Considerações Finais
No dia 19/2, em reunião presencial realizada em São Paulo, os participantes
desta Experiência de Aprendizagem Colaborativa a avaliaram, em sua fase virtual.
Coloco aqui minha visão das observações feitas, à guisa de Considerações Finais.
A discussão da EAC girou em torno de três questões básicas:
a) A Plataforma, a Interface e as Regras do Jogo
b) A Natureza e o Conteúdo desta e de outras EACs que forem realizadas
c) A Aplicabilidade do Modelo ao Contato com as Escolas
a) A Plataforma, a Interface e as Regras do Jogo
Foi registrado que o Yahoo! Courses, além de estar em Inglês, usa terminologia
incongruente com a visão de educação do programa. Fala-se, naquela plataforma,
em "curso", "instrutor", "submissão" de trabalhos, etc.
Houve certo consenso de que nenhuma plataforma das existentes no mercado é
perfeita ou totalmente aceitável, porque elas foram elaboradas, em grande
medida, para acomodar experiências educacionais de natureza mais tradicional.
Houve também razoável consenso de que, apesar dos problemas, muita coisa
interessante se pode fazer mesmo com uma plataforma como a Yahoo! Courses, mas
que talvez fosse recomendável que usássemos uma interface mais leve, em
português, no site escola2000.net.
Embora o próprio nome indique que uma EAC é uma experiência de aprendizagem,
houve consenso de que a plataforma e a interface usada para aprendizagem pode
também ser usada para gerenciamento de projetos (comunidades "projéticas") ou
mesmo para grupos de interesse (comunidades temáticas)
Foi considerada positiva a existência de prazos para as tarefas e para toda a
experiência de aprendizagem.
b) A Natureza e o Conteúdo desta e de outras EACs que forem realizadas
Para demarcar as EACs de outros tipos de atividade, como as listas temáticas, é
interessante atribuir a elas uma clara função de aprendizagem colaborativa. Por
ser a aprendizagem, neste caso, concebida como colaborativa, os componentes
lista e chat que integram a interface de uma EAC (mesmo que não a plataforma
Yahoo! Courses) são talvez ainda mais importantes do que os componentes site
(distribuição de textos e links), calendário, lista de matrícula, etc.
Assim, mesmo que a plataforma e a interface usada para aprendizagem seja também
usada para gerenciamento de projetos (comunidades "projéticas") ou mesmo para
grupos de interesse (comunidades temáticas), a atividade, nesses dois casos, não
deveria ser classificada como EAC.
No caso do Sua Escola, as EACs a serem realizadas com as escolas devem ter um
conteúdo orientado basicamente para os princípios do programa, como competências
e habilidades, projetos de aprendizagem, protagonismo juvenil, gestão da nova
escola, tecnologia e educação, etc.
Houve consenso de que a metodologia de "Questões Desafiadoras" é útil e de que é
preciso dar bastante atenção aos textos que são distribuídos, pois são eles que
subsidiam a discussão e as reflexões dos participantes.
Como já observado, foi considerada positiva a existência de prazos para as
tarefas e para toda a experiência de aprendizagem. No entanto, foi sugerido que
os prazos sejam vistos de forma flexível.
Em termos de crítica, foi observado que muitas das observações feitas, seja na
lista, nos chats ou nas reflexões, ficaram sem comentário e discussão, sendo,
portanto, recomendável que o coordenador da atividade (figura considerada
indispensável) tenha um coordenador / moderador auxiliar que o ajude nesse
mister. Uma forma alternativa de garantir que as observações de cada um recebam
feedback adequado é dividir os participantes em duplas (fixas ou mutáveis),
ficando cada membro da dupla com a responsabilidade de comentar sobre as
contribuições do outro. A interação dificilmente ocorre de forma natural e
espontânea: ela precisa ser incentivada e, ao mesmo tempo, facilitada.
Além disso, alguém, provavelmente o coordenador, deve fazer um "fechamento" ao
final da EAC.
Ainda em termos de crítica, foi observado que deveria ter havido algo
equivalente às questões desafiadoras para a parte mais prática-operacional da
EAC, que, por não ter tido algo que provocasse a discussão, acabou não recebendo
ênfase suficiente.
Houve consenso de que o tempo alocado para a primeira EAC foi muito reduzido,
devendo ser ampliado quando as EACs se destinarem ao pessoal das escolas. No
entanto, está claro que as EACs devem ter começo, meio e fim (fato que as
diferencia das listas temáticas, que têm começo e podem não ter fim -- as listas
"projéticas" tendo começo e só terminando quando o projeto estiver concluído).
Além disso, não se deve agendar chats para dias em que se espera que os
participantes entreguem trabalhos.
Também houve consenso de que, apesar das dificuldades que a sugestão enseja,
devem participar das EACs destinadas às escolas tanto professores como alunos
(e, naturalmente, diretores, coordenadores, etc.).
Também houve consenso de que, diferentemente do que foi sugerido para as listas
temáticas, participação nas EACs deve, neste ano, ser reservada ao pessoal das
escolas parceiras.
c) A Aplicabilidade do Modelo ao Contato com as Escolas
Houve consenso de que o modelo de EACs é aplicável ao contato com as escolas,
embora se deva ter cuidado na definição dos temas, com a escolha dos textos, e
com a interface (deve ser simples e em português).
Foi aceita a sugestão de que haja dois períodos de EACs para as escolas, em maio
/ junho e outubro /novembro. Em cada um desses períodos haveria três EACs, sob
responsabilidade de uma dupla de orientadores (um funcionando como coordenador e
outro como coordenador / moderador auxiliar, invertendo-se os papéis no outro
período).
Foi sugerido que as EACs sejam anunciadas na lista geral e, talvez, no próprio
site do programa.
Eduardo Chaves
Fevereiro de 2002