Lenise Garcia - Texto 1
Primeiro Conjunto de Questões Desafiadoras
[Quatro Questões]
Assunto Básico: Conceito de Educação (Primeiro Princípio)
Lenise Garcia
1) Considere esta conceituação de educação e procure responder as questões abaixo:
Educação, em seu sentido mais amplo, é o processo mediante o qual as pessoas se tornam capazes de [desenvolvem as competências necessárias para] viver suas vidas, tanto no plano individual (privado) como no social (público), de forma livre e responsável, autônoma e solidária, competente e produtiva.
A) Você acha essa conceituação de educação inteiramente adequada? Adequada até onde vai, mas incompleta? Totalmente inadequada?
Adequada até onde vai, mas incompleta. Entretanto, difícil ou impossível “completar”. O conceito é amplo demais para caber em uma definição sucinta, o que acaba tornando essa definição muito genérica [por exemplo, o que é “produtivo”?]. Diria que está suficientemente abrangente para poder ser consensual, ou seja, inclui uma boa possibilidade de diversidade.
Um questionamento interessante refere-se ao se tornam capazes de. Isso dá à Educação um sentido de “potência”, de algo voltado para o futuro, que “prepara”. Não se trata apenas de “tornar-se capaz”, mas de efetivamente fazer; estaria isso incluído no conceito de Educação?
B) Você acha que conceituações desse tipo podem ser consideradas definições objetivas ou serão elas nada mais do que manifestações de persuasões subjetivas (“definições persuasivas”)?
Acho que no caso nem uma coisa nem outra. Eu diria que é uma tentativa de expressar, o mais objetivamente possível, o que efetivamente ocorre quando se educa.
C) Você concorda que a expressão “se tornam capazes de” deva ser interpretada como equivalente a “desenvolvem as competências necessárias para”?
Penso que refletem idéias bastante aproximadas. Comentei acima uma conotação da expressão.
D) Como deve ser interpretada a expressão “se tornam capazes” nessa conceituação de educação:
a) as pessoas se tornam capazes mediante a ação de terceiros (e, portanto, são educadas);
b) as pessoas se tornam capazes por si mesmas, sozinhas (e, portanto, se educam a si próprias, sozinhas);
c) as pessoas se tornam capazes num processo que forçosamente envolve interação com outras pessoas (sendo a educação, portanto, um processo em que as pessoas são educadas por outras pessoas e se educam a si próprias em interações em que às vezes é impossível distinguir o papel de uns e de outros).
Discuta essa questão.
Terceira opção. Discutido no próximo item.
E) Se você acredita que terceiros desempenham um papel importante na educação de uma pessoa, o papel desses terceiros poderia ser definido como sendo principalmente de exemplos, de fontes de estímulos e desafios, de motivadores, ou de ensinantes? Se houver algum outro papel, esclareça.
Diz Freire que “ninguém educa ninguém”. Ressalta com essa expressão, entre outras coisas, o fundamental papel do educando em sua própria educação. Cada um é protagonista de seu crescimento intelectual e vivencial. A aprendizagem é algo único e individual. Tomada neste sentido, concordo com a expressão, que não nega em si o papel do educador. Aliás, se Freire o fizesse, estaria contradizendo a sua própria vida de educador.
O ser humano educa-se em um meio social e a comunicação com todos os integrantes desse meio tem parte muito importante no seu desenvolvimento. Neste sentido, acontece com o ser humano algo muito diferente do que ocorre entre os animais irracionais.
Abro espaço para um pequeno relato que penso ilustrar a idéia que pretendo desenvolver.
D. Hilda é uma funcionária da UnB que mora em uma chácara em Planaltina de Goiás. Cria gansos, patos, galinhas. Relatou-me que algumas vezes coloca ovos de pata para chocar nas galinhas. Quando os patinhos nascem, correm para a água. A galinha “mãe” fica na margem, cacarejando como louca.
