremos, para que não se percam.

    As experiências positivas que estão acontecendo nas escolas podem e devem ser compartilhadas da forma mais ampla possível. Mas para que essas experiências sejam compartilhadas, é preciso que tenhamos certeza de que as escolas estão realmente se transformando na direção esperada, que sua adesão ao Sua Escola não é um mero assentimento a idéias bonitas mas uma prática pedagógica diferente, pois é essa prática pedagógica diferente que vai constituir o núcleo de nossa tecnologia social.

    Assim, quando discutimos um princípio do programa, precisamos nos perguntar: a quais práticas pedagógicas concretas esse princípio nos leva? E quando uma atividade, como a elaboração de um jornal, é proposta, precisamos nos perguntar: quais princípios do programa essa atividade promove?

    Discutir apenas os princípios do programa pode levar a discussões teóricas interessantes, mas estéreis, sem implicações práticas. Discutir apenas a tecnologia social, sem enraizá-la nos princípios, pode gerar um conjunto de recomendações práticas (“receitas”) soltas no espaço, sem fundamentação teórica. Nenhuma dessas alternativas, por si só, é desejável. Precisamos mostrar como a teoria desemboca em uma prática pedagógica concreta, diferente da que está aí.

    A atuação dos orientadores junto às escolas deve, portanto, ser coerente com essa visão. Embora seja inegável que, entre os membros da equipe do programa, uns têm maior interesse na teoria, outros na prática, no conjunto precisamos todos nos interessar pelos dois aspectos e procurar sempre mantê-los em equilíbrio.

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    IV) POR QUE UMA EXPERIÊNCIA DE APRENDIZAGEM COLABORATIVA?

     

    Alguns de vocês podem estar se perguntando se uma experiência de aprendizagem colaborativa desse tipo seria realmente necessária “a esta altura do campeonato” - afinal de contas, alguns orientadores já estão no programa há dois anos.

    Parece-nos que é, pelas seguintes razões:

    1. Comprometimento com os objetivos, com os princípios básicos, e com a estratégia de ação do Programa é, no momento, mais do que importante: é essencial. Este é o ano em que o Sua Escola deve mostrar a que veio. Não haverá, neste ano, escolas novas, que precisam ser introduzidas e “aclimatadas” ao programa. Nosso objetivo (coordenação, consultores, articuladora, e orientadores) precisa, portanto, ser a consolidação do programa, a colheita dos bons resultados e a demonstração de que os bons resultados foram decorrentes dos princípios que procuramos promover: uma nova visão da educação, da escola, do aluno e do papel da tecnologia nisso tudo. Assim sendo, precisamos todos ter um entendimento comum e falar uma linguagem comum.

    2. Falamos muito em educação como desenvolvimento humano, nos quatro pilares, em competências e habilidades, em pedagogia de projetos, em protagonismo juvenil, em uso criativo e inovador da tecnologia... Mas muitas vezes não temos tempo de ir estudar com maior profundidade o que está por trás dessas expressões. Por isso, precisamos reservar um tempo especial para ler as partes relevantes do Relatório Jacques Delors da UNESCO, textos do Antonio Carlos Gomes da Costa (principal consultor do Instituto), o texto já clássico do Rubem Alves sobre a Escola da Ponte, alguns materiais que eu mesmo escrevi depois de meu envolvimento no programa, o Ideário do Sua Escola (pensado de forma conjunta pela coordenação e pelos consultores do programa e bastante elogiado pelo Antonio Carlos), etc. Assim, não apenas o nosso entendimento dos princípios e a nossa linguagem serão comuns, mas também o nosso entendimento daquilo que nos levou a adotar esses princípios e a utilizar essa linguagem.

    3. Como o trabalho dos orientadores junto às escolas será, doravante, predominantemente a distância, esta experiência de aprendizagem colaborativa, incluindo, como o fará, uma boa parcela de atividades a distância, servirá para que identifiquemos e desenvolvamos aqui as competências e habilidades necessárias para planejar e implementar experiências de aprendizagem colaborativa a distância com o pessoal das escolas parcerias. Assim deveremos ter, ao final desta experiência, um modelo (uma parcela de nossa tecnologia social) para uso pelos orientadores no seu trabalho de planejamento dos encontros estaduais das escolas e uma ilustração do uso criativo e inovador da tecnologia.

    4. Embora a tarefa de elaborar o livro que vai apresentar os princípios do programa, o seu “DNA próprio”, esteja atribuída, na divisão de tarefas, predominantemente a mim, não conseguirei fazer isso sem a ajuda de toda a equipe. Além do mais, esse livro não deverá ser um mero compêndio de pedagogia, mas, sim, o relato de uma experiência de transformação da educação. Como tal, precisa conter “cases” que ilustrem a aplicação (tradução na prática) dos vários princípios. (Vídeos do Canal Futura ilustrarão os “cases”). São os orientadores as pessoas mais indicadas para colher esses “cases” e para ajudar a melhorar a apresentação do programa em sua forma escrita e “audiovisual”. A ajuda do Castor, com seu olho clínico e com suas sugestões inovadoras, será inestimável, em especial no que diz respeito à organização e à gestão da nova escola. Assim, essa experiência de aprendizagem colaborativa será um momento de nos conscientizarmos das tarefas que temos pela frente e de nos prepararmos para a sua execução.