É interessante observar que tanto os patinhos quanto a galinha seguem os seus instintos. Os patinhos comportam-se como o que são, naturalmente; não precisam ser “ensinados” a nadar. Fazem-no mesmo que aquela que os chocou não o saiba fazer. A galinha também não consegue distinguir que eles não são dos “seus” - e fica desconcertada, sem saber como agir.
Algumas vezes foram encontradas crianças que, abandonadas ou perdidas em florestas, foram criadas por lobos ou macacos. Essas crianças desenvolveram - dentro de seu limite físico - inúmeros comportamentos similares aos das comunidades em que foram criadas.
Temos assim claras indicações de que o ser humano comporta-se guiado principalmente pela aprendizagem, enquanto os animais o fazem guiados principalmente pelo instinto.
Poderíamos dizer que os lobos ou macacos educaram as crianças que foram criadas entre eles? A meu ver, sim e não. Sim, no sentido de que a criança aprendeu com eles. O “menino-lobo” aprendeu a uivar - dentro dos limites permitidos por seu aparelho vocal - com a comunidade de lobos na qual viveu. Mas, poderíamos falar aqui de um processo educativo?
Esse exemplo de algum modo “extremo” facilita-nos distinguir papéis de educador e educando e a intencionalidade de ambos no processo de ensino e aprendizagem. Podemos questionar se houve educação ou se houve ensino, mas certamente houve aprendizagem. Percebemos também que a criança aprende com seu meio social, seja ele qual for, e que o desenvolvimento de suas potencialidades depende muito desse meio.
Um patinho, mesmo “criado” por uma galinha que não tem muito a lhe ensinar, desenvolve as suas potencialidades. A criança sempre desenvolverá algumas, mas a educação que receba - ou adquira por seu próprio esforço, em diferentes tipos de interação com o meio social - faz enorme diferença. Um “menino-lobo” dá-nos pena, porque o seu desenvolvimento ficou muito aquém do que poderia.
F) O que você acha da chamada “educação negativa” (às vezes chamada de “educação laissez faire”), que muitos atribuem a Rousseau, segundo a qual a melhor educação é aquela que menos interfere com o desenvolvimento natural e espontâneo da criança. Você conhece a experiência de Summerhill? O que acha dela? Você acha que a educação em Summerhill era desse tipo negativo? Faz sentido criar uma escola e levar as crianças lá para que lá possam ter uma “educação negativa”?
Discordo da idéia de "educação negativa", por vários motivos. Colocarei aqui 2 deles:
1. Acho que ela presume uma noção de que o ser humano "nasce bom". Assim, o seu "desenvolvimento natural e espontâneo" levaria a atingir os objetivos da educação. Não penso que seja assim, e sim que todos temos tendências positivas e negativas dentro de nós. Um aspecto importante do "aprender a ser" é justamente buscar o desenvolvimento dos aspectos positivos e, de algum modo, um "domínio" e superação das tendências negativas.
2. Ela presume também que e' possível uma "não interferência". Mas qualquer
pessoa que vive em um meio social esta' sofrendo interferências o tempo todo.
Boa parte da tarefa do educador é entender como são essas interferências e fazer
a sua própria.
G) Se é verdade que aquilo que uma pessoa vai se tornar, ao longo de sua educação, não está inexoravelmente programado geneticamente, devemos concluir que a educação está necessariamente ligada à aprendizagem - e que, portanto, o conceito de educação tem uma conexão necessária com o conceito de aprendizagem?
Penso que sim, que educação e aprendizagem estão conectados. Não por acaso os pilares da UNESCO estão expressos como “aprender a ...”
H) Têm o ensino um papel significativo na educação? Em caso positivo, qual? Esclareça o que você entende por ensino. É viável definir “ensinar” como “fazer aprender” ou “ajudar a aprender”?