    5. A experiência de aprendizagem colaborativa terá um momento on-line e um momento presencial, e em ambos a discussão abrangerá não só os objetivos, os princípios e a estratégia de ação (tecnologia social) do programa, mas, também, questões técnicas e operacionais: como serão os encontros regionais, como serão os fóruns, como atuar neles presencialmente e a distância, que relatórios será preciso elaborar, como desenvolver sites em que as escolas relatem suas experiências com o programa (os webfólios), como desenvolver sites em que os orientadores façam o mesmo, como melhorar o site oficial do programa e garantir que seja aproveitado melhor, como explorar (no bom sentido) ao máximo os pontos fortes de cada um, como apoiar cada um nos seus pontos mais fracos, como avaliar as ações das escolas e as nossas, etc. No ano passado ficamos apenas no plano das intenções em relação à maioria dessas questões. Neste ano precisamos sair do plano das intenções para o plano da ação. Por isso, a Coordenação estará sendo bem mais incisiva na exigência de que os orientadores cumpram as tarefas que forem distribuídas dentro dos prazos previstos - para o que deverão ter tempo disponível e priorizado. Isso tudo requer discussão e negociação - e o tempo dedicado a essa experiência de aprendizagem colaborativa será o momento mais adequado de fazer isso. [Ênfase no prático-operacional]

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    V) O MODUS OPERANDI

    No site de apoio a esta experiência de aprendizagem colaborativa no Yahoo! Courses (http://courses.yahoo.com/course/escola2000/), doravante chamado "Site 1", e no site alternativo  (http://www.escola2000.net/aprendizagem/), doravante chamado de "Site 2", estarão disponíveis todos os materiais indicados para leitura e que deverão subsidiar a discussão.

    Lá se esclarece que a metodologia de trabalho a ser usada neste nosso trabalho envolve:

    1. Leitura de textos, que serão distribuídos na seção "Handouts" do Site 1 (http://courses.yahoo.com/course/escola2000/files/) e no Site 2, ou que serão apenas indicados na seção "Bookmarks" do Site 1 (http://courses.yahoo.com/course/escola2000/links/).

    2. Discussão dos textos lidos entre os participantes, usando o endereço escola2000@courses.yahoo.com para envio das mensagens. Esse endereço funciona como uma Lista de Discussão: as mensagens enviadas para ele são distribuídas para todos os participantes e ficam armazenadas no Site 1, na seção "Messages"  (http://courses.yahoo.com/course/escola2000/messages/)

    3. Realização de três “chats” (no site http://www.escola2000.org.br), de no máximo uma hora cada, nos dias 1º, 8 e 15 de fevereiro (sextas-feiras), para “sintonizar” os ponteiros, sendo que o último será dedicado ao estabelecimento de continuidade com a parte presencial da experiência

    4. Submissão, por parte de cada participante, de trabalhos que resumam sua visão de cada um dos princípios pedagógicos do programa, em que comentem sua opinião dos materiais usados e em que façam sugestões. Esses trabalhos serão disponibilizados pelos participantes na seção "Submissions" do Site 1 (http://courses.yahoo.com/course/escola2000/submission/)

    O e-mail dos participantes se encontra na seção "Roster" do Site 1 (http://courses.yahoo.com/course/escola2000/members/) e o calendário das atividades se encontra na seção "Calendar" do Site 1 (http://courses.yahoo.com/course/escola2000/calendar/).

    A maior parte dos textos já está nos sites. As mensagens que trocaremos, que serão, certamente, o núcleo forte dessa nossa experiência de aprendizagem colaborativa, ficarão no site do Yahoo! Courses. O log dos chats será preservado. E as contribuições que cada um dará, através da submissão de pequenos (ou não tão pequenos!) trabalhos, também ficarão no Site 1 e poderão ser também disponibilizadas no Site 2. Desta forma estaremos preservando a memória de nossas interações.

    Esta experiência de aprendizagem colaborativa, não sendo um curso, e não tendo um professor ou instrutor, não desembocará, naturalmente, em notas ou conceitos, mas o desempenho de todos os participantes (sem exceção) estará sendo observado e analisado por todos, o tempo todo, para que aperfeiçoemos a nossa forma de trabalho e possamos, oportunamente, mas ainda no primeiro semestre, abrir para as escolas uma experiência semelhante, com a participação de todos nós que aqui vivenciamos esta experiência piloto.

    Este fato traz à baila a questão da plataforma. O site do Yahoo! Courses ainda está em inglês, além de conter vários outros problemas (como exigir que cada aluno tenha um Yahoo! ID). Estamos procurando encontrar uma boa plataforma, bem amistosa e totalmente em português (AulaNet? WebCT? UniverSite?). Mas antes de definir uma plataforma mais adequada, é preciso que tenhamos definido o que exatamente desejamos alcançar com essas experiências de aprendizagem colaborativa, qual é a melhor forma de estruturá-las e organizá-las, quais os melhores materiais de leitura, quais as melhores “questões desafiadoras” (vocês logo verão o que será isso), etc.

    Por isso, os participantes desta experiência piloto precisam ter também o compromisso de continuamente avaliar o que está sendo feito e de sugerir melhorias.

    Bom, esta foi a “comunicação inicial”. Ela está sendo enviada como mensagem mas está, também, sendo colocada como documento na seção “Handouts” do site no Yahoo! Courses.

    Leituras seguintes:

    Plano da Experiência de Aprendizagem Colaborativa

    Programa Detalhado da Parte Teórico-Conceitual da Experiência de Aprendizagem Colaborativa

     

    Eduardo Chaves
    28 de janeiro de 2002

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