Acho sim viável definir “ensinar” como “ajudar a aprender”, ajuda que muitas vezes é importantíssima (e algumas imprescindível). Talvez o campo do ensino seja tão amplo quanto o da aprendizagem, ou seja, tudo o que se pode aprender pode de certa forma ser ensinado.
2) Compare a conceituação de educação fornecida no item anterior com as
seguintes conceituações, feitas, respectivamente, por Paulo Freire e por Antonio
Carlos Rodrigues de Moraes, e responda as questões abaixo:
“Ninguém educa ninguém, mas ninguém se educa a si mesmo. Os homens se educam em comunhão, mediatizados pelo mundo”. [Paulo Freire, Pedagogia do Oprimido, Editora Paz e Terra, Rio de Janeiro, RJ, 6ª edição, 1979, p.79]
“Educação é o processo pelo qual nos tornamos capazes de viver os próprios sonhos”. [Antonio Carlos Rodrigues de Moraes, em mensagem na lista Edutec]
A) Você considera essas duas conceituações de educação equivalentes, no essencial, uma à outra?
Não as considero equivalentes, penso que podem ser complementares. Freire coloca na sua frase como ocorre a educação, é uma consideração sobre o modo. Já o Toninho (acho que ele me permite a familiaridade) está discutindo o fim, o objetivo da educação. Gosto da colocação do Toninho, mas não a vejo como completa expressa apenas por essa frase. Se temos em conta que a educação também interfere nos nossos sonhos, modifica-os, então temos em conta o processo dinâmico que ocorre na educação, pelo caminho colocado por Freire.
B) Você considera essas duas conceituações de educação equivalentes, no essencial, à conceituação fornecida no item anterior? Explique.
Novamente não vejo uma relação de equivalência, mas de complementariedade. As conceituações são compatíveis e o conceito fica mais amplo se consideramos todas elas.
3. Comente rapidamente as seguintes considerações acerca da educação (algumas
são conceituações formais) encontradas na literatura:
"Se verificarmos que os dois grandes oponentes no pensamento educacional, os 'formalistas' (que acreditavam que a educação era uma disciplina e que as crianças aprendem o que é bom para elas, são para ser vistas e não ouvidas, e são tornadas em pessoas específicas pela sua educação) e os 'naturalistas' (que criam que a educação deve meramente 'deixar a criança se desenvolver'), ambos reivindicam a correção de suas definições em termos etimológicos, veremos quão fútil é fazer apelo à etimologia". [H. Schofield]
Penso que a etimologia de uma palavra muitas vezes ajuda a trabalhar o conceito. Entretanto, à parte discussões como a acima (em que cabem diferentes etimologias), também acontece de a etimologia refletir um conceito inadequado (é o que ocorre, por exemplo, com a palavra átomo = indivisível).
Quanto aos dois grandes oponentes a que ele se refere, penso que nenhuma das 2 posições extremas está correta (coisa que aliás costuma ocorrer quando há muita polarização). É preciso encontrar um ponto intermediário.
"A educação é a ação exercida, pelas gerações adultas, sobre aquelas ainda não amadurecidas para a vida social. Tem por objeto suscitar e desenvolver, na criança, certo número de estados físicos, intelectuais e morais, reclamados pela sociedade política no seu conjunto e pelo meio especial a que a criança particularmente se destina." [E. Durkheim]
Diria que é uma definição horrível, que poucos defendem teoricamente, mas que expressa bastante bem o que observamos com freqüência na prática.
"Do ponto de vista biopsicológico, a educação tem por escopo levar o indivíduo a realizar a sua personalidade, tendo em mira as suas possibilidades intrínsecas; logo, a educação passa a ser o processo que tem por fim atualizar todas as virtualidades do indivíduo, em um trabalho, realmente, de extrair de dentro do próprio indivíduo o que ele traz, hereditariamente, consigo." [I. G. Nérici]
Aqui estamos no polo oposto. Entre nossas principais virtualidades está a de interação com outros seres humanos. Todo o fruto desse processo de interação não está hereditariamente conosco, apenas aguardando para ser “extraído” como se faz com o látex de uma seringueira.
"Educação é o processo de aperfeiçoamento do ser humano no sentido de facultar a realização de suas potencialidades, bem como a transmissão de conhecimentos e valores culturais do grupo social." [Manual da Escola Superior de Guerra]
Diria que a primeira parte está correta, a segunda parcialmente. Penso que não é possível uma “transmissão” de conhecimentos e valores, mas que o desenvolvimento de potencialidades inclui conhecimentos e valores culturais. Reconheço que é extremamente difícil discutir o conjunto desses valores. Não sei quais farão parte do Manual da Escola Superior de Guerra. Por outro lado, acho que essa discussão é necessária na educação.
"Educação é a influência deliberada e consciente exercida sobre o ser maleável e inculto, com o propósito de formá-lo." [J. Cohn]
Ou de deformá-lo? Sem mais comentários.
"Educação é a liberação das capacidades individuais em crescimento progressivo dirigido para fins sociais." [J. Dewey]
Penso que é uma definição muito limitada. Não gosto da visão de “liberação” das capacidades (estariam presas?) e nem penso que tudo esteja dirigido a fins sociais.
"Assim alcançamos uma definição técnica da educação: ela é aquela reconstrução ou reorganização da experiência que acrescenta algo ao significado da experiência e que aumenta a habilidade de dirigir o curso da experiência subseqüente. ... A educação pode ser concebida ou retrospectivamente ou prospectivamente. Isso quer dizer que ela pode ser tratada como um processo ou de acomodação do futuro ao passado, ou de utilização do passado como um recurso para o desenvolvimento do futuro". [J. Dewey]
Aqui Dewey foi bem mais feliz. Concordo com o que ele diz, embora não o veja como uma definição de educação propriamente. Diria que a educação envolve esses aspectos, não “é” isso.
"A educação é, de um lado, um processo de estabilização, de transmissão, de garantia de continuidade de cultura; do outro, um processo de correção, de aperfeiçoamento, de modificação das características adquiridas das gerações passadas." [T. Brameld]
Gostei bastante dessa visão de processo educacional, que pode ser aplicada ao indivíduo ou mesmo à sociedade. Estabilidade e possibilidade de evolução são características importantes. Novamente não gosto da palavra “transmissão”, mas reconheço que é difícil substituí-la sem cair em dificuldades de expressão.
"Educação é o processo formal de transmitir a substância intelectual da civilização de uma geração para a seguinte, e, assim, fazer com que as mentes não cultivadas das crianças se transformem nas mentes de adultos civilizados." [G. Reisman]
Além de outros defeitos, falta a essa definição a flexibilidade evolutiva da anterior.
"Educação, no sentido em que o termo é usado aqui, é um processo, ou uma atividade, dirigido para a produção de mudanças desejáveis no comportamento de seres humanos". ... "Educação pode também ser considerada como o processo de socialização, através do qual a criança é introduzida nos costumes da sociedade em que vive". [Frederick J. McDonald]
A primeira parte da definição pende para um extremo formalista. A segunda parece-me mais adequada. Uma questão sobre essa definição e várias das anteriores: educação é só para crianças? A meu ver é um processo que não termina nunca.
"A educação e os cuidados com as crianças sempre foram processos conservadores, o que é justificável, pois são ações de transmissão cultural que sempre ocorreram na história da humanidade, fundamentais à sobrevivência da espécie. Porém, na fase de mudanças e de grande e crescente pobreza que atravessa o terceiro Mundo, é preciso -- sem lhe retirar o caráter conservador -- atribuir ao processo educacional a tarefa de também gerar certas rupturas inteligentes com a ordem vigente, de modo a interromper o círculo vicioso do subdesenvolvimento cultural, e, enfim, da pobreza. A conservação e a ruptura não são excludentes na educação e no trato com as crianças. Pelo contrário, o equilíbrio é que determinará sua eficaz adaptação à nossa realidade". [José A. Pinotti, Aníbal Faúndes e Eduardo O. C. Chaves (em 1988)]
Concordo com a idéia de conservação e ruptura. Poderia ser feita uma analogia com o que acontece na evolução dos seres vivos e também dos ambientes naturais, ou mesmo ao longo da vida de uma pessoa [somos sempre os mesmos mas não o somos - vide-se EC 1988 - 2002 :-)].
4. Comente sucintamente o seguinte texto de Carl Bereiter, retirado do seu livro
Must We Educate?, com especial foco no conceito de educação que o autor
parece endossar:
"Devemos nós educar?A questão 'Em que tipo de adulto vão se tornar os filhos de meus vizinhos e de meus próximos?' é uma questão de grande interesse para cada um de nós. Se eles se tornarem criminosos, ou incompetentes, podemos vir a sofrer com isso. Se se tornarem cidadãos responsáveis, nós e nossos filhos provavelmente nos beneficiaremos com isso.
Porém, apesar de esta ser uma questão de nosso interesse, nós, como indivíduos, não temos o direito de tomar providências para que nossos interesses, neste caso, sejam atendidos. Não temos o direito de pegar os filhos de nossos vizinhos e nossos próximos e moldá-los de modo a se tornarem o tipo de adultos que preferimos.
A maioria das pessoas concordaria, creio eu, que é assim que deve ser, pois também não gostaríamos que nossos vizinhos e nossos próximos, com suas idéias às vezes atravessadas e estapafúrdias, pudesse incutir essas idéias em nossos filhos.
Apesar disso, e aqui as coisas começam a ficar estranhas, se nosso vizinho ou nosso próximo é um professor, então ele, de repente, não só tem o direito de moldar nossos filhos, como sua missão, ao assim agir, é universalmente reconhecida como nobre.
Contudo, nosso vizinho/próximo-professor é um ser humano não muito diferente de nossos outros vizinhos e próximos, com as mesmas fraquezas e tendenciosidades, e, talvez, no íntimo, profundamente constrangido e preocupado por ter em suas mãos os destinos dos filhos dos outros".
Há várias questões interessantes no texto. Uma é a idéia de “moldar”, que certamente é complicada (e incorreta, pois não ocorre mesmo quando se tenta).
Outra é a quem compete educar. Não tenho dúvida de que, em primeiro lugar, aos pais. Concordo que existe o constrangimento a que o autor se refere no último parágrafo. Por exemplo: quando se fala de temas transversais, muitos professores confessam-se despreparados para uma educação mais ampla [e por isso, entre outros motivos, aferram-se a uma “transmissão de conhecimentos” o mais neutros possíveis, “afinal eu sou professor de Matemática”].
Há hoje uma abertura, fundamental, para integração da família na escola. Acho isso muito positivo. Por outro lado, geralmente se vê nesses momentos a escola querendo educar os pais. Não deveria haver também um maior papel deles nos rumos da escola?
Outro aspecto interessante levantado pelo texto é a preocupação com o fato de que a educação de outros membros da sociedade pode ter uma interferência direta em nossas vidas.
No primeiro item da primeira questão eu comentava: o que significa ser produtivo? Para alguma pessoa, pode ser conseguir vender droga a um número maior de adolescentes no bairro. E para isso ele “educa”...
Uma observação final, depois de trabalhar com muito interesse sobre esse conjunto de questões: será que vale a pena definir? Será mesmo possível dizer “Educação é...”? Ou seria mais interessante limitar-se a ir conceituando diferentes aspectos da educação: como ocorre, a que se destina, que possibilidades traz, sem querer chegar a algo “completo” como parece pedir uma definição? É algo que me pergunto a mim mesma.
Eduardo O C Chaves
Janeiro de 2002
Lenise Garcia
Fevereiro de 2002